19 de Agosto: Dia do Historiador

Publicado em 19 de agosto de 2015 por - História

Em 2009, o presidente da república em exercício, José Alencar, sancionaria a lei que instituiu o Dia do Historiador. A data, 19 de agosto, foi escolhida para homenagear o nascimento de Joaquim Nabuco (1849-1910). Filho do senador Nabuco de Araújo, proveniente de uma família tradicional de Pernambuco, Nabuco encarnava o modelo de homem admirado e invejado na época. Mesmo sem possuir fortuna, o diplomata, político e homem de letras tinha uma formação intelectual sólida, boas maneiras, beleza e estava sempre elegante, em harmonia com as modas que dominavam os salões mais refinados.

Nabuco afirmou: “A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil”. Infelizmente, ele estava certo. Essa frase tem sido bastante lembrada até os dias de hoje quando se discutem questões centrais da nossa sociedade, como racismo, trabalho doméstico, cotas, segurança pública. Amigo de D. Pedro II, Nabuco ficou conhecido pela atuação na campanha abolicionista e seus belos discursos na Câmara dos Deputados. Mas, não apenas por isso. O Correio do Povo, na ocasião de sua morte, informava que ele era considerado “o moço mais belo do Rio de Janeiro, no período de 1864 a1880, constituindo-se um verdadeiro árbitro da elegância e encantando as mulheres com seus dotes excepcionais da sua formosura física e com o deslumbrante prestígio de seu valor intelectual. A sua entrada num teatro ou salão de baile produzia sensação entre as damas, que todas elas o admiravam e muitas delas o amavam…”.

Passou os primeiros anos de vida, entre os canaviais que faziam a riqueza de Pernambuco e os cativos que ali trabalhavam. Desde cedo aprendeu a detestar a escravidão. Era conhecido como “o iôiô que não castigava escravos”.  Entre 1858 e 1870, estudou nas melhores escolas, inclusive o Colégio Pedro II, preparando-se para ir para São Paulo. Queria estudar Direito, nas Arcadas. Datam desta época os primeiros escritos contra a escravidão e sua ligação com o jovem poeta baiano, Castro Alves, autor do célebre poema “Navio Negreiro”. Ali, também conheceu Rui Barbosa e os futuros presidentes Rodrigues Alves e Afonso Pena.

Joaquim Nabuco voltou ao Recife para terminar os estudos e escandalizou a Província ao defender, no tribunal de Olinda, um escravo duplamente homicida: o negro Tomás. O processo fez história, pois Nabuco não mediu palavras: o responsável pelo crime? A violência da própria escravidão! Recife reagia chocada. O ambiente conservador e rígido da cidade, iria transformá-lo num radical.

Um caso amoroso com certa senhora casado foi o estopim para o início da carreira diplomática. Em 1876, seguiu para Washington como adido diplomático. Mas não se adaptou ao jeito americano de viver. De lá, foi para Londres, trabalhar no escritório da legação diplomática brasileira. Nabuco tinha admiração pelas instituições políticas inglesas e a cultura francesa. Em 1878, faleceu seu pai, o famoso senador Nabuco de Araújo e ele voltou ao Brasil. Tinha início a sua carreira política.

Foi eleito em 1878, derrotado em 1881 e reeleito em 1884. A plataforma eleitoral se chocava com os interesses dos senhores de escravos. Sua bandeira: “guerra à escravidão”. A ela se somavam outras ideias como liberdade religiosa e liberalismo. Ligou-se ao abolicionista André Rebouças e junto com outros intelectuais fundou O Abolicionista, folha mensal para a qual colaborava. No meio tempo, voltou à Londres, de onde escreveu um livro-propaganda, O Abolicionismo, onde denunciava as mazelas do sistema. Em 1886, com a volta dos conservadores ao poder, Nabuco não conseguiu se eleger. Afastou-se, então, da vida política e passou a colaborar com o Jornal do Comércio, a convite de Quintino Bocayuva.

Em 1887, ele foi a Roma. Em visita ao Papa Leão XIII, pediu apoio para a causa abolicionista. Nabuco sabia das ligações da princesa Isabel com o papado e achou que esta seria uma boa forma de pressionar a família imperial.  Resposta de Leão XIII: “O que lhe toca, toca também ao coração da Igreja”. De volta ao Brasil, Nabuco ajudou ao chefe do gabinete conservador, João Alfredo de Oliveira, apressar a Abolição.

Em 1889, Joaquim Nabuco casou-se. Afastado da vida política, pode dedicar-se à doméstica. Tinha uma enorme nostalgia dos tempos do Império. A República, frustrou a muitos liberais e ele foi um dos decepcionados. Recusava-se a participar do novo regime político até que foi convidado a defender o Brasil numa disputa diplomática com a Inglaterra. O tema? As fronteiras das Guianas. Embora tenha perdido a questão, se tornou o chefe da legação brasileira em Londres (1900-1905) e depois o primeiro embaixador brasileiro nos EUA (1905-1910). Ali, abraçou e defendeu a causa do “pan-americanismo” – a integração entre as Américas, visando à aliança mais estreita entre Brasil e EUA. Em 1909, registrou: “Não fui feito para velho”.

– Texto de Mary del Priore e Márcia Pinna Raspanti.

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Joaquim Nabuco, data de seu nascimento escolhida para homenagear o ofício de historiador.

 

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10 Comentários

  1. Carlos Alberto Xavier Garcia disse:

    Interessante a história de vida de Joaquim Nabuco, mas será que não há nenhum historiador brasileiro que pudesse ser homenageado? Escolheram um advogado abolicionista e diplomata! Parabéns a todos e todas que se dedicam aos estudos históricos!

  2. silvano teixeira disse:

    é gratificante ser um historiador, pois nos proporciona esta´viver as anos da nossa realidade.

  3. Denise disse:

    Se passássemos um “pente fino” sob as lentes da moralidade em todos que marcaram o tempo e criaram obras expressivas não haveriam homenagens no mundo. Gosto quando há algo de humano no legado de alguém que marca a história pois nos lembra sempre que apesar de nossas mazelas podemos realizar coisas incríveis.

  4. Joelza Ester Domingues disse:

    Obrigada e parabéns a todos nós!
    Nunca entendi porque escolheu-se Joaquim Nabuco para marcar o Dia do Historiador. Foi um grande defensor do abolicionismo, sim, mas ele também era..
    … um homem da elite agrária falida,
    … um dândi intelectual que se envolvia com mulheres casadas,
    … um político bom de papo mas ruim de voto,
    … um homem endividado que só resolveu suas pendências financeiras casando com uma mulher rica,
    … um nostálgico monarquista mas não soube se renovar ou se adaptar aos tempos republicanos,
    Enfim, se ele foi escolhido para o Dia do Historiador não me parece um bom modelo para o que desejamos ao nosso ofício.

    • Márcia disse:

      Realmente, Joaquim Nabuco tinha suas (muitas) contradições, mas suas obras são importantíssimas. E se há algo que podemos admirar nele é a elegância de seus textos, pois são muito bem escritos. Obrigada, Joelza.

  5. Antonio disse:

    Parabéns a todos que se dedicam a História ,pesquisadores e professores.

  6. Marta Elisabete dos Santos Barros disse:

    Excelente trabalho de pesquisa. Sou historiadora da arte e considero o dia 19/08 como nosso dia também! Parabéns a todos os historiadores!

  7. Que lindo documentário, parabéns aos pesquisadores, muito bom e interessante.

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