A IMINENTE DESTRUIÇÃO DA PESQUISA CIENTÍFICA NO BRASIL

 Por Natania Nogueira.

Tenho evitado escrever sobre os temas políticos atuais do nosso país, tanto por desgosto quanto para evitar linchamento por parte de pessoas que não concordam comigo e não conseguem aceitar meu direito à liberdade de expressão. Além disso, como todo profissional da área de humanas atualmente, estou sujeita a ser policiada e tolhida por aqueles que simpatizam com os ideais da Escola Sem Partido, que eu particularmente abomino. E não falo apenas de desconhecidos, incluo aqui amigos e familiares.

Mas há temas que não podem ser ignorados. Há ações que não podem deixar de ser denunciadas. Esta semana foi divulgada uma notícia alarmante acerca de um possível corte o orçamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) para 2019, organismo ligado ao MEC. A Capes,  acredito, é pouco conhecido pelo público geral mas é um organismo de fundamental importância para a própria existência da ciência no Brasil.

O corte , se realmente acontecer, que irá afetar centenas de milhares de bolsistas de pesquisa em todo o país, incluindo 93 mil bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado, 105 mil bolsas de programas de formação de profissionais da educação básica (como PIBIC e Parfor).  Significará ainda a interrupção do Sistema Universidade Aberta do Brasil e do Programa de Mestrado Profissional para Qualificação de Professores da Rede Pública de Educação Básica (ProEB), prejudicando cerca de 245 mil alunos e bolsistas (professores, tutores, assistentes e coordenadores) de 750 cursos (mestrados profissionais, licenciaturas, bacharelados e especializações) de 110 instituições, em mais de 600 cidades de todo o território nacional.

A interrupção das bolsas e dos programas acarretará, com certeza, o fechamento de diversos cursos de pós-graduação em todo o Brasil, bem como o fim de pesquisas importantes realizadas no país e do intercâmbio científico com pesquisadores do exterior.

Caso o corte seja aprovado estaremos assistindo ao desmantelamento da pesquisa científica no Brasil e da própria universidade pública, que já vem sofrendo com o descaso do governo nos últimos anos. Se isso realmente acontecer, a curto e médio prazo, teremos o desaparecimento de profissionais capacitados em todas as áreas e a provável fuga de intelectuais e potenciais cientistas para outro países.

O Brasil sofrerá um esvaziamento científico e intelectual que irá colocar nosso país numa situação política e econômica ainda pior. Os estudantes de graduação também serão afetados, com a limitação da oferta de cursos de pós-graduação. E não apenas os das universidades públicas, mas das privadas, também.

Esqueça por um momento suas simpatias ou antipatias partidárias e pense enquanto cidadão que está sendo lesado, sem poder contar no futuro com profissionais em condições para analisar o contexto político e social do país, sem profissionais capazes de poder pesquisar a cura de doenças, sem profissionais capazes de construir pontes e mesmo estradas. Pense que se você é daqueles que podem pagar por estes serviços eles ficarão muito mais caros. Pense que encontrar profissionais será mais difícil. Não é vantagem para ninguém aumentar a dependência do país, por exemplo, por tecnologia importada.

Pense num país de bestializados que não terão acesso a uma educação com o mínimo de qualidade. Não importa se seu posicionamento político é de esquerda ou direita, não é possível tolerar qualquer ação que prejudique o nosso direito a um serviço apropriado, oferecido por profissionais capacitados.

* Os dados numéricos acima citados foram fornecidos pela Associação de História do Rio Grande do Sul.

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Imagem capturada em: encurtador.com.br/hoquU.

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2 Comentários

  1. Marta Vasconcelos
    • Márcia

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