“Alegorias do Brasil” – série estreia nesta quinta-feira

Alegorias do Brasil é uma série em 13 capítulos que será veiculada no Canal Curta! a partir de quinta-feira dia 24 de Maio. Em seguida, toda quarta-feira, sempre às 23:30. O objetivo da série é revisitar criticamente alguns sintomas das formações de nossas singularidades, isto é, as representações que criamos sobre nós mesmo.

Mary del Priore e alguns dos melhores pensadores do país participam do programas para investigar de forma crítica, generosa e apaixonada as nossas alegorias.

Títulos dos programas e suas datas:

01 – IDENTIDADE E NATUREZA  Quinta-feira 24/Maio as 23:30 da noite.

02 – O VIRO DO IPIRANGA  Quinta-feira 31/Maio as 23:30 da noite.

03 – O ESTADO SOU EU  Quinta-feira 07/Junho as 23:30 da noite.

04 – CORDIALIDADE  Quinta-feira 14/Junho as 23:30 da noite.

05 – A QUERELA DO BRASIL  Quinta-feira 21/Junho as 23:30 da noite.

06 – SEM FÉ, SEM LEI, SEM REI  Quinta-feira 28/Junho as 23:30 da noite.

07- VIVIDOS DE AMOR  Quinta-feira 05/Julho as 23:30 da noite.

08 – ALEGRIA É A PROVA DOS 9  Quinta-feira 12/Julho as 23:30 da noite.

09 – MACUNAÍMA  Quinta-feira 19/Julho as 23:30 da noite.

10 – JEITINHO  Quinta-feira 26/Julho as 23:30 da noite.

11 – QUAL O PAÍS DO FUTEBOL?  Quinta-feira 02/Agosto as 23:30 da noite.

12 – SAUDADES DO FUTURO  Quinta-feira 09/Agosto as 23:30 da noite.

13 – CONCILIAÇÃO E CONFLITO  Quinta-feira 16/Agosto as 23:30 da noite.

Canal Curta!

Na NET canais 56 e 556

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As Sinopses dos 13 programas:

Programa 1 – Identidade e natureza

Neste primeiro capítulo, investigamos porquê no Brasil não vigora um símbolo forte e essencial de identidade, mas sim alegorias fragmentadas do que é o ser brasileiro. Em seguida, como esse sentimento de identificação dos brasileiros com seu país passa menos pela nossa história concreta e seus eventos políticos, do que pela imaginação, ou seja, pela natureza e pela cultura.

Programa 2 – O viro do Ipiranga

Com uma perspectiva histórica, o capítulo visita algumas das formações do Brasil e o modo como elas foram marcadas menos pelo planejamento racional e organizado do que pelo improviso e pela lógica da viração. Primeiro, os brasileiros tiveram que se virar pela falta de Estado. Depois, tiveram que se virar para driblar um Estado espoliador.

Programa 3 – O Estado sou eu

Luis XIV ficou famoso por ser o rei na França que afirmou: “o Estado sou eu”. Sua frase designava um poder monarca absoluto, mas no caso do Brasil aplicou-se nos processos de modernização do país, atendendo pelo nome de patrimonialismo. Aqui, o Estado, ao invés de público, serve para atender a interesses privados.

Programa 4 – Cordialidade

Sérgio Buarque de Holanda, nos anos 30, cunhou o conceito de cordialidade, que caracterizava as relações sociais brasileiras, inclusive com o poder, baseadas no coração, que ama e odeia, que gosta e desgosta. Relações de extrema pessoalidade. Isso teria impedido a formação do âmbito republicano da política, por um lado, mas mantido também uma humanidade que resiste ao processo tecnocrata da era moderna.

Programa 5 – A querela do Brasil

Retratada tantas vezes nas cores amenas da aquarela, a escravidão se constituiu, no entanto, a nada amena querela do Brasil. Talvez a principal chaga do país, tendo em vista que a sua abolição foi precária e inconclusa. O passado escravocrata e o racismo que o acompanhou – separando brancos como humanos e negros como não humanos – permanece ecoando no presente do país.

Programa 6 – Sem fé, sem lei, sem rei

O processo de colonização do Brasil deixou aos índios que habitavam o território as alternativas de morrer fisicamente ou simbolicamente. Mas, por outro lado, permitiu o intercurso entre a suas culturas e a europeia. Essa aculturação é notável nas representações que, desde Pero Vaz de Caminha até o Romantismo e o Modernismo, foram feitas dos índios e moldaram a imaginação sobre eles.

Programa 7 – Vívidos de amor

Entre as mais famosas alegorias do Brasil, está a da miscigenação, que remete ao papel desempenhado pela sexualidade na formação  do Brasil. A miscigenação ocorreu, mas não como por vezes se imaginou, ao criar o paradigma de democracia racial. Ela se deu, também, na base da violência, especialmente com mulheres negras e índias.

Programa 8 – Alegria é a prova dos nove

Livre das amarras coercitivas das leis rígidas da moral europeia, o povo do Brasil costuma se pensar mais aberto à alegria. Liga-se a ela o prazer experimentado no corpo, como no samba e no carnaval, que favoreceria uma existência solar nos trópicos. Ouça-se, porém, as suas letras, e repare-se quanta tristeza. Entre a alegria pulsional e a melancolia, o Brasil oscila afetivamente na sua formação.

Programa 9 – Macunaíma

Criado por Mário de Andrade, o personagem do romance Macunaíma tornou-se a grande alegoria modernista do Brasil. De um lado, é esperto e livre. De outro, mentiroso e malandro. Suas ambivalências são as do próprio brasileiro. O herói é sem caráter: não é nem bem e nem mal caráter. É aberto e plástico. Mas acaba morto. Será que hoje ainda há espaço para o malandro, que não obedece e nem afronta a lei, mas dribla a lei? Ainda somos macunaímicos?

Programa 10 – Jeitinho

O Brasil não é o único país onde as pessoas dão seu jeitinho, mas provavelmente é o único que se reconhece e se identifica por esse procedimento. O jeitinho é um elemento ambivalente da cultura: de um lado, é desprezo às regras e às leis; mas, de outro lado, é a alternativa criativa para superar o desamparo institucional. No Brasil, o jeitinho parece ser ao mesmo tempo nossa danação e nossa salvação.

Programa 11 – Qual o país do futebol?

O futebol não é só um esporte no Brasil, mas uma atividade cultural eleita várias vezes como espelho do país. Por isso, não exigimos apenas a vitória da seleção, e sim o futebol arte. Nele, estariam nossas virtudes e defeitos: criação e corrupção, invenção e malícia. Nossas vitórias espelham o que teríamos de melhor: Copa de 1970. Mas nossas derrotas expõem o que temos de pior: as Copas de 1950 e 2014.

Programa 12 – Saudades do futuro

O século XX no Brasil viu prosperar o espírito modernista que jogava suas esperanças no futuro. O progresso e o desenvolvimento eram as formas de efetivar a potência desse “país do futuro”. Nada simbolizou melhor tal projeto do que a capital Brasília. Hoje, contudo, vivemos a frustração desse projeto e nossa saudade, que é de um passado no qual se sonhava com o futuro.

Programa 13 – Conciliação e conflito

O Brasil não é um país de história pacífica como muitas vezes se acreditou. Pelo contrário, sua formação é cheia de revoltas, mesmo que não tenha passado por uma revolução. Por muito tempo, porém, a conciliação marcou um modo de lidar com as tensões sociais de um país desigual, que adiava o seu enfrentamento. Mas hoje parece que os conflitos assomaram e estão em aberto. O que virá daí?

 Alegorias do Brasil

"Moema", de Victor Meirelles (1866).

“Moema”, de Victor Meirelles (1866).

 

 

2 Comentários

  1. Acylino Queiroz 22 de julho de 2018
    • Maria 23 de julho de 2018

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