Livre do açoite da senzala e preso à miséria da favela

No Brasil, a escravização [africanas e africanos] amassou o barro que moldou todas as instituições, públicas e privadas, da sociedade. A barbárie escravista é o elo que liga as condições de vida e morte da população negra [preta e parda], do período em que vigia o “açoite da senzala”, no passado, ao da desigualdade abissal, no presente, na “miséria da favela”, morros, cortiços e periferias, locais em que essas vidas são incineradas.

Nessa argamassa de perversidades emergiu o estado nacional com dois vetores que legitimam o exercício da violência: o da coerção, contra os corpos negros e os “não normatizáveis”, que estimula as altas taxas de homicídios, e o da persuasão, que cristaliza as noções de meritocracia e supremacia da branquitude², rompendo laços de solidariedade com a população em condições de vulnerabilidade social.

O processo levou a uma concentração dos capitais econômico, cultural, social e político, com recorte étnico-racial, gênero e classes sociais, que congelou a população negra na base da estrutura social³.

A pauta principal do combate político do movimento negro moderno é o desmonte dessa máquina de destroçamento de corpos e sonhos, que rouba o passado, presente e o futuro de mulheres e homens afrodescendentes, em especial dos jovens⁴.

Assim, a adoção da política de reserva de vagas para a educação básica pública, pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) e, nessas condições, para autodeclarados pretos, pardos e indígenas, mostra-se hábil, como instrumentos de inclusão, experimentadas em outros países, para a mobilidade vertical da população negra, e a consubstancialização de direitos sociais para, um grande desafio no país, assegurar cotas para a maioria da população -diferenças substantivas em relação a maior parte das experiências mundiais- formada por pretos e pardos⁵.

Prof. Dr. Juarez Tadeu de Paula Xavier – Unesp/campus de Bauru-SP.

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Johann Moritz Rugendas: habitação dos negros

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  1. Mônica Ferreira
  2. Marco Aurélio Godoy

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