A Guerra do Paraguai – o início das hostilidades

O Brasil se envolveu em episódio sangrento que mais tarde se tornaria um dos motivos para a queda da Monarquia. Na Guerra do Paraguai (1864-1870), o Paraguai lutou conta a Tríplice Aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai. Segundo José Murilo de Carvalho foi uma guerra que o Brasil não queria, sobretudo por ser contra o inimigo errado e ao lado do aliado errado – a Argentina.

O Paraguai estava isolado do restante do continente. Francisco Solano Lopes decidiu conquistar terras na região da Bacia do Prata, para obter uma saída para o Oceano Atlântico. No dia 11 de novembro de 1864, os paraguaios apreenderam o navio brasileiro Marquês de Olinda, o que foi o estopim para a guerra. Em seguida, invadiram o Mato Grosso. A Argentina, ao contrário do que Lopes esperava, negou a permissão para as tropas paraguaias atravessarem a Província de Corrientes. Em 1865, Paraguai declarou guerra à Argentina e foi firmado o Tratado da Tríplice Aliança. O exército paraguaio era muito superior ao brasileiro, mais numeroso e bem treinado. As batalhas foram difíceis.

Em 1866, ficou decidido que os escravos brasileiros que lutassem na guerra seriam libertos. O Duque de Caxias assumiu o comando das tropas no mesmo ano, afastando-se em 1869, quando o Conde D’Eu, genro do Imperador, passou a ser  comandante. Os oficiais desprezaram a atuação do “francês” à frente do exército. Lopes foi assassinado pelas tropas brasileiras, pondo fim ao confronto.

Um dos resultados do conflito foi o endividamento do Brasil com a Inglaterra; outra consequência importante foi a organização do exército. Apesar de ter vencido a guerra, o Império ficou enfraquecido. A guerra foi longa e sangrenta demais: a empolgação patriótica do início esvaiu-se em um embate sem fim. O exército, agora fortalecido, não se contentaria mais em ficar em segundo plano na política nacional e não aceitaria mais as intervenções do governo imperial. Começava uma crise que iria culminar com a chegada da República…

O final da guerra do Paraguai anunciou várias rachaduras no dique dos conservadores. Na imprensa, não faltaram jornalistas que compararam o brilho dos festejos com a indiferença com que foram acolhidos “sem um viva, sem um foguete, sem um versinho, os desvalidos que voltaram trazendo em seus mutilados corpos”, as provas de sua dedicação à luta. Os oficiais queixavam-se de “ingratidão cruel” e esquecimento por parte do governo. Louvava-se o príncipe “protetor dos soldados”, o Conde d’Eu que promoveu a abolição dos escravos no Paraguai. A assistência aos militares feridos assim como ao fim da escravidão eram discutidos, sobretudo nos jornais liberais. A guerra, marcada por conflitos sangrentos e batalhas cruéis, não depusera, apenas, o dirigente do Paraguai. Destruiu o Estado e deixou um saldo elevadíssimo de perdas humanas: entre 800.000 e 1.300.000 pessoas. O acordo aliado era jocosamente chamado de “tríplice infâmia”.

-Márcia Pinna Raspanti/Mary del Priore.

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Representação da Guerra do Paraguai.

3 Comentários

  1. Waldir PiNot 15 de junho de 2015
  2. Windston Aquino 11 de novembro de 2014
  3. Messias de Morais Junior 11 de novembro de 2014

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