Dia de Reis: folclore e religião

Hoje é Dia de Reis. De acordo com a tradição católica, nesta data os três reis magos – Baltazar, proveniente da África; Gaspar, do Oriente; e Belchior, da Europa, visitaram Jesus e levaram os presentes para o recém-nascido. Em diversas partes do Brasil (e do mundo), a data é festejada com música, dança e quitutes especiais, como o bolo-rei. Os festejos vão do Natal até o sexto dia de janeiro.

Luís da Câmara Cascudo, no “Dicionário do Folclore Brasileiro”, informa que Reisado é a denominação erudita para os grupos que cantam e dançam na véspera e Dia de Reis – uma tradição que foi trazida pelos colonizadores portugueses. O Reisado é formado por um grupo de músicos, cantores e dançarinos que percorrem as ruas das cidades e até propriedades rurais, de porta em porta, anunciando a chegada do Messias, pedindo prendas e fazendo louvações aos donos das casas por onde passam.

A denominação de Reisado persiste ainda em Alagoas, Sergipe e Bahia. Em diversas outras regiões, o folguedo é chamado de Bumba-Meu-Boi, Boi de Reis, Boi-Bumbá ou Boi. Em São Paulo, é conhecido como Folia de Reis, onde a festa é composta de apresentações de grupos de músicos e cantores, todos com roupas coloridas, entoando versos sobre o nascimento de Jesus Cristo, liderados por um mestre. Fazem parte do espetáculo os “entremeios”, pequenas encenações dramáticas que são intercaladas com a execução de peças, embaixadas e batalhas. Os personagens são tipos humanos ou animais e seres fantásticos humanizados, cheios de energia e determinação.

Vejamos a descrição de Câmara Cascudo: “pode ser apenas a cantoria, como também uma série de pequeninos atos de encadeados ou não. Um Reisado que assisti em Maceió, Alagoas, em 1952, tinha vários motivos, lutas do rei com os fidalgos, até que era ferido, depois de prolongado duelo à espada, sempre solando e sendo respondido, em repetição e uníssono, por todo o grupo, espetaculosamente vestido e com coroas e chapéus estupefacientes, espelhos aljôfares, fitas, panos vistosos com areia brilhante, etc”. – Márcia Pinna Raspanti

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  1. Maria Amélia Barretto Peixoto 7 de janeiro de 2014

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