“Capítulos de geografia histórica de Fortaleza”

Este livro analisa as transformações do espaço urbano ocorridas principlamente a partir da metade do século XIX na cidade de Fortaleza – capital do estado do Ceará, no nordeste brasileiro – a partir do discurso médico-higienista. Estas transformações se inserem num contexto internacional de hegemonia do discurso médico que pregava a higienização e a sanitarização das cidades. Essas ideias tiveram papel fundamental no processo de formação e ordenação do espaço urbano em Fortaleza, mas também em muitas outras cidades do Brasil e do mundo. Para compreender e explicar a constelação de ideias e práticas foi preciso estudar o papel do médico na elaboração de uma nova forma de pensar a cidade a partir da higiene e da saúde e a aplicação e adaptação dos modelos de higienização e urbanização europeus – principalmente franceses – em Fortaleza, arrolando as ações reativas e preventivas do Estado durante as secas e as epidemias; as políticas de prevenção contra as doenças e as campanhas contra as epidemias.

A geografia histórica e cultural tem contribuído para compreender o papel das ideias e do impacto das mudanças de mentalidade para a geração de novas configurações territoriais e paisagens geográficas. A difusão de teorias médicas, de hábitos, de valores entre a população e os governantes teve efeitos significativos na ordenação das cidades brasileiras, em especial na cidade de Fortaleza. Ao longo do século XIX, as teorias médicas sobre a origem das doenças influenciaram normas e regulamentos de controle do comportamento da população e do espaço urbano. O discurso médico é um dispositivo organizador e disciplinador da sociedade e do espaço urbano. A cidade é representada como o principal foco produtor e disseminador de epidemias.

Os médicos elaboram normas disciplinadoras de edificações públicas (cemitérios, hospitais, matadouros…), traçados de ruas, parques e jardins, aterro de pântanos, canalização de riachos, construção de redes de água e esgoto, buscando manter a salubridade da cidade. Controlado o espaço público, o médico que alcança poder político na sociedade entra no espaço privado do cidadão, ditando regras de comportamento individual e familiar, e de uso de suas habitações, bem como de normas de construção. Tratados de Higiene Pública sugerem normas de construção, repercutindo nos Códigos de Posturas, legislações e nas práticas administrativas. Uma nova concepção de cidade emerge e um novo espaço urbano se estrutura com base no discurso médico neo-hipocrático dominante no século XIX.

“Capítulos de geografia histórica de Fortaleza”; publicado em ebook, disponivel na pagina da UFC.

C837c Costa, Maria Clélia Lustosa Costa. Capítulos de geografia histórica de Fortaleza / Maria Clélia Lustosa Costa -. Fortaleza: Imprensa Universitária, 2017.

www.repositorio.ufc.br/…/riufc/23281/1/2017_liv_mclcosta.pdf

Publicado em ebook, disponivel na pagina da UFC. LINK para download:

http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/23281
Repositório Institucional UFC – Universidade Federal do Ceará.

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