As filhas do Imperador: Isabel e Leopoldina

A 29 de julho de 1846, nascia Isabel Christina Leopoldina Augusta Michaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Orléans e Bragança. Era a segunda filha do Imperador D. Pedro II e da Imperatriz Teresa Cristina. Seu irmão, Afonso Pedro, herdeiro presuntivo do trono brasileiro morreria, em 1850. Isabel tornou-se assim Princesa Imperial. A perda do pequeno príncipe causou um abalo sem precedentes no regime monárquico. A irmã mais nova, Leopoldina, nasceu em 13 de julho de 1847. Esses eram tempos em que mulheres eram educadas para viver no espaço privado. Mantidas longe da política, sua inferioridade física e mental justificava que sua única atividade válida era a maternidade e os cuidados com a casa. Mas ocupar o espaço público? Nem pensar.

Esse desafio teve que ser enfrentado pelas jovens princesas. Daí seu pai ter se preocupado, e muito, com a educação que lhes foi dada. Sua aia, a Condessa de Barral, figura cosmopolita e que já tinha atuado em Cortes europeias, foi encarregada de proporcionar a melhor instrução possível. Línguas estrangeiras, conhecimentos de geografia e história, artes, desenho, música, astronomia, mineralogia, botânica, enfim, uma educação preciosa.

Com a entrada das princesas na puberdade, era preciso casá-las. Não sobravam candidatos, pois poucos príncipes de sangue europeu se interessavam por um império agrícola e ainda escravista. Referiam-se ao Brasil como “lá embaixo”. Para Isabel, cogitou-se de um primo, o Príncipe D. Luís de Portugal. Mas o sentimento de anti-lusitanismo era muito forte. Daí a escolha ter recaído sobre dois primos: Augusto de Saxe e Coburgo e Gastão de Orléans. Um noivo para Isabel e outro, para Leopoldina, sua irmã menor.  Há várias versões para e escolha do cônjuge. Os jovens teriam disputado as irmãs nas cartas? D. Pedro II teria escolhido os parceiros ou o coração das próprias jovens decidiram? Isabel e Gastão se casaram em 15 de outubro de 1864. Leopoldina e Augusto, em novembro do mesmo ano.

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Nos primeiros dez anos de casamento Isabel teve que enfrentar várias situações difíceis. O marido, recém-casado, foi lutar na guerra do Paraguai. Criada para ser mãe e dar herdeiros ao trono do Brasil, ela lutava contra uma aparente esterilidade. As críticas ao casal choviam nos jornais. Gastão não gozava de grande simpatia e era acusado pelos jornais republicanos de explorar o aluguel de cortiços. Em agosto de 1870, o Imperador partiu para uma viagem à Europa. Coube à filha assumir a regência e a assinatura da Lei do Ventre Livre, assinada em setembro de 1871. Os precedentes desta lei que libertava os filhos de escravas nascidos desta data em diante, existiram na Colômbia, Portugal e Caribe. As consequências? Por um lado, os fazendeiros escravistas espernearam. Por outro, a imprensa abolicionista encarregou-se de prestigiar a jovem Regente. Em 1875 nascia o primeiro filho do casal: Pedro. Em 1878, Luís e depois em 80, Antônio. Felicidade na vida privada e complicações, na pública. Teve então início a consolidação do partido republicano que não poupava a princesa ou seu consorte. Ela era acusada de simples emissária do marido – afinal, as mulheres eram feitas para obedecer às ordens masculinas – de ser muito religiosa e de pouco entender dos problemas políticos do país.

Leopoldina daria à luz ao neto preferido de D. Pedro II, o príncipe Pedro Augusto. Ela morreu precocemente, aos 23 anos, vítima da febre tifoide que assolava Viena, deixando seus quatro filhos órfãos. Os mais velhos (Pedro Augusto e Augusto Leopoldo) foram trazidos para o Brasil para serem educados pelo avô e só foram preteridos da linha de sucessão ao trono com o nascimento do primeiro filho de Isabel.

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A jovem princesa Isabel, em litografia de 1859.

 

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  1. Albanise Souza

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