Guerra ao feminismo: o ator pornô, o Oscar e a mídia

Tôi đã theo dõi tin tức về tình trạng phụ nữ quan tâm, đặc biệt là ở nước ta. Theo tờ Daily Mail của Anh, Brazil là điểm đến nguy hiểm thứ hai đối với phụ nữ đi du lịch, chỉ sau Ấn Độ. Tờ báo trích dẫn số lượng các vụ hãm hiếp không thể tin được (50.000 mỗi năm) và cơ chế của văn hóa chúng ta. Một vụ án khủng khiếp xảy ra ở Osasco, trong lễ hội Carnival, khi một bé gái 13 tuổi bị chín người đàn ông cưỡng hiếp, lại là một ví dụ đáng buồn khác của thực tế quốc gia.

Infelizmente, estupro é algo divertido na opinião de parte dos brasileiros. Um “ator” causou polêmica ao descrever na TV como forçou uma mulher a manter relações sexuais com ele e depois a largou, desmaiada, no chão. Como um objeto usado e descartado, um lixo, um refugo. O apresentador do programa (o mesmo que disse que mulher “feia” deveria agradecer ao estuprador) deu gargalhadas e a plateia também. Depois, ele disse que era ficção, apenas brincadeira. Desde quando aquela história horrível é engraçada??!! Ninguém se sentiu incomodado com tanto machismo e desrespeito a um ser humano??

Mas não para por aí. Foi bastante divulgado um recente estudo do BID que demonstrou que o Brasil apresenta um dos maiores níveis de disparidade salarial entre os sexos, sendo que os homens ganham aproximadamente 30% a mais que as mulheres de mesma idade e nível de instrução. Isso ocorre no mundo todo, em diferentes graus. Pois bem, isso não é “mimimi”, é um dado concreto e injusto. A revista de maior circulação nacional (Veja), entretanto, ridicularizou as atrizes que, na festa do Oscar, reivindicaram salários iguais para as mulheres e pediram aos jornalistas que lhes fizessem perguntas mais inteligentes do que a marca de seus vestidos e joias.

O conservadorismo da nossa mídia se sentiu incomodado com as estrelas que resolveram quebrar um pouco do protocolo e falar de temas que são importantes para as mulheres no mundo todo. Foi estratégia de marketing? Provavelmente, mas ninguém pode negar que elas tocaram em dois pontos fundamentais da atualidade: desvalorização da mulher no mercado de trabalho e a obsessão pela aparência feminina. Em vez de fomentar a discussão sobre esses assuntos, que são muito sérios, a revista preferiu fazer ironias bobas, desqualificando as atrizes. E quanto às nossas celebridades? Não está na hora de usar sua visibilidade para discutir a condição feminina em nosso país?

Mesmo com todos esses problemas concretos – violência, abuso sexual, disparidade salarial, desqualificação da capacidade intelectual da mulher – ainda existe muita gente que acredita que o feminismo é bobagem, que é coisa de mulher mal amada, desocupada. Quantos artigos são publicados reforçando esses estereótipos – e não estou falando de reacionários obscuros da internet, mas de filósofos, jornalistas e intelectuais que têm seu espaço garantido nos maiores veículos de comunicação do país.

A mulher ainda é retratada pela mídia como um objeto sexual. Quem foge dos padrões vigentes é ridicularizada. Sabemos que questões culturais são modificadas muito lentamente, mas podem ser mudadas. Cabe a nós, mulheres (e homens que acreditam em uma sociedade mais justa, igualitária e menos violenta), reagir e fazer pressão para que sejamos respeitadas. Um bom exemplo de como somos ouvidas quando nos mobilizamos foi a recente campanha da Skol, que foi retirada do ar e das ruas pela péssima repercussão junto ao público feminino.

No mês das mulheres, é bom não nos enganarmos com homenagens e flores (não tenho nada contra esse tipo de gentileza): a sociedade e a mídia ainda estão em guerra contra o feminismo e irão nos atacar sempre que reivindicarmos nossos direitos. Ao invés de deixar o “não” em casa, vamos dizer NÃO ao machismo, ao estupro, à violência, ao desrespeito.

– Márcia Pinna Raspanti.

ba_1887_almeida

“Arrufos”, de Belmiro de Almeida.

5 Comentários

  1. Evandro
  2. Gabi

Deixe uma resposta