Quando o Brasil virou de “ponta-cabeça”

           Além da Ditadura, os anos 60 em diante foram embalados por inúmeras mudanças no consumo, no lazer, na família, na vida privada. A sensação dos brasileiros, ou de grande parte dos brasileiros, era a de que faltava dar uns poucos passos para finalmente nos tornarmos uma nação moderna dizem os historiadores Fernando Novais e VER. O acesso ao Primeiro Mundo estava à vista! A sociedade tropical que éramos, combinava as conquistas materiais com a tradição da cordialidade, da criatividade, da tolerância. Era nesse retrato sorridente em que nos víamos. Cenário que, certamente, para muitos brasileiros foi suficiente para apoiar o governo militar. Depois dele, veio a redemocratização com José Sarney, as Diretas Já, a eleição e o impeachment de Fernando Collor de Mello, e sucessivamente um sociólogo, Fernando Henrique Cardoso, um operário, Luiz Inácio Lula da Silva e uma ex-guerrilheira, Dilma Roussef se alternaram na presidência.

               Nesses anos, explica Aarão Reis, o Brasil virou de ponta-cabeça. O país agrário tornou-se urbano. O arquipélago de cidades e regiões, ainda dispersas e fragmentadas interligou-se, integrou-se. Em boa medida, depois da criação de Brasília, mudou igualmente a correlação entre o interior e o litoral. A paisagem social transformou-se por meio de migrações maciças, o ingresso das mulheres no mercado de trabalho, do protagonismo cada vez maior de populações negras e pardas. Operou-se uma mutação demográfica, alterando-se de forma consistente, as taxas de nascimento e mortalidade, a proporção relativa de crianças, jovens, adultos e idosos. A economia mudou de patamar, dando um salto de qualidade. Constituiu-se uma base industrial integrada a uma agricultura moderna formada por unidades voltada para a exportação. No campo da educação e da cultura, estruturou-se um sistema de pós-graduação atualizado, aumentando de modo substancial a população matriculada nos vários níveis de ensino. Mudou, em consequência, o patamar do país na América Latina e no mundo. Na intimidade, porém, milhares de pessoas viam escoar milhares de dias, iguais, anódinos na aparência, mas que constituíam, no final das contas, uma vida. As suas.

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         Venho novamente pedir a colaboração dos leitores  do blog HistóriaHoje.com (https://historiahoje.com) para o último volume da tetralogia Histórias da gente brasileira. Estou em busca de relatos pessoais que mostrem como a população, em geral, vivenciou o período final da Ditadura Militar e a volta à democracia. Peço que os leitores contribuam e dividam suas histórias comigo. Para isso, é preciso responder três perguntas:

  1. O que significou para você e sua família o movimento das “Diretas Já”? Você participou? Foi para as ruas?
  2. O que representou para você e sua família a morte de Tancredo Neves? Luto, tristeza, indiferença…
  3. Você foi um “cara pintada” em favor do impeachment do Collor? Quais as suas lembranças a respeito do afastamento de Collor?

 

O texto deve ser encaminhado para o e-mail [email protected]. Algumas dessas narrativas (não todas, infelizmente) farão parte do meu livro. Faremos uma seleção e verificação dessas histórias.

  • Texto de Mary del Priore.

 

Imagem: Arquivo Nacional.

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