Professor: conte sua História – “CRIOGENIA” SALARIAL E O ESCÁRNIO DO PODER

Dando início ao espaço reservado ao “desabafo” dos educadores brasileiros, apresentamos a primeira narrativa, que vem de Leopoldina, em Minas Gerais. Infelizmente, um episódio que poderia ter sido apenas uma piada de mau gosto serviu para mostrar o descaso e a falta de respeito que são dispensados aos nossos professores. A princípio, iríamos publicar os textos apenas às sextas-feiras, mas devido à quantidade de depoimentos recebidos, resolvemos ampliar a divulgação. Agradecemos o apoio do ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, que estimulou os nossos mestres a se abrirem e trocarem experiências*. Confira o artigo de Warlley Botelho:

Que valor tem hoje um professor? Com o salário aviltante e sem o devido respeito por parte dos políticos, os mestres se transformaram em simples “quebra-galhos” para a sociedade. Nas escolas, além de ensinamentos acadêmicos e de cidadania, vão mais além. Em muitos casos, fazem o papel que a família devia fazer: o de “educar”. Não dizem que a Educação vem do berço? E quando a família está fragmentada? Muitos chegam como “pedras brutas” para serem “lapidadas” e “polidas” pelos professores.

E o “mimetismo” dos políticos? Vamos falar de nossa cidade. É fácil só reclamar dos políticos que estão lá em Brasília. Sim, “se cada um cuidar do seu quintal”…

Aqui em Leopoldina (MG) temos que cobrar do Executivo e Legislativo. São nossos representantes. São “funcionários do povo”. Os vereadores (todos) precisam se comprometer também com a causa da Educação. É uma questão global. Não podem ser coniventes com o descaso.

Recentemente, um episódio infeliz de uma funcionária da Secretaria de Educação de Leopoldina nas redes sociais causou indignação por parte dos professores. Devia ser uma indignação de toda a sociedade: ela postou um comentário jocoso em relação à principal reivindicação da categoria. Tal comentário, já foi excluído de seu perfil.  Uma metáfora mal feita que mencionava um absorvente de maracujá “para acalmar periquitas das professoras”, pois, “quem sabe elas não aceitariam um aumento menor”.

E os professores do sexo masculino minha senhora? Qual seria a “solução” para aceitarem “bovinamente” um aumento menor? Bom, vejamos se este infeliz comentário foi apenas um “descuido” numa rede em que muitos acham que podem escrever de tudo ou se é um pensamento da Secretária de Educação, no que diz respeito à valorização dos professores. Não quanto ao absorvente. Desta bobagem tenho certeza que ela não se ocuparia. Mas quanto à seriedade em tratar de assunto tão importante com a comissão, (reunida ao longo de um ano, sem avanços significativos) e agora prestes a um capítulo final na Câmara de Vereadores, este sim, ela devia se ocupar, principalmente quando nossa carreira está em suas mãos, literalmente. Numa canetada.

Quanto ao “mimetismo” dos políticos, citado no início, vamos lá. Educação é um tema muito bonito só em campanha eleitoral. Depois da posse… Como dizia Gustavo Capanema: “Todo político devia durar até a posse”.

warley

Texto publicado originalmente no site do Jornal Leopoldinense, no dia 04 março de 2015. Reprodução autorizada pelo autor.

*Mande também seu depoimento para o email: historia.hoje@bol.com.br . Caso você queira que seu nome não seja divulgado, nos avise. Participe!

One Response

  1. oscar silbiger 14 de Maio de 2015

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