Mary del Priore desconstrói o mito criado em torno do personagem em “As vidas de José Bonifácio” (Estação Brasil). A escritora e historiadora realizou uma ampla pesquisa sobre José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838). Segundo ela, “todo mundo embarca na ideia do ‘Patriarca da Independência’, mas quem inventa o título é ele mesmo, o José Bonifácio”.
“Primeiro, desconstrução não é destruição. Nos últimos dez anos, as biografias procuram não mais dar vitaminas, nem animar heróis. Elas buscam apontar homens de carne e osso, pessoas com problemas e dificuldades. E mostrar que personagens e suas histórias são modelados por seu tempo e não só por características pessoais — ou fica muito ao sabor da subjetividade”, comenta.
“Eu diria que José Bonifácio é uma figura pouco conhecida. Fala-se muito e conhece-se pouco. A trajetória dele foi morna. Longe de integrar essa constelação de estrelas, de fazer parte da Royal Society ou da Sociedade Filomática, que eram o máximo na área das ciências à época, ele passa muito ao largo de tudo. Vários biógrafos diziam que ele falava muitas línguas, mas, com exceção do inglês, era raso em outras. Enfim, não era esse luminar que a historiografia dos anos 1920 e 1930 procurava ecoar.”
No livro, exploro bastante o tema da construção da autoimagem. Em 1823, o José Bonifácio funda um jornal, “O Tamoyo”, e se autoentrevista. Ele se intitula o “Velho do Rocio”, e as perguntas todas são feitas no sentido de explicar por que foi destituído do ministério do Reino e dos Negócios Estrangeiros por D. Pedro I mesmo tendo lutado tanto pela Independência. Graças ao “Tamoyo” e a outro jornal, ele consegue construir essa imagem do “Patriarca da Independência”. Que é retomada em 1922, no centenário da Independência, e vai ser ratificada por historiadores do período.”
Confira a entrevista de Mary del Priore para “O Globo”: José Bonifácio não era esse luminar…
Olá,
estou curioso e vou comprar o livro, mas adianta ai, ele era maçon?
Bom dia, Régis. A maçonaria é um dos temas tratados no livro. Confira: A maçonaria e a independência
Ele era tão desiluminado como a escritora retrata no título que tem até monumento em homenagem ao mesmo nos EUA. Se ele fosse longe de ser quem era, então porque Dom Pedro 1 o trouxe de volta para o Brasil e fazer dele o tutor do seu filho Dom Pedro 2 ?
Eu comprei o livro em pré-venda. Agora, é só esperar a gráfica imprimir o livro, mandar para a livraria e está mandar para mim.
O livro é ótimo, Osvaldo. Boa leitura!