Uma escola sem partido?

Publicado em 9 de abril de 2016 por - artigos

Atualmente, existem projetos que querem instituir a “escola sem partido”no Brasil. Alguns grupos acreditam que nossas salas de aula se tornaram espaços de “doutrinação marxista” e “ideologia de gênero”, e querem que o professor se limite a passar os conteúdos “sem ideologias”. Isso nos leva a questões bastante profundas sobre uma suposta neutralidade na Educação, e também na História. E a respeito da própria definição de ideologia. Em outras palavras, a proposta vai muito além de proibir a propaganda de partidos políticos nas escolas e deve ser discutida com seriedade. Nosso blog gostaria de conhecer as opiniões de professores, pais e estudantes sobre o assunto.

Para iniciar o debate, segue o vídeo produzido pelo programa Contraponto da TV Comunitária de Belo Horizonte com Tatiana Ribeiro de Souza e José Luiz Quadros de Magalhães sobre o projeto de lei escola sem partido*. E você? O que pensa sobre o assunto?

*o vídeo não representa necessariamente a opinião do blog ou de suas organizadoras, mas ajuda a fundamentar a discussão por abordar diversos aspectos da proposta.

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20 Comentários

  1. Juliana disse:

    Faz um tempo que tenho acompanhado a mobilização em torno do Escola sem Partido e essa é a primeira vez que vejo alguém admitindo que o projeto, em si, levanta um debate importante (embora o faça por motivos puramente conservadores). Parabéns!
    No limite, me parece que o que a gente tá defendendo é o seguinte: que a escola é um bastião da defesa de valores como liberdades individuais, laicidade, diversidade e do estado democrático de direito. E que as famílias terão que aceitar a exposição dos seus filhos a essa “ideologia”, mesmo que elas não queiram.
    Será que algumas famílias brasileiras (especialmente religiosas) estão prontas a admitir isso? E será que o Estado está disposto a defender isto?

  2. carolyne do Monte disse:

    Não falar de algo é violentar as populações as quais o omitido se refere. Isso aconteceu e acontece com os negros, nativos, pobres, mulheres, homossexuais entre outras minorias. Até quando iremos nos calar e fingir que essas pessoas não existem e são humanas também??

  3. Antonio Paiva disse:

    Primeiro a LDB já garante liberdade de ensino e aprendizagem justamente para evitar dogmatização. Em segundo lugar, o papel do professor é ajudar na produção e construção do conhecimento, já que ele não pode apenas de limitar em transmitir o conhecimento porque assim ignora o fato do aluno também é portador do conhecimento. Assim o professor não é o dono da verdade dentro da sala de aula e é exatamente o que a “escola sem partido” quer que o professor seja.

  4. João Carlos disse:

    Acredito que a verdadeira doutrinação é aquela que VETA temas. Uma educação de história plural deve tratar de todos os temas pertinentes à existência humana. E isso inclui estudos de gênero, comparação entre as propostas de esquerda e direita para os problemas dos dias atuais, democracia e direitos humanos entre outros.

    O problema é que pessoas reacionárias acham que direitos humanos é uma questão de “partidos de esquerda” quando na verdade são uma proposta mundial levantada pela ONU depois dos horrores da Segunda Guerra. São questões urgentes em todo o mundo e ainda mais em países não desenvolvidos como o nosso.

    Eu fui completamente doutrinado em minha educação e não quero que isso se repita. Mas não foi uma doutrinação de esquerda e sim uma doutrinação católica! No qual os alunos não católicas tinham até medo de se manifestar assim. Existe uma doutrinação em curso nas escolas brasileiras e esta não é nada marxista.

    • Márcia disse:

      Sim, duas coisas são importantes quando pensamos nesse projeto: primeiro, a ideia equivocada de que é possível que haja professores, escolas ou textos “neutros”; segundo, de que ideologia é só de “esquerda”.

  5. Flávio disse:

    Não me surpreende esse projeto de cunho elitista. O povo sempre foi excluído de tudo, então, a palavra conscientização é um incômodo para quem sempre gozou de privilégios. Portanto, no menor sinal de rompimento desse sistema excludente, eles, os donos do poder, buscam refúgio na velha paronoia do comunismo, mediante aos “princípios” da moral que está ligada a religião cristã. O historiador britânico, Keith Jenkins, disse que a história está além dos métodos e provas, ela é ideológica. Isto é, é produzida de acordo com interpretação de quem escreve a história; o historiador. Eu não vejo como ensinar história, especialmente nas escolas de periferia, sem se posicionar, sobretudo estimular a criticidade dos alunos para que eles lutem pelo seu espaço nessa sociedade cada vez mais esquizofrênica. Afinal, “educar”, disse Paulo Freire, “é um ato político”.

    Flávio, professor de História, SP.

  6. Orides van der Maurer Jr. disse:

    Não debater temas relacionados à política e questões de gênero é o retorno aos Estudos Sociais da época da ditadura militar. Todos nós, historiadores, professores e demais cientistas sociais sabemos que não há neutralidade na ciência. Reduzir a disciplina Clio na decoreba de datas e fatos desconexos, sem historicização e sem senso crítico é o fim. Só os incautos defendem uma “escola sem partido”. Isso é fascismo.

  7. Eliana Belo disse:

    Para colaborar com o debate: registre-se que enquanto isso, o secretário da educação do estado de São Paulo, publica, no próprio site da Secretaria da Educação, artigo defendendo o liberalismo e atacando os programas sociais. Isso é neutralidade?
    http://www.redebrasilatual.com.br/blogs/blog-na-rede/2016/04/secretario-de-educacao-de-sao-paulo-usa-site-oficial-para-atacar-direitos-sociais-1557.html

    • Miriam Martinho disse:

      O fato do Secretário da Educação contestar o tamanho do estado brasileiro, não faz dele um liberal. De fato, esse senhor é um conservador, pois coloca, como alternativa ao enorme e incompetente estado brasileiro, a família, a Igreja, a escola (nos termos conservadores). Mas o que se esperar de um texto do Nassif que começa dizendo que o mercado concentra e o estado equilibra, quando é exatamente o contrário. O estado, em particular o brasileiro, concentra imenso poder econômico e militar, oriundo de nossos impostos, mas servindo-se da população em vez de servi-la. Quanto à escola sem partido, os conservadores querem que crianças e adolescentes só tenham acesso a ideias conservadoras e tentam censurar quem lhes oferece outras. É simplesmente isso.

  8. Celina disse:

    Sou professora e fui bombardeada por temas de um único viés ideológico durante toda minha formação. Isso não é informação, é dogmatização. Meu entendimento é que sou uma servidora do estado e fui designada para transmitir conhecimento. Me dedico ao conteúdo da disciplina e evito temas políticos. Quando é inevitável, procuro sempre oferecer os dois lados da questão, recomendar autores com opiniões opostas, para que o aluno tenha a oportunidade de chegar as suas próprias conclusões. Enfim, procuro colocar em pratica a dialética.

    • Márcia disse:

      Oi, Celina. E em relação ao projeto em si? Você acha que seria positivo para a Educação?

    • Vanessa Thiago disse:

      Celina, estou com você. Eu fui, e sou, bombardeada com Marx como se ele fosse a única salvação da lavoura. Minha filha saiu do ensino médio totalmente corrompida com um pensamento que não era o dela, visto que ela não teve na escola nunca um contraponto para mostrar os prós e contras do socialismo. E por mais que tentemos argumentar, agora ela só consegue repetir mantras de extrema esquerda sem conseguir explicar o porque é essa sua posição.

    • Olavo disse:

      A argumentação da Celina é perfeita.

    • Adriana disse:

      Celina, após sua formação vc se sentiu “formatada” pelas idéias com as quais te bombardearam?

  9. Camila Praxedes disse:

    Bom dia.

    Um ponto que acredito que é preciso debater é: “apenas o pensamento de esquerda é crítico”?

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