Um novo olhar sobre o Brasil Império

Publicado em 28 de outubro de 2016 por - dicas

No próximo mês, a historiadora Mary del Priore lança o segundo volume da série “Histórias da Gente Brasileira”, pela Editora LeYa. A obra irá abordar o Brasil imperial, passando por temas como a independência, o governo de D. Pedro II, a cultura do café, a libertação os escravos, os avanços da medicina, a chegada de novos produtos de consumo ao país, além das transformações na sexualidade e na afetividade, entre outros assuntos.

Confira, em primeira mão, um trecho do novo livro, que mostra um pouco da infância de D. Pedro II. E lembre-se de que, em breve, você poderá adquirir um exemplar por meio do nosso blog:

        Onde estava o Imperador nessa época? Ele era apenas um menino: “uma figura miudinha, empertigada, compenetrada, emproada” segundo seu futuro cunhado, o príncipe de Joinville de passagem pelo Rio de Janeiro, em 1838. Vivia cercado de camaristas e ministros. Enquanto o pai foi vivo, escrevia-lhe com devoção, “Meu querido Pai e meu Senhor”, falando de suas saudades e lamentando sua ausência: “não podia me consolar, nem posso…”. D. Pedro respondia, pedindo que lhe enviasse desenhos com vistas do Rio. Órfão de mãe tinha nove anos quando morreu o pai que o aconselhava a estudar: “que assim não sendo, desgraçado chefe, desgraçado povo!”. As brincadeiras do menino imperador? Fingir-se de padre no “casamento” da irmã, D. Francisca, jogar cartas e teatrinho. Trazia no rosto a palidez de mármore!

       Tinha “a testa muito alta e proeminente, olhos fundos, suas bochechas são gordas em baixo e vem se juntar ao maxilar inferior que se saliente sobre o outro”. Puxara a família austríaca de sua mãe, os poderosos Habsburgo. Espichado e triste, já possuía os modos de um homem de quarenta anos, comentou o príncipe francês.

       O Regente Araujo Lima costumava tirar o pequeno monarca da Quinta da Boa Vista para mostrá-lo ao povo sempre que possível. Retratos do Imperador eram enviados às províncias e às cidades, onde eram recebidos em meio à festas: uma maneira de estar presente, estando ausente. As leituras e os estudos eram seus únicos companheiros.

      Os primeiros anos do Segundo Reinado tinham sido marcados por profunda insegurança para o inexperiente jovem, como lembrou seu biógrafo, José Murilo de Carvalho. O imperador parecia infeliz, enfadado e silencioso, segundo o Conde Suzannet que o conheceu. Para governar, recorria a um resquício absolutista enxertado na Constituição liberal de 1824: o poder moderador. Ele dava ao chefe de Estado o poder de nomear e demitir livremente seus ministros o que lhe permitia promover um rodízio entre políticos liberais e conservadores.

     A declaração da Maioridade de D. Pedro II, também referida como Golpe da Maioridade, ocorreu em 23 de julho de 1840 com o apoio do Partido Liberal, e encerrou o período regencial brasileiro. Os liberais agitaram o povo, que pressionou o Senado a declarar o jovem maior de idade antes de completar 15 anos. Esse ato teve como principal objetivo a transferência de poder para que o imperador, embora inexperiente, pusesse fim a disputas políticas que abalavam o Brasil. Nesse dia festivo, estudantes invadiram o palácio da Quinta da Boavista, para felicitá-lo. Acreditava-se que sua figura deteria as revoltas em curso. Como disse um seu biografo, Pedro Calmon, “foi como um pé de vento rebentando pelos corredores, levando o calor do povo!”.

  • Trecho de “Histórias da Gente Brasileira: Império vol.2”, de Mary del Priore (Editora LeYa), com lançamento previsto para o próximo mês.

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Dom Pedro II, óleo sobre tela, aos 12 anos.

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