Um dândi brasileiro em Paris

Publicado em 10 de fevereiro de 2014 por - História do Brasil

Alberto Santos Dumont (1873 – 1932) fez sua fama como o pai da aviação e também como um refinado homem de sociedade, um dândi. Uma de suas marcas registradas era o chapéu-panamá, um ótimo acessório para enfrentar os dias ensolarados.

Com a herança deixada pelo pai, Henrique Dumont, Santos Dumont pôde construir balões e aviões, e também teve condições de preocupar-se em se vestir com esmero, sendo um assíduo frequentador das festas e eventos sociais da alta sociedade parisiense. Ousado, participava de corridas de automóveis e vivia cercado por amigos e admiradores. O inventor estava sempre impecavelmente trajado, mesmo quando trabalhava com motores ou madeira. Seu guarda-roupa era formado por ternos riscas-de-giz, camisas de colarinho alto e engomado, sapatos com salto (artifícios para parecer mais alto) e chapéu com a aba abaixada. O seu estilo era um exemplo perfeito do que estava em voga na Belle Époque, na capital francesa.

O brasileiro ajudou ainda na criação de um acessório que se tornaria popular até os dias de hoje. Conta-se que em uma recepção no restaurante Maxim’s, em 1904, comentou com o amigo Louis Cartier que, em pleno voo, era difícil pegar o relógio para cronometrar o tempo. Cartier mandou fazer um protótipo que pudesse ser usado no pulso e o batizou de “modelo Santos”. O apetrecho não foi, entretanto, uma inovação absoluta do inventor, já que algumas mulheres já usavam o relógio no pulso, mas sem sentido prático, apenas como se fosse uma joia.

Provavelmente, o acessório de moda que mais nos faz lembrar Santos Dumont é o chapéu-panamá, que teve seu apogeu no início do século passado. O artigo era produzido no Equador, mas acredita-se que recebeu este nome porque o presidente estadunidense Theodore Roosevelt usou-o durante uma visita ao Canal do Panamá, em 1906. Os panamás originais eram tecidos com palha muito fina (Carludovica palmata), colhida e remetida para centros de tecelagem. O processo de fabricação é composto por uma série de etapas e última delas é a colocação da fita preta ao redor da copa. Santos Dumont usava o seu desabado e de lado, sendo um dos pioneiros a circular por Paris com o modelo. Muitas outras personalidades aderiram à moda do chapéu-panamá, como Winston Churchill, Harry Truman, Humphrey Bogart, Clark Gable e até Michael Jackson. No Brasil, foi preferência de figuras tão diversas quanto Getúlio Vargas e Tom Jobim, tornando-se um dos símbolos da malandragem no Rio de Janeiro.

Apesar do nosso mais famoso dândi ter conseguido fama e reconhecimento, Alberto Santos Dumont suicidou-se em 23 de julho de 1932, no banheiro do Grand Hôtel de La Plage, no Guarujá, litoral paulista. Há controvérsias sobre o material utilizado como corda: o cinto do roupão ou uma gravata. Tinha apenas 59 anos e acredita-se que sofria de depressão crônica. – Márcia Pinna Raspanti

s.dumont

 

 

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2 Comentários

  1. Luiz Alberto Pandini disse:

    Para quem for a Guarujá: o carro fúnebre que levou o corpo de Santos Dumont (ou Santos=Dumont, como ele assinava) fica em exposição permanente em uma das principais avenidas da cidade.

  2. Parece que será eterna a discussão sobre a invenção do avião. Dumont ou os irmãos Wright?
    Pelo que li sobre o brasileiro, vejo que ele criava suas “engenhocas” tão somente para entreter-se, sem nenhum interesse comercial. Ou seja, não lhe interessava ser visto como “inventor”.
    Ótimo artigo.

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