Turbantes, moda e racismo

Publicado em 28 de janeiro de 2015 por - História

         Os turbantes estão na moda, assim como a tendência chamada “étnica”. Tenho visto muitas mulheres, de diferentes idades, fazendo uso desse acessório. Observei também que existe certa polêmica quanto a ele: andei pesquisando e descobri que algumas pessoas acham que usar turbante é uma forma de racismo, já que o adereço possui significado religioso para algumas culturas. O turbante seria ainda um dos símbolos da luta do movimento negro e seria um desrespeito vesti-lo por puro modismo. Vamos, então, à História, que sempre nos ajuda nesses momentos.

         Não se sabe exatamente a origem do turbante, que pode ter surgido no Oriente ou na África. Encontrei referências ao uso do acessório no livro “História Ilustrada do Vestuário”, organizado por Melissa Leventon, em diferentes épocas e por diversas etnias. Persas, anatólios, lídios, árabes, argelinos, judeus, tunisianos aparecem com turbantes, utilizados de várias maneiras, bem antes da era cristã. Na Índia, o turbante também foi amplamente usado através dos séculos. O interessante é que entre os povos antigos, o adereço era predominantemente exibido por homens.

        Os significados eram muitos: podiam indicar a origem, tribo ou casta da pessoa, identificar a religião (como o Ojá africano) ou a posição social. O comércio tratou de estabelecer as relações entre Oriente e Ocidente, facilitando as trocas de costumes e culturas. A Europa também aderiu ao turbante, primeiramente entre marinheiros e navegadores. Mas, há referências ao uso de turbantes como item de moda pelas mulheres francesas já no século XVIII. Feito com grande quantidade de tecidos leves arranjados cuidadosamente na cabeça das damas, o turbante foi sucesso até meados do próximo século.

      No Brasil, o adereço chegou pelas mãos dos africanos que eram trazidos como escravos. As mucamas usavam saias, blusas leves e soltas, panos e xales nas costas e turbantes nas cabeças. O chapéu de feltro escuro e de abas largas também era comum. Os tecidos podiam ser coloridos, e algumas andavam de chinelas. Os cabelos eram muito curtos ou raspados. Não gosto de usar o termo “moda” para designar a indumentária dos cativos, pois, sabemos que havia uma série de restrições legais e econômicas que limitavam as suas escolhas.

      Por volta de 1910-20, o costureiro francês Paul Poiret trouxe os turbantes de volta ao cenário fashion. Coco Chanel também iria aderir ao adereço.  A moda, porém, realmente se popularizou no final dos anos 30, com a eclosão da II Guerra Mundial. Em tempos difíceis, os práticos turbantes se tornaram uma ótima ajuda para disfarçar cabelos mal cuidados. Muitas atrizes de Hollywood apareceram retratadas com glamorosos turbantes nos anos 20 a 40. No Brasil, Carmen Miranda iria adotar o acessório no seu figurino. Nos anos 60, o turbante ressurgiu como símbolo da cultura negra, nos movimentos que lutavam pelos direitos civis.

        E hoje? Tenho visto mulheres que adotam o adereço por achar prático ou bonito, mas também grupos de mulheres negras que utilizam como elemento de afirmação cultural. Há ainda o uso ligado à religião. Será que realmente existe esse componente racista na moda dos turbantes? É possível definir que teria direito a usá-los? Acho que não. Como vimos, eles foram apropriados pelas mais diferentes culturas em épocas distintas, e provavelmente vão continuar a fazer a cabeça das mulheres e talvez, até dos homens. É a lógica da moda…

  • texto de Márcia Pinna Raspanti.

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Turbantes: Marlene Dietrich e outras atrizes de Hollywood; escravos no Brasil (Rugendas).

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54 Comentários

  1. Flavia Vidal Magalhães disse:

    Em uma pesquisa no google sobre a origem dos Turbantes encontro este texto. Me desculpem a sinceridade mas o texto, mesmo que não seja esta a intenção, contribui para que as pessoas tenham uma visão reducionista de uma questão complexa. Reduz a questão a quem teria direito ou não ao uso do turbante. Não é só isso ou, pelo menos, não é isso o que mais importa na discussão. Tenho certeza que as autoras sabem da complexidade de termos como Apropriação Cultural e Racismo e a especificidade disto no Brasil. Entendo que, provavelmente, a intenção do texto não é uma discussão complexa do assunto. Entretanto, lamento muito que acabe contribuindo para reforçar uma visão rasa de problemas complexos.

    • Márcia disse:

      Oi, Flávia. Como foi dito claramente no texto, não tenho a pretensão de dizer que pode ou não usar turbantes. O artigo é baseado em uma pesquisa sobre o uso do acessório em diferentes culturas e épocas, com diferentes significados culturais, sociais e religiosos. O texto mostra exatamente a complexidade do conceito de apropriação cultural. Não vejo como uma pesquisa histórica possa contribuir com uma “visão rasa” da questão, pelo contrário.

      • Flavia disse:

        Falar da historia do turbante como acessório sem abordar a questão do seu uso inserido na complexidade das relações étnico raciais brasileira contribui para uma visão rasa sim porque, como disse, reduz o uso do turbante a questão da moda e ignora a complexidade do seu uso por mulheres negras num país marcado pelo racismo estrutural. Qualquer artigo que não toque nestas questões ao falar do uso de turbantes no nosso contexto é reducionista e não contribui para um debate sério sobre o tema.

        • Márcia disse:

          O artigo é sobre a história do turbante e seus diferentes usos em diferentes culturas. Desde quando fornecer embasamento histórico a uma discussão é torná-la rasa?? Enfim, acredito que contribui bastante para o debate ou não teria escrito o texto. Muita gente que tem posições formadas sobre o uso do turbante desconhece sua história, seus usos e significados. Acho a sua posição, me desculpe a sinceridade, extremamente autoritária: meu artigo só seria bom se abordasse o que você considera adequado?

    • DANIELA disse:

      Amei o texto

  2. Sandra disse:

    Adorei o texto.
    Até compartilhei na minha página @SP Sandra padilha.
    Uso e vendo turbantes… Adoro…..

  3. raquel disse:

    o tema voltou a ser atual… sabiam que muitas culturas árabes utilizam turbantes até hoje… e aí, vai dizer que eles roubaram? sabia que se uma pessoa usar algo, não significa que outra possa usar? para isso aprendemos a comer pizza, a usar roupas, vestir jeans, utilizamos o algarismo arábico etc etc etc.

  4. Zeneida Silva disse:

    Nunca levei em consideração essas diferenças raciais quanto ao uso de turbante e outros acessórios. Gosto de usá-lo porque realça meus olhos.Foi uma aula e tanto.

  5. Vi disse:

    Palhaçada,não me surpreendo por uma pessoa branca tentar negar e inventar uma história nada haver com a cultura negra.
    E outra que os turbantes não surgiram com os europeus e nem nada,isso por si já é um exemplo de apropriação cultural,uma tradição que eles roubaram e usufruíram para si,como “propriedade” deles.

    • Márcia disse:

      Em nenhum momento afirmei que os turbantes surgiram com os europeus. O texto apenas procura mostrar as origens do acessório e seus diferentes significados em diferentes culturas. Obrigada!

    • Pri disse:

      É possível encontrar registros de figuras trajando este item na Grécia Antiga (1 100 a.C. até 146 a.C.), e Roma Antiga (Século VIII a.C), passando pelos Vikings e continuando sua história ora mais ora menos popularizado. Um grupo não pode restringir seu uso!!

    • edu disse:

      se tudo que o branco usar e negro tambem usar for racismo ou vice versa ,seu mundo esta perdido ,Basil um pais multi-cultural seja feliz.

  6. João disse:

    É sempre interessante ver que alguns brasileiros se consideram donos da cultura – ou de parte da cultura – de todos os brasileiros.
    Isso é um pouco recorrente nas pessoas que se apresentam como ativistas raciais.
    Elas se intitulam donas/proprietárias das manifestações culturais provenientes da África séculos atrás, a ponto de usarem a expressão “apropriação cultural”. É um fenômeno curioso, isso.
    Fico pensando se Mãe Menininha do Gantois achava que Vinicius de Moraes era um apropriador cultural, por ser devoto do Candomblé. Vinicius, “ao menos”, era brasileiro. E Pierre Verger, então, que aderiu ao Candomblé no Benin, e chegou a ser um babalaô, teria sido ele um apropriador cultural? Poderia ele ser chamado de racista por estar ornado como babalaô (http://arte1.band.uol.com.br/os-encantos-do-candomble/)?
    Considero o ativismo racial uma escolha equivocada num país mestiço e miscigenado como o Brasil.
    Nada aqui exclui mais do que a pobreza. Quem diz que o pobre branco vive melhor do que o pobre negro, precisa ir à Maré para ver que isso não é verdade. Precisa ir à Rocinha para ver que as pessoas caminham lado a lado sem ver cor da pele.
    Mas, compreendo o ativista. O mesmo espaço na mídia que ele encontra com essas irreais polêmicas serve, ao final, para desacreditar seus propósitos.
    Mas leiam o artigo seguinte e percebam que a cor da pele explica menos sobre ancestralidade do que se possa imaginar.

    http://www.bbc.com/portuguese/reporterbbc/story/2007/05/070424_dna_neguinho_cg.shtml

  7. Nilda Costa disse:

    Considero a utilização do turbante por pessoas brancas dentro do mesmo contexto dos cocares indígenas nos EUA. Muitas mulheres passaram a usar em determinadas ocasiões, como nos shows de rock e festas. Você pode ver isso como uma homenagem, um gesto de apoio a causa indígena, uma modinha, seja como for, os índios não aprovavam, porque o cocar tem um grande significado para as tribos e aquilo era uma banalização de um símbolo deles.

    • Márcia disse:

      O turbante, como procurei mostrar no texto, tem muitos significados e está presente em diversas civilizações. Acho importante que, aproveitando a “modinha”, se destaque o seu significado para as culturas africanas, bem como para as outras. O que, na minha opinião é complicado, é querer definir quem pode ou não usar o acessório. O mundo da moda é assim: absorve símbolos culturais e religiosos e transforma em mercadoria. Nos anos 80, houve grande alarde quando alguns símbolos cristãos, especialmente católicos, como cruzes, imagens de santos, anjos, por exemplo, viraram moda. A cantora Madonna chocou muita gente com seus crucifixos e terços usados de forma pagã. Enfim, a polêmica pode ser uma boa oportunidade para pesquisarmos e aprendermos mais. Obrigada!
      Sobre o uso profano de símbolos sagrados:
      http://historiahoje.com/provocacao-deboche-ou-protesto-o-uso-profano-dos-simbolos-sagrados/

    • Maria Lucia Daflon disse:

      Acho que tanto os índios como os negros fazem algumas restrições quanto ao uso de símbolos sacrados, mas não exatamente se sentem ofendidos toda vez que alguém usa um “acessório” de moda étnica. Como afirmar que eles não gostam se muitas vezes os próprios indígenas os vende?

  8. Rodrigo Alves disse:

    Ótimo texto!
    Sou negro e não me incomodo quando vejo uma pessoa branca usando turbante. Só acho triste quando uma branca é considerada fashion e a negra macumbeira. O mesmo vale para quem usa dreads. Um branco de dread é estilo, enquanto o negro é visto com sujo, desleixado e coisas do tipo! O problema não é usar, é como algumas pessoas o percebem.

    • Nina disse:

      Exatamente como penso, Rodrigo!
      Jamais eu usaria um turbante (sou ‘branca’…) como forma de desrespeito… racismo, então, sequer entendo como poderia ser…
      Usaria por estética – e, se fosse uma forma de afirmação negra – como se pretende – teria mais gosto ainda de usar: como apoio, mesmo! Não entendo como pode alguém que quer contribuir para chamar a atenção para questões deste tipo e apoiar uma causa possa ser ‘visto’ como racista??!! Sinceramente: acho que pouca gente está entendendo esse confronto…
      =(
      Mas também acho a #VaiTerBrancaDeTurb… (etc) completamente desnecessária… =( =( =(
      Isso, sim, parece (a meu ver) ofensivo… contribui para um confronto, em vez de contribuir para o diálogo… Triste… por ambos extremos… =(

    • edu disse:

      desculpa mas dread ,n~ao se sabe sua origem ,a mumias encontradas em Peru 800ac com dread e te garanto que nao tinha afrodescendentes la , eo mesmo aos turbantes eu vejo todos os dias na maiori sao arabes , minha familia noroeste africa usa turbantes e dread

  9. Jubs disse:

    Ótimo texto!!!!!

  10. alex disse:

    Não podemos afirmar que os negros querem impedir o uso do turbante quando uma ou duas pessoas negras expressam as suas opiniões. O brasileiro tem que parar de alimentar a discórdia e passar a refletir antes de agir.

  11. VITOR disse:

    Se eles querem tanto retirar acessórios que falam ser da cultura dos negros, dos africanos, então vamos deixá-los somente com coisas da cultura negra, africana e retirar o resto, como tipos de roupas, sapatos, eletroeletrônicos, eletrodomésticos, comidas, bebidas, livros, e tudo que não for de origem africana. Será que aceitam????

    • Márcia disse:

      Não se trata disso, Vitor. Algumas pessoas acreditam que, como o acessório tem significado religioso e se tornou um símbolo do ativismo negro, seria desrespeitoso utilizá-lo como adereço de moda, por pessoas com pouca familiaridade com a cultura africana. O que procurei mostrar no meu texto é que o turbante estava presente em diversas culturas antigas, sendo muito difícil determinar sua origem, o que dificulta muito a argumentação de apropriação cultural. Além disso, com o intercâmbio cultural promovido pelas grandes navegações, o acessório influenciou a moda europeia já naquela época. Obrigada!

  12. Érica disse:

    Gostei muito do texto, sofro preconceito por gostar de usar.

  13. João disse:

    Adorei o texto, estou fazendo uma pesquisa sobre a origem do turbante, pois uma amiga minha sofreu preconceito por ela ser branca e ir pra escola de turbante,eu estou fazendo uma pesquisa, saber mas afundo sobre o turbante, adorei o texto….

  14. Joana disse:

    Muitas pessoas nao sabem, mas o turbante chegou no brasil pq muitas mulheres portuguesas sofriam com o excesso de piolhos devido a falta de higiene dos navios,entao, o pessoal associou isso como a ultima moda da europa

  15. Andressa disse:

    Ao contrário do que se pensa, os turbantes não chegaram ao Brasil nos navios negrereiros. Eles chegaram junto com os primeiros invasores europeus, no ano de 1 500.

    Não existe uma história acerca das origens do turbante. Existem várias. E todas elas são igualmente importantes.

    Convido todas e todos a lerem uma breve pesquisa feita por mim sobre uma, das muitas histórias sobre as origens dos turbantes.
    O surgimento do turbante no continente europeu.

    https://www.facebook.com/andressa.fourquet/media_set?set=a.1065314793489015.1073741869.100000315134950&type=3&pnref=story

    • marcia disse:

      Andressa, como está dito no texto, os turbantes já eram conhecidos na Europa quando os portugueses aqui chegaram. Mas os escravos vindos da África popularizaram o uso dos turbantes – não encontrei referências de que fosse um adereço especialmente popular entre os colonos portugueses. Como você mesma disse, e está claro no meu pequeno artigo, não há como precisar uma única origem do turbante, já que ele esteve (e está) presente em várias culturas.

      • Andressa disse:

        Mas se formos por essa linha, temos que pensar que também não existem registros de navios negreiros chegando com escravizados usando turbantes.
        O que sabe é, que usavam turbantes quando já estavam no Brasil. O que abre a hipótese de o turbante, em terras brasileiras, ser uma exigência – e não uma tolerância – por parte dos colonizadores, funcionando como parte do “uniforme”.

        O único registro que encontrei de pessoas negras usando turbantes em navios negreiros, foi de 1882. E eles não eram escravizados.

        Era um pequeno grupo, num canto e em pé, com roupas longas em meio a tantos escravizados semi nús. Nesse grupo tinha também um senhor negro com barba branca. O que sabe-se que não era o perfil de pessoas sequestradas para a escravidão.
        Como essa diferença chamou-me a atenção, descobri pesquisando, que este pequeno grupo que se destacava era de ex-escravizados, que quando libertos, trabalhavam para os colonizadores na organização dos escravizados que chegavam ao Brasil.

        • Andressa disse:

          O perfil era de jovens, incluindo crianças. E não de pessoas idosas.

        • marcia disse:

          Sim, Andressa, mas é sabido que o turbante já era usado na África, e que tinha, inclusive, significados religiosos. O fato de não haver representações do seu uso nos navios negreiros não invalida essa informação (você está dizendo que não se usava o adereço na África, é isso?). Assim como, o fato de não ser popular entre os colonos portugueses, não significa que era desconhecido na Europa – longe disso. Acho um pouco arriscado falarmos em “uniforme” nesse contexto, mas entendo que você está utilizando a palavra de maneira figurada. Obrigada pelas suas observações.

          • Andressa disse:

            De jeto nenhum estou dizendo que nao era usado na África. Existem registros muito antigos de turbantes usados na África.

            A hipótese do turbante ser uma exigência dos colonizadores nas terras que recebiam as pessoas escravizadas, na verdade nao foi levantada por mim, mas sim por historiadores africanos.

            O que eles ressaltam são as modificaçoes que os turbantes receberam após as invasões européias.
            Antes eles não eram usados por todos os povos africanos (a África é enorme) e quando usados, nem sempre eram de tecido (tirando os muçulmanos). A maioria era de turbantes majestosos, adornados com pedrarias, conchas, etc.

            Após as invasões européias e muçulmanas na África, os turbantes tornaram-se iguais e simplificados.

  16. Camila Fernandes disse:

    Achei o texto bastante interessante e esclarecedor. Porém, uma única frase dele (p)resume a importância do acessório como símbolo da resistência negra e da apropriação cultural em solo brasileiro:

    “No Brasil, o adereço chegou pelas mãos dos africanos que eram trazidos como escravos.”

  17. Graciela disse:

    Eu amei!!! Minha filha foi ofendida esse dias por ser branca e estar de lenço!! Adorei!! Estou compartilhando

  18. rebeca disse:

    Texto esclarecedor e sem enrolação.

  19. Gabriela disse:

    O uso do turbante por pessoas brancas tem levantado uma discussão sobre apropriação cultural (e sus consequências). A questão não é determinar quem pode ou não pode usar, nem apontar o ato como racismo, é o que isso representa com base em nossa história, em que várias vezes elementos da cultura africana foram descaracterizados para que tivessem maior aceitação social. E sim, o acessório não é exclusividade afro, mas pense como alguém que passou a vida inteira usando seu turbante como símbolo de resistência e afirmação vê-lo aceito como belo simplesmente porque passou por um processo de “clareamento”.
    Claro que a moda já fez isso várias vezes e vai continuar fazendo, mas há que se ter atenção.
    Neste texto há uma análise interessante sobre o assunto: http://blogueirasnegras.org/2013/11/27/tirem-maos-simbolos-luta/

    • marcia disse:

      Oi, Gabriela. O meu artigo tem por objetivo mostrar que o uso do turbante tem muitos significados e usos ao longo da História. Não há como saber de onde ele é originário, visto que as culturas se entrelaçam desde o mundo antigo. A moda incorporou o turbante desde o século XVIII, como um acessório usado pelas mulheres de elite. No início do século XX, Paul Poiret, com uma inspiração oriental, trouxe o adereço de volta às cabeças femininas. Não quero dizer, de forma alguma, que o turbante não pode ser usado como símbolo de afirmação da cultura africana, apenas acho importante que as pessoas conheçam melhor a história, inclusive para fortalecer seus argumentos. Já havia lido o texto que você indicou e acho que a autora não está simplesmente criticando o uso do turbante pelas mulheres “não negras” (mesmo porque isso é difícil de determinar), mas está incomodada pelo fato de algumas pessoas quererem se apropriar do seu significado para os defensores da cultura afro. (veja bem, não do objeto em si, que poder ter milhares de leituras, mas do que ele representa para um determinado grupo). Obrigada.

      • Lúcia Leiro disse:

        Excelente resposta.

      • Paula disse:

        Perfeitamente!
        A primeira vez que vi uma mulher usar turbante foi quando criança e ela era branca, mulher do meu tio, que era negro.
        Depois via em revistas mulheres brancas tb usando, depois vi as baianas negras, , e uma das lembranças mais marcantes e que virou moda foi a personagem Viúva Porcina da novela Roque Santeiro.
        Portanto usa quem quer, E quem gosta, pois o uso do turbante ja se tornou universal.

      • gloria correia disse:

        Importante reflexão! Pesquiso também sobre a temática e que reflexões aqui levantadas sejam respeitadas por nós todas. É extremamente relevante o significado que este componente de traje como prefiro denominar tem para o movimento negro aqui no Brasil, mas devemos olhar para todos os aspectos históricos , cuturais e étnicos em relação ao seu uso e significados para cada grupo.

    • daianarcanjo disse:

      é, branco defendendo branco. Seus estudos devem ter sido pela metade para não compreender a importância!

  20. Márcia disse:

    Excelente texto vale s informação, sempre!

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