“Sou mulher e odeio o feminismo. Será que tem cura?”

Publicado em 15 de agosto de 2015 por - Feminismo

Ontem, encontrei uma antiga colega de escola, com quem tenho mantido algum contato pelo Facebook. Conversa vai, conversa vem, e ela me disse ser leitora desse blog. Então, me fez a seguinte pergunta: “Você fala tanto de violência contra a mulher. E a violência contra o homem? Você não se importa??”. Bom, logo percebi para onde iria parar a conversa. Respondi que existem vários tipos de violência e que todas devem ser combatidas, mas que falar de forma generalizada é bem menos eficiente do que focar em determinadas frentes. E que é inegável que existe uma violência de gênero, ou seja, que mulheres são agredidas por serem mulheres. Lembremos que essa semana houve um caso horrível de uma moça mutilada pelo “companheiro”. A resposta foi uma risadinha irônica e a frase lacônica: “Vocês feministas…”.

O fato me fez pensar nas inúmeras mulheres que se orgulham de renegar o feminismo. Muitas engrossam o coro masculino de que as feministas são “mal amadas, chatas e mimadas, afinal querem privilégios”. Invariavelmente, essas anti-feministas recebem o apoio masculino. “Essa é mulher de verdade, sem frescuras. E gosta de homens de verdade”. Esse tipo de postura talvez esteja ligada ao fato de que muitas brasileiras não conseguem se enxergar “fora da órbita do homem.O que ela quer é continuar sendo uma presa desejada”, como avalia Mary del Priore. Pode ser que isso seja parte da busca feminina por aprovação, não sei.

Ou talvez elas não queiram se associar à imagem negativa que os movimentos feministas têm até os dias de hoje. Na virada do século XIX e nas primeiras décadas do século passado, as feministas sofriam um preconceito terrível. Na Inglaterra e nos Estados Unidos, as sufragistas foram violentamente reprimidas. E no Brasil, não foi diferente: “Nas primeiras décadas da República, o celibato associava-se ao feminismo. E este, à feiura e masculinização. No entender da imprensa da época, quem não era agraciada com beleza física suficiente para se casar vingava-se aderindo aos movimentos de emancipação”, conta Mary del Priore.

O movimento feminista hoje está bastante fragmentado. Há setores identificados com questões específicas, como racismo, transexualidade, trabalho doméstico, assédio, etc. Existem também aquelas que pregam o fim dos gêneros, pois, a feminilidade seria algo construído e prejudicial à mulher. Enfim, são diversas correntes e ninguém precisa estar de acordo com todas elas. O feminismo nos permite que encontremos nossos próprios caminhos. Podemos discordar ou concordar com as teorias existentes. Mas generalizar e atacar todas feministas, como se todas pensassem da mesma forma, não me parece muito inteligente.

Costumo perguntar para as anti-feministas: você concorda que as mulheres devem ganhar menos que os homens, apenas pelo seu gênero (independente dos méritos profissionais)? Você acha que as mulheres devem ser vistas somente como objeto sexual? Você acredita que a mulher é fraca e insegura por natureza? Você acha que lugar de mulher é dentro de casa? Se a pessoa responder “não” a essas perguntas, ela é feminista, mesmo sem querer ou saber. Então, é bom parar de menosprezar as suas próprias ideias por puro preconceito ou necessidade de aprovação.E é importante lembrar que ser feminista não significa ser ativista.

Agora, caso a resposta seja “sim”, infelizmente, serei obrigada a dizer que a pessoa tem sérios problemas. Desqualificar a si mesma por ter nascido mulher me parece absurdo e doentio. Até hoje, não conheci pessoalmente nenhuma mulher que pense dessa forma, mas pode ser que elas existam. A dúvida é: será que tem cura?

– Texto de Márcia Pinna Raspanti.

mulher-chorando-1944

“Mulher chorando”, de Cândido Portinari.

 

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24 Comentários

  1. Luiz Guilherme Prats disse:

    Boa noite. O movimento feminista é amplo e diversificado, sem dúvida. Há ainda posições moderadas e radicais sobre diversos temas. No entanto, por experiência própria de vida, que sempre será limitada e subjetiva, nunca conheci uma feminista que não fosse fortemente inclinada ao rancor pelos homens. Conhço algumas que são misândricas até. É característica comum, eu diria, o antagonismo ao Homem entre as feministas. Pode ser moderado ou não, mas está lá. Elas não se movem por amor ou simpatia ao gênero humano ou à Humanidade. As falas sempre têm direto ou velado ataque aos homens, principalmente ao Homem ocidental e cristão. Trabalho mesmo com uma que é completamente misândricas. Fala da violência do homem contra a mulher, mas não aceita que o contrário exista ou seja significativo.
    Já há dados na internet que apontam que, para cada duas mulheres vítimas de violência no ambiente doméstico, há um homem vítima também de sua parceira em casa. Salvo engano, Portugal é um dos países que começou a levantar estes dados. No Brasil, onze homens morrem para cada mulher. É só olhar os dados do DATASUS e do Mapa da Violência (muito embora este último, por conta do viés ideológico, tente camuflar os dados impossibilitando comparações). Então, como assim ” a violência contra a mulher é a demonstração de que a ela é a que mais sofre em nossa sociedade?”. Para que criar lei específica contra o chamado “feminicídio.” A violência é contra todos.

    • Márcia disse:

      Bom dia. Infelizmente, há um grande preconceito contra o movimento feminista, que persiste desde o século XIX. Há mulheres misândricas, como há homens misóginos, como há homofóbicos dos dois gêneros, como há todo tipo de discriminação. Discordo que sempre haja rancor das feministas com relação aos homens, não se pode generalizar. É preciso entender que quando falamos de cultura machista ou misógina ou mesmo de cultura do estupro, não estamos combatendo os homens, mas a mentalidade da nossa sociedade. Essas heranças culturais estão em todos nós, inclusive nas mentes femininas. Precisamos transformar a sociedade em um ambiente mais justo e igualitário. Isso é o feminismo. Podem haver distorções e radicalismos? Sim, como em qualquer movimento, mas devemos nos apegar às ideias e não às pessoas, porque essas sempre podem falhar. A lei do feminicídio é importante para combater um tipo de crime específico, com características bem definidas, mas que em um passado não tão distante era plenamente aceito. Você já deve ter ouvido falar em homicídio ou crime pela “defesa da honra”, não é? Isso ocorria quando um marido/companheiro matava ou agredia uma mulher por causa de uma traição (real ou imaginária), e a História nos conta que o assassino não era punido, pois a Justiça aceitava a ideia de “defesa da honra” – apenas para os homens, pois quando mulheres assassinavam seus maridos por ciúme eram punidas severamente. Pois bem, hoje tal concepção mudou, e a lei é uma forma de deixar isso claro. Não se trata de dizer que a mulher é “quem mais sofre na sociedade”, mas de sinalizar uma mudança de rumos na concepção de Justiça no país. A lei tem a sua razão de ser. A violência é contra todos, sem dúvida, e há leis específicas para diversas situações, não apenas no caso de feminicídio.

      • Sandro disse:

        Quanta besteira, sexista, feminista, vitimista, oportunista … engraçadas, quase tudo no dia-a-dia atual, beneficia a mulher. Quando solteiro hoje em dia o homem é depravado, mulherengo, safado, a mulher está exercendo os seu direitos. Na separação de um casal, onde todos os bens são divididos de forma igualitária (tá bom!), onde o filho sempre fica com o pai (piada),onde pensão alimentícia de R$ 3000,00 é o mínimo que ele devia pagar e se não pagar porque não tem emprego ou passar por dificuldade é problema dele (quem mandou enfiar o pauzinho em qualquer lugar) onde a família fica do lado do marido (só se for pra chamar de safado e enfiar uma faca no peito do cara), a mulher é uma santa, sempre esteve presente, se traiu foi por amor (ele não ligava pra ela), já ele era um safado porque sempre teve em casa e sempre foi respeitado (não precisava procurar fora), ele nunca ajuda em casa (coitada ela faz jornada tripla (sério que isso ainda cola?).Os homens estão morrendo que nem moscas ou estão presos (por atrasar a pensão, por assédio, por revidar agressão feminina, por ter sido estupido de acreditar que a mulher linda que ele paquerou queria transar e mudou de idéia no outro dia, porque percebeu que ele não era o Gianechini e ficou com nojinho denunciou e sua palavra é a que vale (mesmo sendo uma puta mentira) e vc vem falar de lei de assédio, cultura do estupro e femicídio?! Presta atenção sou contra violência e acho que essas leis exclusivas e sexistas, são uma palhaçada, as leis contra cada um desses crimes já existiam (lesão corporal, estupro, homicídio… só precisavam serem aplicadas de forma correta e não displicente. A lei maria da penha é sem dúvida a maior palhaçada já comemorada pela sociedade. Nela todos os babacas, tentam ganhar pontos com as mulheres falando bem dela (cuidado trouxas), homens de bem são o maior alvo dessa lei (não tem direito de revide, as palavras delas são suficientes para acabar com pedido de guarda de seus filhos, que quase sempre ficam com elas, porém pode ser pior, é só chegar na delegacia e dizer que foi ameaçada de morte pelo companheiro babaca ou marido, que o coitado vai ver o mundo dele acabar sem ao menos ser ouvido, detalhe nem vai precisar de testemunha, fácil nem vai precisar de falar que foi agredida e ter que fazer corpo de delito. Estupro essa palavra e muito distorcida, primeiro que se ela quiser é sexo, mas se ela mudar de ideia depois de gozar é estupro, vai no batidão com o mano de ak 47 na mão, onde só tem mano da melhor qualidade (agora irão me chamar de preconceituoso!), falando que vai dar e acontecer, acorda no outro dia sendo enrabada, até gosta, mas não gosta dos caras chamando de arrombada, mesmo assim cuti o fim da balada e levada em casa, más o efeito da droga passa começa ficar tristinha e depois que o vídeo circula na internet fica bravinha vem falar que tava drogada e foi estuprada (fácil mudou de ideia, assim!). Os caras são no máximo idiotas e praticaram crime de internet por postar fotos/video da vagaba sem o consentimento, só isso… ai vc falar que isso! é estupro que machista, tá vendo a cultura do estupro! Ninguém quer ser estuprado (não foi essa a ideia!) Olha se fosse condições parecida ela no batidão em bailes que não tem o cara com um rifle de assalto na mão cheio de traficante, um lugar entre aspas com um mínimo de decência e com uma mulher de bem, que foi pra lá se divertir e não provocar este tipo de coisa, e aparece um criminoso e estuprasse a força ou drogasse a vitima para estupra-la com ela inconsciente ou não (tanto faz é uma violência, também posso ser pai de uma mulher um dia, e não só por isso mas porque deve ser a pior coisa do mundo) isto sim é estupro tem a ver com a atidude ( e a minha vontade não conta?) más o fato é que assim como você dirigindo um carro bêbedo(a), assumi o risco de matar alguém em caso de acidente, também o faz com suas atitudes (lugar+objetivo+vontade+comportamento), porra sério que não pensa? se vc sai de casa e tem dois caminhos um que vc sabe que é seguro e outro que está tendo um conflito armado e mesmo assim decidi por vontade própria e capricho (pois o outro levaria no mesmo lugar, no mesmo tempo, nas mesmas condições, paisagens e qualquer outra idiotice que queiram inventar, menos o perigo) e acaba levando um tiro na cara, e depois quer pagar de vítima, tudo bem que mal gosto e/ou burrice não é crime más pqp. O que me incomoda e ver que tudo é motivo para chamar de machistas e outras coisas que adoram chamar, mas não prestar atenção ao seu redor e querer que todos concordem com afirmações ridículas, que são mitos ou já não existem mais, como por exemplo os homens ganham mais de 30% que as mulheres (mentira pesquisas atuais mostram que não passam de 7%, exigências idiota e infundadas que existe machismo na politica (o que existe é um monte de mulher imbecil- existem poucas com propostas decentes e sim eu sei que existem muitos e muitos homens na politica piores ainda- que não tem propostas muito diferente de castração geral de cidadãos brasileiro com o motivo mentiroso e diabólico (não me lembro de outro adjetivo que me dê mais nojo) com a desculpa de que todo homem é um estuprado em potencial (inclusive os pais de todas as mulheres que pensam assim) sou um homem de bem e não aguento mais ser caçado, criminalizado e ridicularizado, por uma cultura que é covarde que manipula, se auto vitimiza, engana, modifica a realidade através da mídia e do dito politicamente correto. Desde pequenos assistimos novelas incentivando as meninas virarem a mão na cara dos meninos porque fizeram ou disseram algo que de forma alguma forma contrariou a vontade delas, e que não justificam essa violência, nas mesma novelas os homens sendo ridicularizados enquanto as mulheres são endeusadas, tem tanta palhaçada que dava pra escrever mais por umas duas horas detonando esse mimimi, de que eu cresci assim e agora eu quero tudo pra mim, quer saber vai trabalhar de verdade!, mostra que é melhor para ganhar mais então, escolhe um compahairo se quiser em outros lugares, para de reclamar e vai cuidar da sua vida deus te deu a sua vida pra que vc cuide dela e não da dos outros mesmo vc sendo contra o Patriarcado, eita Lilith, só de pensar que ali começou a primeira chata, que por um motivo imbecil acabou sendo expulsa. Chega vai estudar melhor os seus pontos de vista, seja mais imparcial, e se vc quer mechamr de machista, vindo de vc é um elogio!

        • Márcia disse:

          Caro Sandro, não sei de onde vem tanto rancor. Não quero convencer ninguém de nada, não estou reclamando, mas fazendo uma análise sob o meu ponto de vista. Você não sabe nada da minha vida pessoal, então, por favor, peço que você faça suas críticas com educação e evite os ataques a quem você sequer conhece. A crítica é sempre bem-vida, desde que haja respeito pela opinião alheia. Não vou dizer que você é machista, não o conheço, porém, seu texto denota uma profunda raiva e desprezo pelo gênero feminino. Talvez um apoio psicológico possa ajudá-lo a lidar com essas questões, pois este espaço é dedicado à História do Brasil, não creio que seja adequado para esse tipo de discussão.

  2. Beli disse:

    Eu nao gosto do feminismo e sou mulher. E me sinto orgulhosa em dizer que não sou feminista. Acho ridiculo esse movimento atualmente, que antes já teve sua importância e ponto. Não me sinto representada por ele. Deixem de querer doutrinar todas as mulheres com seus discursinhos de captação. Eu to fora dessa bobagem.

    • Márcia disse:

      Ninguém quer doutrinar ninguém. Mas temos direito de expressar nossa opinião nesse espaço, como você tem de expressar a sua. O leitor pode concordar ou discordar, esse blog foi criado para ser um terreno de discussões. Agora, ofender e desqualificar as ideias alheias, chamando-as de “discursinhos de captação(?)” ou de “bobagens” não é uma postura muito democrática e mostra falta de argumentos.

  3. Felipe disse:

    Desculpe a minha ignorância mas quais são os critérios usados para saber quando uma “mulher é agredida especificamente por ser mulher?”

  4. Delgado disse:

    Quer dizer que vc acha que homens não sofrem violência pelo fato de serem homens? Que isso é uma exclusividade das mulheres?

    Em alguns casos certos homens ganham mais que mulheres, assim como existe o contrário.

    • Márcia disse:

      Não, não disse que os homens não sofrem violência. Na verdade, inicio o texto dizendo que há inúmeras formas de violência, mas que estaríamos abordando questões específicas às mulheres. Podem existir casos em que homens ganhem menos que as mulheres – exercendo a mesma função? Acredito que sim, não é impossível, mas são exceções. Minha opinião é embasada em diversos estudos, sendo o mais recente realizado pelo Banco Mundial.

  5. O Pirata disse:

    Não sou machista. Por causa disso devo ser feminista? Sou homem, então não posso ser feminista? Ser ou não ser?Afinal, inteligência é algo que deve ser categorizado ou é apenas inteligência? Vivemos num mundo fragmentado e parece que esta fragmentação causa mais fragmentação, ou seja, reforça a desunião. Como a autora do texto fala, até o feminismo se fragmentou, assim como ocorreu com diversas religiões e outras ideologias. Cada qual buscando seu interesse e fazendo da sociedade algo cada vez mais complexo e caótico. O ser humano é uma entidade impassível de se compreender um ao outro? Por que não podemos caminhar juntos, derrubando as fronteiras que nos separam? Afinal, onde há amor, há união e, por isso, simplicidade e harmonia. Entretanto, vejo que a própria fragmentação causa desarmonia e desunião. Não sou a favor de que mulheres ganhem mais ou menos, ou que fiquem em casa para cuidar dos maridos. Não trato mulheres como objeto, apesar de ter atração biológica por elas. Mas isso faz parte da natureza, como meio de manutenção da espécie, apesar de que o grande crescimento populacional nos faz questionar se realmente precisamos de mais descendentes. Enfim, não vejo que futuramente destruiremos a fragmentação, pelo contrário, estamos cada vez mais reforçando-a. O que é realmente importante é aprender a respeitar uns aos outros, amar o próximo como a si mesmo. Ademais, o amor não é algo ideológico, é algo que brota quando não há qualquer senso de divisão entre seres humanos.

  6. Anna Santos disse:

    Mulheres unidas, jamais serão vencidas!Querida Márcia, amo seus textos!Bjs

    • marcia disse:

      Obrigada, Anna! Fico muito feliz. Bjs.

    • O Pirata disse:

      Seres humanos unidos, transcenderão todos os preconceitos e discórdias, não somente entre sexos, mas entre etnias, nações e ideologias. Mas pelo slogan que você prega, reforçando o separatismo, acho difícil isso acontecer um dia. Enquanto isso, continuamos destruindo uns aos outros. Uma pena!

      • marcia disse:

        Acho que você não compreendeu bem o texto. Falo exatamente da necessidade de uma ação coletiva na busca de relacionamentos mais igualitários. O feminismo não é uma guerra contra os homens, muito pelo contrário, sem um esforço de todos não haverá avanço. Infelizmente, muitas pessoas, inclusive mulheres, têm uma visão distorcida do que é feminismo. No texto, quero mostrar que muitos que se dizem antifeministas, na verdade são feministas, mas não gostam de admitir por preconceito ao termo.

        • O Pirata disse:

          Você precisa ser feminista para querer igualdade entre os seres humanos?

          • marcia disse:

            Ninguém precisa se dizer feminista, na verdade, ninguém “precisa” fazer nada. O que estou dizendo é que, atualmente, quando a gente se diz feminista, escuta uma série de opiniões preconceituosas e distorcidas. E o feminismo, na essência, busca apenas a igualdade de oportunidades, independente do gênero. Então, se você acredita nisso, você é feminista, querendo ou não. Outra coisa: ser feminista não significa ser ativista, são coisas muito diferentes.

  7. Vanessa disse:

    Olá, Márcia. Como comentei em outra postagem, gosto muito dos seus textos, sobretudo quando vêm com temáticas feministas. Então, por conta disso, te faço uma pergunta: você provavelmente deve ter visto internet afora o trailer do filme Suffragettes. Quando o filme estrear, você acha interessante fazer uma abordagem aqui no blog? Adoraria ver o que você teria a considerar acerca desta adaptação cinematográfica de um momento tão caro à história das mulheres.

    • marcia disse:

      Oi, Vanessa. Muito obrigada pelo apoio! Sim, vi o trailer e não vejo a hora de estrear no Brasil. Com certeza, será um ótimo tema para um post. Um abraço.

      • Vanessa disse:

        Imagina, não precisa agradecer pelo apoio! Textos de qualidade sempre agregam bastante apoio, não é mesmo? Sobre o filme, eu vi que irá estrear internacionalmente em outubro, espero que a data para o lançamento por aqui seja a mesma. Fico no aguardo das suas considerações então! Até lá, continuo acompanhando os posts. Abraços!

  8. celina disse:

    Concordo plenamente com sua amiga. Essa história de feminismo é puramente fake. O verdadeiro feminismo aconteceu a partir dos anos 20 e se consolidou na década de 1960, sobretudo, graças a pílula anticoncepcional, o verdadeiro fator libertador das mulheres. Quanto aos homens ganharem mais que as mulheres, essa hipótese nem sempre se sustenta. Veja no funcionalismo público, por exemplo, os salários estão dentro de um teto independente do gênero. Mesmo a iniciativa privada, quando abre vagas, já dispõe de um valor determinado para pagamento, antes de saber se os contratados serão homens e mulheres. Em toda minha vida profissional, que já é um tanto longa, nunca vi esse tipo de discriminação. É muito discurso e pouca realidade. Hoje as mulheres são bem mais decididas e estão em grande vantagem em relação aos homens. Basta olhar ao redor.

    • Valéria disse:

      Concordo com o que você falou: ” Quanto aos homens ganharem mais do que as mulheres, essa hipótese NEM SEMPRE se sustenta”, todavia, ela AINDA EXISTE. E você concorda com isso, apenas pelo fato de não sofrer tanto essas consequências?!!! Basta olhar ao redor para percebemos que a mulher é tratada como um srr frágil nas coisas mais simples do cotidiano. Se você acompanha o blog, deve ter visto a última postagem, absurda, por sinal.

      • celina disse:

        Na minha categoria, docência, não há diferença entre os salários. Entretanto, é fato que em alguns setores homens ganham mais que as mulheres, mas se observar verá que em sua maioria são aqueles que permitem a negociação de valores. Nesse caso, poderia se concluir que os homens conseguem vender melhor seu trabalho e conquistar melhor posição, que por si não cabe críticas, mas serve para apontar um novo desafio para as mulheres que certamente com objetividade alcançarão.

    • marcia disse:

      De acordo com pesquisa recente do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento): “Apesar de ter mais anos de estudo que os homens, as mulheres ainda estão concentradas em ocupações com salários mais baixos, tais como educação, saúde e setor de serviços. Ao comparar homens e mulheres da mesma idade e do mesmo nível educacional, os homens ganham 17% a mais do que as mulheres na América Latina”. Outro dado importante: Segundo dados do 8º Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado em novembro do ano passado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou mais de 50 mil estupros no período de um ano! E cerca de 35% das vítimas não relatam o ocorrido, portanto, o número real deve ser bem superior. Os casos de assassinato, mutilação, violência de todos os tipos praticados por maridos, “companheiros”, namorados, amantes, por motivos como ciúme e rejeição, são notícia todos dias. Dizer que tais questões não são importantes ou dizer que lutar para reduzir esses índices é algo “fake” me parece até desrespeitoso com as vítimas. Basta observar a realidade com menos preconceito e sair de nosso mundinho protegido para entender a gravidade da situação.

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