Sexo e Poder

Publicado em 29 de outubro de 2013 por - História do Brasil

Se, no passado, ocupar-se da sexualidade dos reis não era considerado subversivo, e as amantes saudadas como troféus que provavam a  virilidade do soberano, tudo mudou depois da revolução Francesa. A sexualidade se tornou uma metáfora política na moda. Os pasquins ou a literatura serviam para fazer acusações e cobriam as paredes da cidade. Uma amante passou a ser prova de fraqueza. e não de vigor. Um rei que, à maneira dos sultões orientais, se deixava dominar pelas paixões, levava à ruína do país. Ruína visível na situação de abandono da própria corte. O preço de alimentos básicos da população pobre e dos escravos, como a farinha de mandioca e o charque, dobraram em poucos anos. Os gastos com a iluminação noturna, embutidos no orçamento nacional depois da independência, iam mal das pernas. O tifo e a varíola provocando mortandades em meio a sujeira da cidade! O imperador dava o mau exemplo: sem a menor cerimônia, aliviava-se em praça pública e, certa vez, estando no balcão do palácio imperial, urinou em cima de um pobre mercenário alemão que montava guarda na parte externa. Quanto ao caso de D. Pedro I com a Marquesa de Santos, não havia dúvidas: o imperador se desmoralizava.

Tempo de desejos contidos e frustrados, o século XIX abriu-se com um suspiro romântico e se fechou com o higienismo de confessores e médicos. Século hipócrita que reprimiu o sexo, mas foi por ele obcecado. Vigiava a nudez, mas olhava pelos buracos da fechadura. Vigiava os casais, mas liberava os bordéis. A burguesia emergente, nas grandes capitais, somada aos senhores de terras e entre eles a aristocracia rural, distinguia dois tipos de mulher: a respeitável, feita para o casamento, que não se amava forçosamente, mas em quem se fazia filhos. E a prostituta, com quem tudo era permitido. – Mary del Priore.

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