Sapatos: das antigas chopines ao salto plataforma

Publicado em 21 de outubro de 2015 por - História

Em dias de Fashion Week, quando se fala muito de modas e tendências, vamos conhecer um pouco da história dos sapatos, que há séculos são verdadeiros símbolos de riqueza e status

     A guilda de sapateiros foi uma das primeiras a surgir na Inglaterra, sendo que seu primeiro regulamento data de 1272. Seu nome, The Guild Cordwainers, era uma corruptela de Córdoba, região da Espanha que produzia o melhor couro da época. Os calçados de bico fino e comprido estiveram na moda no final do século XIV. É importante destacar que os sapatos feitos de couro, para proteger os pés da lama e da neve, eram exclusividade dos mais ricos. Com o tempo, começou-se a usar também lã, o que os tornou mais acessíveis aos menos abastados.

No século XVI, principalmente no reinado de Henrique VIII (1509-1547), a aristocracia aderiu ao luxo e ao exagero na indumentária. O estilo dos sapatos mudara: os mais ricos chegavam a usar sapatos com solados de 17 centímetros de largura, em contraste com os bicos finos e longos do passado. Seda, veludo e brocados davam o tom de refinamento. As mulheres seguiam o estilo masculino nos pés, elas ainda não tinham uma moda exclusiva nesse aspecto. Maria Tudor (1553-58) teria mandado confeccionar modelos especialmente para ela, iniciando assim um novo hábito: slippers de veludo (que voltaram recentemente à moda), botinas para cavalgar, e sapatos de seda e veludo, com solado vermelho, para ocasiões formais.

   As chopines eram sapatos bastante extravagantes que foram moda entre a nobreza do século XVII: na verdade foram as ancestrais dos nossos queridos sapatos de saltos plataforma, que hoje acrescentam alguns centímetros às mulheres com relativo conforto. Mas, no século XVII, as chopines estava longe de serem confortáveis. Eram feitas de madeira e forradas com tecidos como seda e veludo (às vezes, couro), quase sempre abertas nos calcanhares. As damas, porém, exageravam na altura e há exemplares com 50 centímetros de altura, que são exibidos como peças de museu.

    A austera Rainha Elizabeth (1558-1603) usou o modelo em determinados períodos de seu longo reinado – parece que a soberana seguiu vários modismos enquanto governou os ingleses. A moda dos sapatos variava bastante entre os nobres, que gostavam de aderir às novidades. As chopines, que não possuíam o design anatômico, nem eram feitas com os materiais tecnológicos de hoje. Por isso, as damas das mais altas classes mal se mexiam e andavam menos ainda.

elizabethRainha Elizabeth: plataformas (chopines) altíssimas.

      No Brasil, os nossos nobres imitavam as modas europeias, principalmente as francesas e inglesas. Os mais abastados usavam sapatos bordados e de salto, com fivelas de ouro e prata. Meias de seda coloridas complementavam o visual. Botas e botinas de couro, com esporas de prata, também eram comuns entre os fazendeiros. Os mais pobres se contentavam com alpercatas, sandálias ou botinas grosseiras.Os escravos andavam descalços ou, mais raramente, com chinelas. – Texto de Márcia Pinna Raspanti.

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Debret: senhoras com sapatos delicados; escravas descalças.

 

Dois modelos de chopines (fins do século XVI), cobertos com tecidos adamascados.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

“Shoes”, de Lucy Pratt & Linda Wooley, uma publicação do Victoria & Albert Museum (V&A Publishing), Londres.

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