Santos Dumont: moda e aviação

Publicado em 23 de julho de 2014 por - História do Brasil

Homenagem ao pai da aviação- há 82 anos ele cometia suicídio.

Alberto Santos Dumont (1873 – 1932)  foi um refinado homem de sociedade. Com a herança deixada pelo pai, Henrique Dumont, ele pôde construir balões e aviões, e também teve condições de preocupar-se em se vestir com esmero, sendo um assíduo frequentador das festas e eventos sociais parisienses. Ousado, participava de corridas de automóveis e vivia cercado por amigos e admiradores. O inventor estava sempre impecavelmente trajado, mesmo quando trabalhava com motores ou madeira. Seu guarda-roupa era formado por ternos riscas-de-giz, camisas de colarinho alto e engomado, sapatos com salto (artifícios para parecer mais alto) e chapéu com a aba abaixada. O estilo de Santos Dumont era um exemplo perfeito do que estava em voga na Belle Époque, na capital francesa.

O brasileiro ajudou ainda na criação de um acessório que se tornaria popular até os dias de hoje. Conta-se que em uma recepção no restaurante Maxim’s, em 1904, comentou com o amigo Louis Cartier que, em pleno vôo, era difícil pegar o relógio para cronometrar o tempo. Cartier mandou fazer um protótipo que pudesse ser usado no pulso e o batizou de “modelo Santos”. O apetrecho não foi, entretanto, uma inovação absoluta do inventor, já que algumas mulheres já usavam o relógio no pulso, mas sem sentido prático, apenas como se fosse uma joia.

 Provavelmente, o acessório de moda que mais nos faz lembrar Santos Dumont é o chapéu-panamá, que teve seu apogeu no início do século passado. O artigo era produzido no Equador, mas acredita-se que recebeu este nome porque o presidente estadunidense Theodore Roosevelt usou-o durante uma visita ao Canal do Panamá, em 1906. Os panamás originais eram tecidos com palha muito fina (Carludovica palmata), colhida e remetida para centros de tecelagem. O processo de fabricação é composto por uma série de etapas e última delas é a colocação da fita preta ao redor da copa. Santos Dumont usava o seu desabado e de lado, sendo um dos pioneiros a circular por Paris com o modelo. Muitas outras personalidades aderiram à moda do chapéu-panamá, como Winston Churchill, Harry Truman, Humphrey Bogart, Clark Gable e até Michael Jackson. No Brasil, foi preferência de figuras tão diversas quanto Getúlio Vargas e Tom Jobim, tornando-se um dos símbolos da malandragem no Rio de Janeiro.

Apesar do nosso mais famoso dândi ter conseguido fama e reconhecimento, Alberto Santos Dumont suicidou-se em 23 de julho de 1932, no banheiro do Grand Hôtel de La Plage, no Guarujá, litoral paulista. Há controvérsias sobre o material utilizado como corda: o cinto do roupão ou uma gravata. Tinha apenas 59 anos e acredita-se que sofria de depressão crônica.- Márcia Pinna Raspanti.

s.dumont

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