ROSE O’NEILL E O PIONEIRISMO DAS MULHERES NOS QUADRINHOS

Publicado em 8 de maio de 2015 por - História

Por Natania Nogueira.

bust view as a younger woman

Figura 01 – Retrato de Rose O’Neill cartunista e defensora dos direitos da mulher. Documentar as Gilded Age Destaques. Disponível em <http://gildedage2.omeka.net/exhibits/show/highlights/artists>, acesso em:  19 mar. 2014.

Rose Cecil O’Neill nasceu em 25 de junho de 1874, em Wilkes-Barre, Pensilvânia. Aos 14 anos de idade, ganhou um concurso de arte para crianças e passou a criar uma série de desenhos semanais para o Omaha World Herald. Aos 16 anos já fazia ilustrações para o Excelsior e The Great Divide. Recebendo pelo seu trabalho, Rose ajudou os pais a sustentar sua família, muito numerosa.

Em 1893, com o apoio do pai William Patrick O’Neill, Rose foi morar em Nova York, em um convento. Lá passou a oferecer seu trabalho, um portfólio com cerca de 60 ilustrações, para jornais e revistas. Ela assinava suas ilustrações com as iniciais C.R.O como uma forma de esconder o fato de que ela era uma mulher. Uma prática comum entre as mulheres que iniciavam carreiras nas artes e na comunicação. Em 1896, tornou-se a primeira mulher artista da equipe na Revista Puck, sendo oficialmente reconhecida pela indústria dos quadrinhos como a primeira mulher cartunista norte-americana.

Sua criação mais famosa, e que lhe garantiu um bom suporte financeiro, foi o grupo de cupidos que ela batizou de Kewpies, em 1905. O cartoon foi um sucesso tão grande que, em 1912, um fabricante de porcelana alemã começou a fazer bonecas Kewpie, sob supervisão de Rose. Eles foram publicados até a década de 1930. Graças aos Kewpies, O’Neill fez uma fortuna de US$ 1,4 milhões, que hoje estaria equiparada a um valor próximo a US $15 milhões.

Rose O’Neill nunca hesitou em se envolver com política ou questões referentes a direitos das mulheres. Usou seu talento para criar e ilustrar programas, cartazes e charges, onde expressava seu apoio a causas como o sufrágio feminino. Utilizou também sua fama como cartunista para chamar atenção da sociedade para a forma desigual com que as mulheres eram tratadas.  Muitos dos Suffrage posters (Cartazes Sufrágio) feitos por O’Neill foram guardados e preservados e se tornaram uma parte da memória do movimento sufragista norte-americano. Entre os anos de 1917 e 1918, criou uma série de ilustrações, The Kewpie Korner Kewpiegram, com pequenos poemas que defendiam o direito feminino ao voto ou tratavam de algum outro tema polêmico, relacionado na maioria das vezes às mulheres.

Apesar de todo o sucesso que atingiu, O’Neill acabou perdendo quase todo seu patrimônio por conta de uma série de fatores, dentre eles sua falta de controle sobre suas finanças, o que a levava a cometer algumas extravagâncias, seu mecenato e problemas familiares. Rose O’Neill viveu sua vida intensamente. Foi escultora, sufragista, inventora, empresária, filósofa, poeta, romancista, autora de livros infantis, e compositora. Morreu em 1944, empobrecida.

 

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