Propaganda, História e Memória

Publicado em 30 de outubro de 2015 por - Educação

Por Natania Nogueira.

Uma das coisas mais interessantes em se pesquisar periódicos antigos é observar os anúncios que neles são veiculados. Anúncios de venda de imóveis ou de elixires poderosos que prometem acabar com os “males femininos” ou trazer de volta a energia da juventude. Podemos viajar pela História simplesmente nos atendo às propagadas de jornais e revistas.

Tentativas de se vender determinados produtos, estes anúncios tornam-se valiosas fontes de informações históricas. Um anúncio de venda de escravos ou de recompensa pela captura de escravo fugitivo pode ajudar a reforçar teses sobre a população escrava em determinada localidade e suas tentativas de resistência ao cativeiro. A oferta de remédios para determinadas moléstias nos diz muito sobre a saúde pública, sobre as doenças mais comuns e sobre as formas como eram tratadas.  A oferta de vagas em escolas particulares nos ajuda a traçar um perfil da rede de ensino que se formava em determinada época, em determinada localidade. Pequenas informações que ajudam a compor o mosaico da História.

A inauguração da imprensa nacional, com a vinda da Família Real portuguesa para o Brasil inaugura, também, a era da propaganda, que já ultrapassa respeitáveis 200 anos. A história da propaganda no Brasil começa com a Gazeta do Rio de Janeiro, em 1808, com seus primeiros anúncios de venda de imóveis, e passa pelas centenas de periódicos que surgiram, na Corte e em pequenas cidades, localizadas nas mais distantes regiões do Brasil, no século XIX.

Os anúncios ou propagandas ilustradas demorariam um pouco mais. Elas começariam a se popularizar a partir de 1875, quando o Mequetrefe e o Mosquito inauguraram os primeiros “reclames ilustrados”. A partir de então outros jornais e, posteriormente, revistas passaram a dedicar um espaço cada vez maior às ilustrações (desenhos, litogravuras e logotipos), que passaram a ocupar até páginas inteiras. Ao lado de charges e quadrinhos, estas propagandas ilustradas tornaram-se características das publicações veiculadas a partir de 1875, em todo o Brasil.

São imagens que divertem, contam histórias e são registros importantes da memória nacional. Propagandas e anúncios ilustrados podem ser fontes para História local. Mais do que isso, podem ser utilizadas como forma de se ensinar esta história e, ao mesmo tempo, trabalhar educação patrimonial e memória. Devidamente contextualizados, jornais e revistas podem dialogar e enriquecer o ensino de História, além de colaborar para a construção da história local.

Um simples anúncio de propaganda pode tornar uma aula de História mais interessante. E as ferramentas estão ao alcance de professores. Atualmente, temos disponíveis para consulta, download e impressão, milhares de páginas de jornais e revistas brasileiras e estrangeiras, permitindo ao professor ensinar e produzir história com seus alunos. Pequenas iniciativas, a partir de pequenos fragmentos da História, podem ajudar a formar uma juventude mais crítica e capaz de reconhecer a importância da sua nossa História.

 

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 Fonte: 100 anos de Propaganda. – São Paulo: Abril Cultural, 1980, p. 33.

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