Professores: quando estudar se torna um problema

Publicado em 1 de maio de 2015 por - Educação

Dando sequência à nossa seção “Professor: conte sua História”, trazemos o depoimento de uma educadora que enfrentou inúmeros obstáculos para poder estudar e se preparar melhor para suas aulas. Isso mostra como falta apoio por parte das autoridades. O lado positivo foi o respaldo dos alunos e colegas. Confira:

Minha história tem dois anos de luta…

Ao passar no “ProfLetras”, um programa que tem objetivo capacitar e ampliar a formação dos professores do ensino fundamental da rede pública, necessitava de adequação de horário para conseguir cursar as disciplinas, uma vez que foi iniciado com o ano letivo em andamento e assim, ao procurar a coordenação da rede em que leciono, começaram os transtornos.

Expliquei a importância do mestrado por justamente estar voltado para o ensino fundamental e a melhoria da educação no país, mas o que ouvi foram palavras de desânimo e sobretudo, para que desistisse pois seria impossível adequar o horário.
Como poderia desistir?! É tão difícil ser aprovada numa seleção de mestrado justamente pela concorrência e mesmo assim, pediam que adiasse meu objetivo?!
A partir daí comecei a ser monitorada, ligações para escola para saber se eu estava em sala de aula e sim, eu estava. Meus pedidos foram todos negados, mesmo com a intervenção do coordenador do mestrado.

Senti desânimo e minha saúde mental era minada pouco a pouco, mas ao conversar com meus alunos e colegas, comecei a adiantar as disciplinas e explicações durante algumas aulas e em semanas alternadas, deixava atividades de fixação que amigos me auxiliavam na aplicação. E assim, levei aos trancos e barrancos até a adequação do meu horário, quase ao final do curso.

Atualmente estou na fase de término da dissertação para enfim, realizar a defesa  e sei que os grandes incentivadores não foram aqueles que ocupam cargos de confiança e estão nas coordenações de rede, eles vieram do mesmo lugar onde todos os dias travamos uma batalha pela educação: a sala de aula. Seja por meio dos amigos que enfrentam os mesmos problemas, seja pelos nossos alunos, tantas vezes vistos como seres invisíveis de todo um sistema.

Peço que meu relato seja anônimo devido as retaliações, mas confio que, daqui um tempo, a educação seja mais do que um veio de luta pelo futuro, seja enfim, uma verdade reconhecida e respeitada.

Participe. Conte a sua história e divida suas experiências com outros profissionais que passam pelas mesmas dificuldades. Mande seu relato para o email do bloghistoria.hoje@bol.com.br .

leitora

“A Leitora”, de Jean Honoré Fragonard.

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2 Comentários

  1. Andrade disse:

    Olá, gostei do artigo. Para quem está começando agora são dicas muito importantes. Sucesso!

  2. Essa postura está em desacordo com a metas do PNE.

    Penso que quem está na Educação tem OBRIGAÇÃO de valorizar professoras e professores, colegas de trabalho e de luta.
    Além disso, é preciso acabar com esse ciuminho besta de quem faz pós-graduação. Pelo contrário, docentes devem se unir para uma ajuda mútua para que todas e todos possam continuar os estudos. Professoras e professores são profissionais intelectuais!

    Seu caso deveria ser passível de denúncia e punição para quem não deixa você investir na formação continuada, tão importante para a qualidade da Educação. Professoras e professores não podem parar de estudar NUNCA!

    PNE:

    http://presrepublica.jusbrasil.com.br/legislacao/125099097/lei-13005-14

    http://pne.mec.gov.br/

    ___

    Quais metas se referem aos profissionais do magistério?

    Além da Meta 17 (tratada na Questão 09), as Metas 15, 16 e 18 também tratam da valorização dos profissionais do magistério. As Metas 15 e 16 tratam da formação e a Meta 18 define a necessidade de assegurar planos de carreira para a valorização profissional, tendo como referência o Piso Salarial Profissional Nacional.

    Meta 15:garantir, em regime de colaboração entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, no prazo de 1 (um) ano de vigência deste PNE, política nacional de formação dos profissionais da educação de que tratam os incisos I, II e III do caput do art. 61 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, assegurado que todos os professores e as professoras da educação básica possuam formação específica de nível superior, obtida em curso de licenciatura na área de conhecimento em que atuam.
    (13 estratégias)

    Meta 16:formar, em nível de pós-graduação, 50% (cinquenta por cento) dos professores da educação básica, até o último ano de vigência deste PNE, e garantir a todos (as) os (as) profissionais da educação básica formação continuada em sua área de atuação, considerando as necessidades, demandas e contextualizações dos sistemas de ensino.
    (6 estratégias)

    Meta 18:assegurar, no prazo de 2 (dois) anos, a existência de planos de carreira para os(as) profissionais da educação básica e superior pública de todos os sistemas de ensino e, para o plano de Carreira dos (as) profissionais da educação básica pública, tomar como referência o piso salarial nacional profissional, definido em lei federal, nos termos do inciso VIII do art. 206 da Constituição Federal.
    (8 estratégias)

    FONTE: http://pne.mec.gov.br/perguntas-frequentes

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