Praias e piscinas: a libertação do corpo feminino

Publicado em 13 de janeiro de 2015 por - História do Brasil

Sol, calor, férias: todos os dias vemos imagens de praias, piscinas e parques repletos de gente. Homens, mulheres e crianças se refrescam, usam pouca roupa, praticam atividades físicas e divertem-se. Mas, nem sempre o sexo feminino pode gozar de tal liberdade. Até o final do século XIX, as mulheres não podiam realizar essas atividades. Confira no texto de Mary del Priore como as coisas mudaram desde então:

Nos finais do século XIX, mulheres começam a pedalar ou a jogar tênis. Não faltou quem achasse a novidade, imoral, uma degenerescência e até mesmo, pecado. Perseguia-se tudo o que pudesse macular o papel de mãe dedicada exclusivamente ao lar. Algumas vozes, todavia, se levantaram contra a satanização da mulher esportiva. Confinadas em casa, diziam os médicos, as mulheres só podiam murchar. Era preciso oxigenar as carnes e alegrar-se graças ao equilíbrio saudável do organismo.

Os banhos de mar, mesmo com muitas restrições, tiveram importante significado na época. Encarados inicialmente como remédio, acabaram por proporcionar uma nova oportunidade de convívio social. A princípio, as “mulheres de respeito” tomavam banhos de madrugada, quando o dia ainda clareava, usando uma indumentária rigorosa feita de: “calças muito largas de baeta, tão áspera que mesmo molhada não lhe pode cingir o corpo”. Do mesmo tecido um blusão com gola larguíssima, á marinheira, abrigada a um laço amplo que servia de enfeite, mas também de tapume a uma possível manifestação de qualquer coisa que sugerisse um seio. Calças, até o tornozelo, caindo em babados que cobriam os pés. Estes eram calçados com sapatos de lona e corda, amarradas, à romana, na perna. Na cabeça, uma touca de oleado ou chapelões de aba larga.

Mesmo com tantas precauções, a presença de mulheres na praia significava tal revolução capaz até de mexer com a imaginação dos homens. Não eram, consequentemente, poucas as admoestações que estes encontravam afixadas nas casas de banho que se multiplicavam nas praias: “É expressamente proibido fazer furos nestas cabines; os encontrados nesta prática serão entregues à ação da polícia”. Apesar dos avanços, Hermínia Adelaide, conhecida artista, escandalizava a população ao banhar-se na Praia do Flamengo com roupas que desenhavam sua forma física. Todos paravam para olhar; as moças de família, encabuladas, viravam o rosto.

Mas as mudanças caminhavam a passos largos. No início de 1920, na piscina do Fluminense F. Club, tinham início as primeiras provas femininas. Tudo indica que desde 1919, quando a piscina foi inaugurada (a primeira no Rio), mulheres, sócias do clube, já participavam de aulas de natação. Tinha início uma era em que o corpo feminino deixaria para trás espartilhos e anquinhas. E graças à moda e ao esporte, liberou-se cada vez mais…

– Mary del Priore.

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Roupas recatadas nos primeiros banhos de mar.

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