Portugal e as modas francesas

Publicado em 15 de janeiro de 2014 por - História

Quando lemos os textos dos viajantes que estiveram por aqui no período colonial, percebemos que os brasileiros e as brasileiras da época eram constantemente acusados de se render aos excessos, inclusive no que se refere ao vestuário e aos acessórios. Mas, de onde vieram tais hábitos? De Portugal, principalmente. Os portugueses costumavam ser classificados como simples, austeros e até “carolas” no vestir. Muitos autores se esquecem de mencionar que, no século XVIII, os lusitanos sofreram uma verdadeira invasão dos modismos franceses. A suntuosidade da corte de Luís XIV influenciou as maneiras dos nobres portugueses – que sempre haviam tentado, em vão, impedir que os trajes lusitanos perdessem as características originais. D. João V usava camisas e perucas francesas. As mulheres vestiam bambolins armados feitos com barbatanas de baleia, forrados com tafetá, saias de seda (por cima), corpetes muito justos, decotes ousados, meias verdes, sapatos de salto e bordados. Os penteados eram elaborados e costumava-se orná-los com joias. Fitas, laços e pedrarias eram acessórios comuns.

          Pintavam-se os lábios, maçãs do rosto e ainda salpicava-se o rosto com “pintas” de tafetá negro. E tudo isso, eram artifícios usados por homens e mulheres. Os representantes do sexo masculino rendiam-se a casacas de seda, veludo e lã; coletes de cetim colorido; botões de vidro e metal; gravatas e meias de seda branca; calções justos e sapatos com fivelas e saltos. O chapéu era o tricórnio vermelho de feltro, ou modelos de seda e plumas. Perucas curtas, envolvidas em redes ou tafetá, e até mesmo amarradas com fitas. As proporções dos trajes foram mudando ao longo do século; ora os coletes eram mais curtos ou mais longos; as casacas foram mais rodadas ou tornaram-se quase um fraque. Nos tempos de D. Maria I, por exemplo, os chapéus encolhem para duas pontas.

          Esta orgia de tecidos, bordados, rendas, detalhes e excessos ganha um inimigo poderoso: a partir de 1750, o Marquês de Pombal retoma os esforços para a nacionalização do traje. A moda dos tecidos mais grosseiros e “panos da terra” retorna. Capotes e capas com capuz se tornam quase obrigatórios. Porém, como já havia ocorrido antes com várias Pragmáticas, a onda da nacionalização tem vida curta. E o luxo entra em cena mais uma vez. A Revolução Francesa (1789) que modificou bastante os costumes e as modas na Europa, chegou tardiamente aos trajes de Portugal. Aos poucos, as radicais simplificações da indumentária se amenizaram até mesmo na França, incorporando-se aos modos portugueses de maneira amena. – Márcia Pinna Raspanti.

DJoaoV

D. João V: camisas e perucas francesas

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