Os primeiros filmes “pornôs” da História

Publicado em 6 de julho de 2015 por - História

         No início do século XX, na Inglaterra, surgiu o “mutescope”, uma forma de projetor com manivela. Tais máquinas podiam produzir pequenas animações graças a um sistema de rotação cilíndrica de imagens, retiradas de pedaços de películas. As maquinetas exibiam curtas sequências de mulheres tirando as roupas ou cenas em que elas simulavam posar para um artista. Ganharam o apelido de “O que o mordomo viu”, nome de um dos primeiros filmes pornográficos rodados na Grã-Bretanha.

Assim que, em 1895, Robert Paul e Louis e Auguste Lumière realizaram as primeiras projeções públicas sobre uma grande tela, fizeram-se filmes pornográficos. Já em 1900, eles foram rodados, introduzindo uma ruptura nas representações sobre a sexualidade. Pela primeira vez, reproduziam-se atos sexuais não simulados, realizados por profissionais de maneira estereotipada e sem relação afetiva ou pessoal. Também pela primeira vez, colocava-se em imagem e movimento, um jogo de corpos desnudos e oferecidos à observação de terceiros.

Os diretores pioneiros foram Eugene Pirou e Albert Kirchner. Em “Maria vai deitar-se”, apresentavam a “senhorita Louise Willy” fazendo um striptease. Essa realização inspirou outras tantas, em que mulheres atuavam em cenas picantes. Tal como na fotografia, os estereótipos estavam sempre presentes: a ninfeta, a mulher madura, a sofisticada, a camponesa, a exótica. As primeiras atrizes eram recrutadas nos bordéis. A elas, se juntavam alguns modestos figurantes atraídos pelos baixos salários. Houve muitos realizadores anônimos e atores mais desconhecidos.

O filme pornográfico mais antigo de que se tem notícia é “O Escudo de Ouro ou o Bom Albergue”, realizado na França, em 1908: história de um soldado com uma trabalhadora doméstica. Em 1910, o alemão “Ao Entardecer”, mostrava uma mulher masturbando-se no quarto e a seguir cenas de felação e penetração anal com um parceiro. Considerados ilegais, tais filmes distribuídos discretamente, eram vistos de forma ainda mais discreta. Sua posse ou visualização eram passíveis de prisão.

Esse conjunto de imagens sobre o sexo vai introduzir uma palavra no vocabulário das pessoas: “proibido”. O adjetivo fixava os limites além dos quais os comportamentos se tornavam “ilícitos”. Mas, sabia-se que transgredir proibições, era exorcizar o tédio das realidades biológicas. Imagens licenciosas em quadrinhos, filmes e fotos demonstravam a lenta, mas inevitável liberação dos espíritos, pela prática do prazer físico. Vagarosamente, ficariam para trás higienista e moralistas. Pois, a maioria queria comer do fruto proibido. Mal sabiam que teriam que esperar mais de setenta anos, até ouvir o grito: “É proibido proibir”!

– Texto de Mary del Priore.

nu perante a câmera Julien Vallou de Villeneuve (French, 1795–1866)nu perante a câmera Félix-Jacques-Antoine Moulin  (French, 1800–after 1875) 1850

Cenas de nudez no século XIX. Imagens de Julien Vallou de Villeneuve; Félix Jacques e Antoine Moulin.

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