Os olhares sobre o espaço urbano e os museus

Publicado em 16 de maio de 2015 por - Educação

Por Natania Nogueira.

 

Recentemente, fui convidada a visitar uma exposição, em uma escola de ensino fundamental. Tratava-se de uma exposição de fotografias, cujo tema era “O olhar da criança sobre a cidade”.  Resumidamente, a proposta era colocar nas mãos dos alunos uma máquina fotográfica ou um celular e deixar que eles registrassem aquilo que achassem marcante dentro do espaço urbano. A tarefa foi entregue a crianças entre quatro e nove anos de idade. O resultado foi de tirar o fôlego.

Os alunos representaram a cidade a partir de coisas simples como, por exemplo, a água caindo de bica em uma mina localizada em um bairro central da cidade. Fotografaram prédios monumentais, como a catedral, e fizerem fotos singelas de flores nos jardins de casas e nas praças da cidade. Ao lado da fotografia de um palacete, estava a foto de uma libélula, pousada em uma folha.

A exposição ocupou a parte coberta do pátio da pequena escola e foi montada a partir do uso de materiais simples, de baixo custo ou reciclados. Não é exagero dizer que a forma como tudo foi cuidadosamente organizado arrancaria elogios até mesmo de um curador de exposições profissional. Com simplicidade, aquelas crianças fizeram um excelente trabalho de educação patrimonial e deram um passo importante para a formação da sua identidade cidadã.

Uma exposição baseada no princípio da sustentabilidade. A escola transformando-se num pequeno espaço de memória, num pequeno museu onde artefatos criados pelos alunos (fotos) contam histórias, revela pequenos detalhes da vida urbana.

E sustentabilidade é o tema da 13ª Semana de Museus, que acontece de 18 a 24 de maio, movimento cultural que envolverá este ano 4.570 eventos em 609 municípios brasileiros. Pensando tanto na experiência agradável de poder ver a minha cidade pelo olhar das crianças quanto na necessidade de valorização do museu como espaço de formação humana, veio-me a ideia de escrever este texto.

Precisamos investir na sustentabilidade, claro, mas não pode haver sustentabilidade sem que haja “humanização”. Aquela pequena exposição, montada com materiais bem simples, marcada pela criatividade de crianças e professores traz em seu âmago uma “humanidade” que tem faltado naqueles espaços que deveriam ser responsáveis pela nossa formação humana e intelectual, como a escola e, em alguns casos, o próprio museu.

Uma educação patrimonial deve levar isto em conta.  O investimento na cultura deve ser um investimento no ser humano. O museu, a escola, o monumento ou simplesmente a praça devem refletir o que há de positivo e sensível no ser humano, e isso, muitas vezes, está presente em artefatos culturais muitas vezes ignorados. Simplicidade, sustentabilidade e humanidade, três palavras que carregam muitos significados e que podem mudar a nossa cidade, seja a partir do olhar de uma criança de quatro anos de idade, seja pela valorização dos bens culturais ou pela revitalização dos nossos museus.

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(Fotos: Natania Nogueira).

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3 Comentários

  1. Vimos pelo que foi escrito o efeito da mídia, as crianças não notaram a miséria, as pessoas com deficiência(s), as idosas etc. Fotografaram as calçadas? A violência refletida em diversas formas de convivência urbana? Ou refletiram o que os pais dizem (sabiam usar máquinas fotográficas…)

    • Cláudia Duque disse:

      Uma exposição que mostrou a beleza brejeira de nossa cidade, nossos pontos turísticos por outros olhares, já que nós, adultos cansados de tanto ver, esperamos sempre pelo pior, pelo próximo assalto (coisa que graças à Deus não é tão comum e não está presente em cada esquina da nossa pequena Leopoldina), por isso nosso objetivo educacional foi despertar uma nova maneira de ver a cidade, valorizar o patrimônio público e mostrar o quê e como a criança vê o lugar em que vivemos…há fotos encantadoras de animais, jardins, igrejas, praças e ruas dos mais inusitados ângulos e enquadramentos. Vale a pena conferir!!!

    • Natania disse:

      João, Leopoldina é uma cidade pequena onde a miséria não é tão aparente. Ademais, acho que este tipo de percepção está muito além da leitura de realidade que estas crianças possuem, dada a idade: muitas delas estão na educação infantil e creio que as mais velha não passam dos 9 anos de idade.

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