Os Geoglifos na Arte dos Incas

Publicado em 30 de agosto de 2015 por - História do Brasil

Por Luiz Wanke.

A primeira evidência de que nossos índios americanos são descendentes dos chineses, com perdão da brincadeira, ‘saltam aos olhos’. Sim, os olhos puxadinhos comuns nos chineses e em todos os índios da América. No meu livro ‘Brasil Chinês’ de 2009,  conto e provo que eles chegaram na América por volta do século V de nossa era, se imiscuindo nos povos aborígines modificando suas crenças e suas culturas. A genética também diz que esses nossos índios americanos tem genes compatíveis aos chineses. São bons ‘rastros’ sim, mas além do aspecto físico e genético foi a religião o principal motivo para que esses povos pré-colombianos (paleoíndios) deixassem vestígios comprobatórios desta intervenção.

Os costumes são passíveis de variações, mas na religião existe uma ‘cola’ que se fixa nas crenças transmitindo de geração para geração conceitos fixos e pouco mutáveis. Foi assim que descobri este aspecto da formação do homem americano, causalmente, ‘traduzindo para o português atual’ um diário de um viajante francês chamado Genettes, que ao visitar no século dezenove uma aldeia coropó, virgem da presença europeia, registrou no seu diário que ouviu de uma menina a palavra ‘Tao’ para significar Deus. Tao é a referência chinesa dos ensinamentos de Lao Tse e que na metade do século III d.C. foi transformada em religião com a introdução das sagradas escrituras indianas. Então esses índios eram taoistas? Ele mesmo –  Genettes – não chegou a concluir isto, mas se admirou e admitiu existir uma ligação misteriosa entre os coropós e os povos orientais.

É importante observar a arte dos índios pré-colombianos sob a visão religiosa, já que é derivado da crença chinesa. Existem vestígios nas civilizações indígenas mais cultas (maias, incas e amazônicas) que os aspectos simplistas e rudes desses índios foram modificados a partir do século V para padrões muito mais refinados e artísticos de origem chinesa. São sinais gráficos produzidos pelos indígenas, mas com conceitos chineses. Como os taoties que são cabeças disformes com finalidade de espantar os maus espíritos, sem a mandíbula e geralmente zoomorfas. Elas estão presentes tanto na cultura chinesa como na dos índios americanos. No meu livro, nomeio muitas dessas evidências, inclusive a situação da China no século V e o motivo da imigração chinesa para a América.

Uma arte desenvolvida pelos índios americanos são aqueles imensos desenhos feitos no solo e que a maioria só pode ser vista do alto, com veículos voadores modernos e outros, somente por fotografias a partir do espaço. São os geoglifos e encontram-se espalhados por toda a América, mas é nos desertos eles se conservaram. Normalmente são considerados misteriosos e desconhecidos e sobre eles se desenvolvem teorias, inclusive a da intervenção de seres extraterrestres, mas olhando-os sob o prisma da cultura religiosa chinesa descobrimos que não é nada disto e são explicáveis.

Na realidade os índios desenharam aquelas imensas figuras no chão para que ficassem invisíveis. Somente eles – os autores –  e os deuses poderiam admirá-los! E através dos geoglifos esses índios pediam aos deuses tudo o que estivesse precisando. Água, principalmente, no caso dos nazcas. Para isto desenhavam coisas relacionadas com a água como peixes, baleias e plantas aquáticas. Também foram encontradas em lugares cerimoniais, conchas, pedras roladas de rio e restos cerâmicos de recipientes para água principalmente junto às pedras demarcatórias das linhas dos geoglifos.

Mas os incas também gostavam muito de fazer geoglifos com a forma de espirais. Por quê?

É que eles construíram um sistema de canais subterrâneos que trazia a água das montanhas para o deserto. E o acesso era através de um declive em forma de espiral! Por isto a espiral passou a ser um login que significava ‘água’! (Aí eles desenhavam espirais adoidadas em tudo, inclusive, na cauda de um macaco).

Os chineses – tal como os nazcas – acreditavam na montanha e na água como divindades, juntamente com os espíritos dos antepassados (crença de origem taoista). Faziam oferendas e sacrifícios de animais e humanos. Foram encontradas restos dessas ofertas cerimoniais no alto das montanhas andinas. Ainda hoje, no Peru, perdura a tradição de levar oferendas para cima do monte Cerro Blanco. (Os chineses até hoje têm o costume de homenagear seus antepassados em cima das montanhas). Não é coincidência de que o ideograma chinês na forma de um tridente ‘shan’ (montanha) foi escrito pelos indígenas em geoglifos em cima de uma montanha e que o ideograma ‘sang’ (árvore) seja um geoglifo desenhado em Paracas no hoje Peru e voltado para o Oceano Pacífico.

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No Brasil os geoglifos foram desenhados sobre o solo vegetal e têm maior desgaste. No Acre, predomina os desenhos ou de círculos ou de quadrados. O que quer dizer? Ora, para os chineses o círculo significa o céu e o quadrado, a terra. Portanto nossos geoglifos estão em perfeita sintonia com o pensamento oriental.

Também foram encontrados geoglifos no sul do Brasil, na região Mafra-Rio Negro, entre os Estados de Santa Catarina e Paraná. São desenhos incas de machados e aves do cotidiano inca. Sabe-se que existiu uma ligação entre o oeste andino e o leste brasileiro através do famoso Caminho de Piabiru. Este contato inca deixou marcas em pedras, principalmente de círculos concêntricos no litoral de Santa Catarina.

Mas o mais espetacular geoglifo desenhado por indígenas que viveram ao longo do Rio Colorado está abaixo e só agora foi revelado com os recursos modernos de fotografia espacial da Nasa. Foi feito no deserto de Blythe, California e tem a forma de um tridente (montanha). Além disso, está escrito em cima de uma montanha! E nem é somente um simples geoglifo de índios pré-colombianos escrito em ideograma chinês. É mais porque está escrito no estilo kaishu, o jeito especial de escrever tal ideograma, quando os chineses chegaram na América no século V. É a datação e prova de que os chineses chegaram na América naquele século!

E se imiscuíram com os nativos. Daí seus olhos puxadinhos como começamos comentar neste artigo.

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Índio na representação de Jean-Baptiste Debret.

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