Os acordos com o Mal – sexo e poder

Publicado em 29 de novembro de 2013 por - História do Brasil

Os demônios “familiares” eram invocados para prestar ajuda aos feiticeiros, submetendo-se a estes e fazendo suas vontades, em concordância com a tradição medieval. Já com a chegada da Idade Moderna, a relação começa a mudar: nos pactos com o demônio, há uma inversão de papéis. Nos séculos XVI e XVII, há muitos relatos destes contratos, em que o diabo é quem estabelece as condições para dar ao homem as vantagens que este busca, geralmente fortuna, sucesso e amor.

No Brasil Colônia, os pactos eram vistos como uma forma de contornar as grandes dificuldades intrínsecas à sociedade escravista e extremamente desigual. Esses acordos eram geralmente acompanhados de alguma forma de sujeição sexual. De acordo com Laura de Mello e Souza, esta era uma maneira de realizar fantasias sexuais – tão reprimidas pela Igreja – e até criar laços afetivos, combatendo a solidão. Vejamos um caso:

“Maria Gonçalves Cajada falava amiúde com os diabos, tratando e dormindo com eles, que a ajudavam a fazer feitiços diversos, em troca alimentava-os com seu sangue, tendo sempre no pé uma ferida”.

O sangue devido ao diabo como parte do pacto estabelecido, podia ser pago através da concessão dos filhos gerados destes encontros sexuais, conta a historiadora.  Muitos feiticeiros se diziam empurrados a estes pactos devido às difíceis condições de vida, pobreza ou aos maus tratos. – Márcia Pinna Raspanti

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Pobreza e tensões sociais justificam os pactos com o demônio nos tempos coloniais.

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