OLIVE CLAVEL E O MOUVEMENT DE LIBÉRATION DES FEMMES NA FRANÇA

Publicado em 5 de junho de 2015 por - Feminismo

 Por Natania Nogueira.

Se, em um contexto geral, os anos de 1950 e 1960 foram marcados por um retrocesso nas conquistas femininas, a década de 1970 veio ao encontro do desejo das mulheres de assumirem novas responsabilidades em uma sociedade caracterizada pelo machismo. Ao final da década de 1960 cresceram, nos Estados Unidos, as lutas pelo direito à contracepção e ao aborto e contra a  misoginia. Reivindicava-se a igualdade moral, sexual, legal, econômica e simbólica. Na França, nasce o Mouvement de Libération des Femmes (MLF), a partir de vários grupos que se formaram entre os anos de 1967 e 1970.

O MLF nasceu no bojo da revolução cultural, iniciada em maio 1968, com uma onda de protestos que varreram a França. De operários a estudantes universitários, 9 milhões de pessoas protestaram e exigiram reformas sociais e no sistema educacional. O movimento foi influenciado por várias correntes, dentre elas temos o marxismo, o feminismo, a psicanálise e o ambientalismo.

O movimento surgiu oficialmente em 26 de agosto 1970. Neste dia, um grupo de doze mulheres depositou, sob o  Arco do Triunfo, em Paris, uma coroa de flores para a esposa do soldado desconhecido. Um gesto de solidariedade à greve das mulheres norte-americanas, que comemoravam neste dia o 50º aniversário do seu direito de voto. Pela manifestação, o grupo foi preso dando origem ao MFL.  Desejavam-se mudanças, uma nova concepção de política, de cultura, e justiça social. Para atingir estes objetivos formaram-se movimentos contraculturais nos anos de 1960 e 1970 e, por meio deles, o movimento feminista expandiu-se por várias partes do mundo.

As mulheres protestavam contra sua invisibilidade. Queriam maior acesso à universidade, e também  o valor do seu trabalho fosse reconhecido e equiparado ao dos homens. Não queriam mais permanecer confinadas ao ambiente doméstico, nem ter como única missão a maternidade. Exigiam o direito ao controle de fertilidade e ao controle do seu próprio corpo. Demandas que já haviam sido expostas tantas vezes, desde o início do século XX, mas que ainda não haviam sido plenamente atendidas. As mulheres queriam se libertar das amarras do conservadorismo. Elas desejavam ser reconhecidas como agentes ativos dentro das vanguardas, que surgem neste período. A palavra de ordem era liberdade.

A arte abrigou um grupo de mulheres que, por meio de produções independentes, expuseram suas ideias. Estas mesmas mulheres passaram a integrar grupos criativos e ser convidadas a contribuir com várias publicações. Mulheres como Olivia Clavel, cartunista que se destacou no movimento underground francês.

Underground significa “subterrâneo”, é um termo usado para especificar um ambiente cultural que foge dos padrões comerciais, aos modismos. A Cultura Underground está relacionada a várias formas de produção artística. Nos quadrinhos o Movimento Underground surgiu na década de 1960 e propunha uma completa renovação estética. Eram publicações independentes com personagens desajustados, irreverentes. Clavel foi co-fundadora do Bazooka, um movimento estético de vanguarda que revolucionou a arte-gráfica na França. O Bazooka, que durou cinco anos (1975-1980), era uma produção coletiva, provocadora, que representava o desejo de mudança compartilhado por jovens artistas.

Para Samantha Meier, o movimento feminista trouxe uma maior conscientização das mulheres, em todas as áreas das artes, assim como um novo mercado editorial. Surgia um novo tipo de quadrinista, mais ousado e que encontrava no underground um espaço para se expressar com maior liberdade. Não que tenha sido fácil. O underground também era um espaço predominantemente masculino mas, pouco a pouco, foram surgindo iniciativas onde as mulheres apareciam como protagonistas. Em entrevista Trina Robbins, uma das primeiras norte-americanas a trabalhar com quadrinhos underground, relatou algumas das dificuldades que enfrentou, por ser mulher.

Crescia uma imprensa feminista que contribuía para que o MLF pudesse não apenas comunicar-se entre si mas, também, ampliar seu alcance. Nos Estados Unidos ou na França, as mulheres estavam cada vez mais engajadas. Muitas delas encontraram nos quadrinhos uma forma de defender suas posições políticas e dar visibilidade ao movimento feminino. Na década de 1970, na França, despontaram vários talentos. Olive Clavel é apenas uma dentre muitas quadrinistas que passaram a publicar em revistas e jornais.

mlf

Mouvement de Libération des Femmes –Imagem disponível em: http://zip.net/bqrnXP , acesso em 28 maio 2015.

 

Visite os links:

MOUVEMENT de libération des femmes: 1970 – 2010 (2011). Disponível em: http://zip.net/bhqZdt, acesso em 01 mar. 2015.

OLIVIA Clavel. Art & BD – Planches de BD Estampes originales (2010). Disponível em: <http://planche-bd.fr/olivia-clavel/>, acesso em 23 de dez. de 2014.

MEIER, Samantha.  Between Feminism and the Underground (2014). Disponível em: < http://zip.net/bjqY9x>, acesso em: 02 mar. 2015.

 

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