Olimpíadas: Santos Dumont e a “guerra de memes”

Publicado em 6 de agosto de 2016 por - artigos

        A cerimônia de abertura das Olimpíadas 2016 causou uma polêmica inesperada: quem foi o inventor do avião? A festa fez referência ao 14-Bis, com o qual Alberto Santos Dumont voou 60 metros pelo Campo de Bagatelle, em Paris, no dia 23 de outubro de 1906. Ele já era conhecido como o criador do primeiro balão-dirigível do mundo. Isso bastou para que os norte-americanos começassem a ironizar essa versão da história pelo Twitter e nas transmissões de TV.

       A controvérsia é antiga. Três anos antes do voo do 14-Bis, em 1903, os irmãos Wilbur e Orville Wright, dos Estados Unidos, voaram 260 metros, na Carolina do Norte. O problema é que eles não tiveram testemunhas e relataram o ocorrido por telegrama. Até hoje, não há uma versão definitiva, e reconhecida internacionalmente, para a paternidade da aviação. No Brasil e na França, Santos Dumont é  considerado o “pai da aviação”. Isso tudo agitou as redes sociais, com defensores da versão brasileira e da estadunidense. Mais uma guerra de memes. O humor tem dado o tom da disputa, por enquanto.

       Aproveitamos para homenagear o inventor brasileiro. Com a herança deixada pelo pai, Henrique Dumont, Santos Dumont pôde construir balões e aviões, pilotar motos e automóveis, sendo um assíduo frequentador das festas e eventos sociais da alta sociedade parisiense. Ousado, vivia cercado por amigos e admiradores. Ele estava sempre impecavelmente trajado, mesmo quando trabalhava com motores ou madeira. Seu guarda-roupa era formado por ternos riscas de giz, camisas de colarinho alto e engomado, sapatos com salto (artifícios para parecer mais alto) e chapéu com a aba abaixada. O modelo Panamá era um de seus preferidos. O seu estilo era um exemplo perfeito do que estava em voga na Belle Époque, na capital francesa.

       O brasileiro ajudou ainda na criação de um acessório que se tornaria popular até os dias de hoje. Conta-se que em uma recepção no restaurante Maxim’s, em 1904, comentou com o amigo Louis Cartier que, em pleno voo, era difícil pegar o relógio para cronometrar o tempo. Cartier mandou fazer um protótipo que pudesse ser usado no pulso e o batizou de “modelo Santos”. O apetrecho não foi, entretanto, uma inovação absoluta do inventor, já que algumas mulheres já usavam o relógio no pulso, mas sem sentido prático, apenas como se fosse uma joia.

        Apesar de ter conseguido fama e reconhecimento, Alberto Santos Dumont suicidou-se em 23 de julho de 1932, no banheiro do Grand Hôtel de La Plage, no Guarujá, litoral paulista. Há controvérsias sobre o material utilizado como corda: o cinto do roupão ou uma gravata. Tinha apenas 59 anos e acredita-se que sofria de depressão crônica. Um triste fim para uma figura histórica tão fascinante…

      Enfim, para os brasileiros, mesmo com toda a controvérsia, Alberto Santos Dumont será sempre carinhosamente lembrado como o “pai da aviação”!

  • Texto de Márcia Pinna Raspanti.

 

dumont05

Dumont e o 14 BIS (Arquivo).

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

2 Comentários

  1. Não importa disse:

    Eles ajudaram no funcionamento da catapulta, quem conseguiu colocar um avião no céu sem ajuda de “acessórios” foi ALBERTO SANTOS DUMONT o grande pai da aviação. Aceitar dói menos, aliais quando tive olimpíada aí vocês tentam convencer que quem pilotou um avião primeiro foi os “Irmãos Wrong”

  2. Dalila disse:

    Quer dizer que além de ter sido catapultado (não teve a autonomia de sair do chão e voltar ao chão ) ainda não teve testemunhas?kkkkkkkk

Deixe o seu comentário!