O saldo da Guerra

Publicado em 9 de novembro de 2013 por - História do Brasil

O final da guerra do Paraguai anunciou várias rachaduras no dique dos conservadores. Na imprensa, não faltaram jornalistas que compararam o brilho dos festejos com a indiferença com que foram acolhidos “sem um viva, sem um foguete, sem um versinho, os desvalidos que voltaram trazendo em seus mutilados corpos”, as provas de sua dedicação à luta. Os oficiais queixavam-se de “ingratidão cruel” e esquecimento por parte do governo. Louvava-se o príncipe “protetor dos soldados”, o Conde d’Eu que promoveu a abolição dos escravos no Paraguai. A assistência aos militares feridos assim como ao fim da escravidão eram discutidos, sobretudo nos jornais liberais. A guerra, marcada por conflitos sangrentos e batalhas cruéis, não depusera, apenas, o dirigente do Paraguai. Destruiu o Estado e deixou um saldo elevadíssimo de perdas humanas: entre 800.000 e 1.300.000 pessoas. O acordo aliado era jocosamente chamado de “tríplice infâmia”. _ Mary del Priore

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3 Comentários

  1. Excelente Mary Del Priore, parabens!

  2. João Baptista de Siqueira Neto disse:

    Complemento necessário ao comentário: as idas dos governos da Polônia, da Holanda e da Noruega (além da ida do General De Gaulle, da França) para Londre, Inglaterra, ocorreu no início da Segunda Guerra Mundial por força de derrotas militares frente às tropas alemãs. Da Holanda foi também a Rainha e sua família, e da Noruega, o Rei e sua família.

  3. João Baptista de Siqueira Neto disse:

    Se as críticas, muito justas, tanto as referentes aos oficiais que se acharam desprezados, quanto ao acordo aliado, foram apenas feitas em conversas entre pessoas, isso revela um ambiente bem autoritário e injusto, mas se foram feitas pela imprensa, entendo que revela um ambiente de liberdade de imprensa muito livre e democrático, o que é um aspecto positivo em qualquer sociedade. Os relatos de nossa História, em nossos livros escolares, são muito generosos em críticas à maioria dos aspectos de nosso período monárquico, com comentários opostos aos feitos em relação a outras sociedades em situações análogas. Por exemplo: a saída de Portugal do Governo Português, quando da invasão francesa, é descrita como fuga, ao passo que as saídas dos governos da Polônia, Noruega e Holanda, eu suas idas para Londres para se estabelecerem lá como representantes de governos livres, são sempre descritas como retiradas estratégicas… O parlamentarismo do Segundo Reinado é dito um parlamentarismo às avessas porque o Imperador nomeava o Primeiro Ministro (Presidente do Conselho de Ministros) ao invés de isso ser feito pelo próprio parlamento imperial, mas na França atual, quem nomeia o Primeiro Ministro é o Presidente da República e isso é aceito por todos e ninguém critica; é o que se chama hoje de parlamentarismo com presidente forte…
    Vários pesos, e várias medias… claro.

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