O “Livro de Pedra”

Publicado em 12 de setembro de 2016 por - dicas

 

     O Experimentalismo e a poesia verbivocovisual presentes na obra do poeta Augusto de Campos acabam de ser homenageados por meio de uma obra para lá de significativa: um livro de pedra com um poema gravado e dirigido ao ilustre escritor. Augusto recebeu o presente das mãos da escritora e artista plástica teresopolitana Graça Lopes, que foi influenciada em sua trajetória pelo movimento concretista brasileiro, do qual Augusto é o único mentor ainda vivo. O encontro entre ambos os poetas ocorreu no apartamento de Augusto, no bairro de Perdizes, em São Paulo, com direito a brinde com vinho do porto e uma longa conversa sobre literatura e viagens, duas paixões em comum entre os escritores.

    A ideia de conceber um livro de pedra remonta ao ano de 2000, quando Graça Lopes participou de um ateliê em Itararé (RS), tendo como coordenadora do grupo a terapeuta e artista plástica Talula Maron. A primeira escultura da artista foi o esboço do que viria a ser mais tarde o chamado Livro de Pedra, esculpido em argila para que fosse possível escrever sobre a peça. O objetivo era que pudesse ser considerado tanto uma escultura quanto um livro com conteúdo escrito. A artista seguiu produzindo seus textos literários (digitados, impressos e manuscritos) e outras obras de arte (pintura, escultura, arte digital, bordado e colagens). Em 2016, retomou o projeto ao tomar a decisão de inscrever na pedra um poema dedicado a Augusto de Campos por ocasião de uma das efemérides relacionadas ao surgimento da Poesia Concreta no Brasil. A iniciativa marcou a retomada do projeto idealizado mais de uma década antes, além de consistir por si só em uma justa e oportuna homenagem ao trio de notáveis Augusto de Campos, Haroldo de Campos e Décio Pignatari, os maiores representantes do referido movimento.

   Assim nasceu o primeiro exemplar do projeto Livro de Pedra. Inicialmente concebido em argila, o material mostrou-se frágil demais para a empreitada e foi sendo adaptado e misturado a outros componentes. Do primeiro protótipo ao atual formato, foram muitas experimentações. Para além da peça confeccionada, o projeto dará origem a uma série de dez obras no total, igualmente relacionadas ou inspiradas em cânones da escrita poética, com realização de uma mostra de arte em data e local ainda a serem definidos.

A artista: Graça Lopes é natural de Teresópolis (RJ). É formada em Letras (Língua, Linguística e Literatura). Nas experiências com outras dimensões da arte, é autodidata. Costuma afirmar que produz literatura em tempo integral, mesmo quando está pintando ou esculpindo. Define-se como “escritora-artesã da palavra”, o que inclui outros materiais e suportes além da linguagem escrita, sempre com o propósito de dar vazão à potência artística interior transformada em objeto estético: “Quando me expresso em qualquer dimensão, estou explorando nuances da constituição dos sentidos da linguagem, na linguagem e pela linguagem. Mesmo quando parece que saio da literatura, é ainda ali que estou, para ‘me dizer’ e ‘dizer ao mundo’ de variadas formas”. (texto: divulgação)

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Foto: Augusto de Campos.

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