O inominável

Publicado em 26 de maio de 2016 por - artigos

         Desde ontem, está circulando a notícia de que uma mulher teria sido estuprada por 30 homens no Rio de Janeiro. A inacreditável tortura foi registrada em fotos e vídeos, que foram exibidos em redes sociais, acompanhados de piadas e comentários ofensivos. Inconsciente, a moça de 17 anos foi exposta toda machucada e de forma degradante. Na semana passada, li um artigo sobre o aumento de casos em que as vítimas são drogadas, sem seu conhecimento, para depois serem abusadas.

        O que dizer diante de tanto horror? Já discutimos inúmeras vezes nesse blog a violência contra a mulher, o estupro, a misoginia. Já abordamos as origens históricas do machismo e suas implicações nos dias atuais. Hoje, porém, diante desse fato terrível, não sei o que dizer. Só consigo pensar na vítima, no seu sofrimento, na humilhação, na dor…E concluir que vivemos em uma sociedade doente, cruel e misógina. E que precisamos mudar.

       Em meio a tantos casos chocantes, ainda temos que lidar com uma campanha feroz contra o feminismo e as questões de gênero. Será que todos esses homens que estupraram a garota são simplesmente doentes? Ou será que esse tipo de crime tem raízes mais profundas que devemos enfrentar? Quando vamos deixar de minimizar fatos como esse? Até quando culparemos as vítimas? Até quando negaremos a cultura do estupro?

Texto de Márcia Pinna Raspanti.

nudez

“Retrato de Jovem Mulher” de Rafael Sanzio (1540-45).

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6 Comentários

  1. Ivana Goes disse:

    Uma sociedade repressora como a nossa, fica complicado debater esse tema, as escolas se negam a discutir essa questão, algumas ficam limitadas ao conteúdo das disciplinas esquecem que o conhecimento deve extrapolar os muros da escola, seja qual for o assunto esse ambiente diverso é propício para a reflexão sobre qualquer assunto .Tudo começa na escola. Hoje esta existindo um retrocesso, o homem não consegue resolver problemas simples do cotidiano.Acreditar em dias melhores,Será ?

    • Márcia disse:

      A escola é muito importante, sem dúvida, mas acredito que o tema também precisa ser abordado em casa, com a família. E mais do que isso: os pais devem dar uma educação igualitária, mostrando que meninos e meninas merecem o mesmo respeito. Assim, poderemos pensar em mudanças (lentas) e em dias melhores.

  2. Neli Faria disse:

    mais de 45 mil estupros em 2014, e a presidente da República e suas ministras, ficaram num silêncio cúmplice. Castração química para os anormais, já.

    • Márcia disse:

      Neli, não acredito que castração química resolva o problema: estupro não é causado por excesso de libido. A psicologia indica que esse tipo de crime está relacionado ao exercício do poder, à dominação e à violência, muito mais que ao sexo. Muitos criminosos sexuais se utilizam de objetos para a violação. Acredito em punição rigorosa para os agressores, sem dúvida, mas também em prevenção. Temos que atacar as raízes culturais do estupro, acabar com a ideia de que as mulheres são seres inferiores que podem ser usadas como objetos sexuais. E também precisamos parar de julgar as vítimas, culpando-as, e também de relativizar o crime.Temos que lutar contra os projetos de lei que dificultam o atendimento das vítimas nos serviços de saúde.

  3. Elvira disse:

    A violência contra a mulher, o estupro, a misoginia tomam mais vulto, ainda, quando temos parlamentares feito Bolsonaro, aplaudido e defendido por milhares de pessoas, como se a mulher não fosse um ser humano e não merecesse respeito e sim um objeto.

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