O Carnaval no Brasil

Publicado em 3 de março de 2014 por - História do Brasil

O Cristianismo o associou o Carnaval à Quaresma, que antecede a Páscoa; o Judaísmo, à festa de Purim e o Islamismo, às mascaradas que ocorrem no início móvel do seu ano lunar.  Há antepassados do carnaval na longínqua Babilônia e na Roma Antiga. Mas é no calendário cristão que brotam suas raízes mais fortes.Durante a Idade Média, na Europa, os jovens tingiam o rosto com cinzas e se vestiam de mulher, assustando as pessoas em cujas casas, entravam para comer e beber. Na Idade Moderna, marchavam “mascaradas”,  constituídas por estudantes ou artesãos fantasiados. Nas cidades italianas, o Carnevale era ocasião em que os aristocratas cavalgavam pelas cidades com suas melhores roupas e em Veneza, multiplicavam-se os que se disfarçavam com máscaras. Lá, surgiram as figuras do arlequim e do polichinelo saídas do teatro e da chamada “commedia de l´arte”. Lá, também se inventaram os confetti, antes feitos com grãos açucarados e, depois, substituídos por papel colorido.

A festa atravessou o Atlântico junto com os navegadores portugueses e, durante o período colonial, era chamada de Entrudo: nele, se atiravam frutas de cera, limões ou laranjas, repletos de água de cheiro nos passantes, além de se pintar à cara com farinha ou pó branco. Seringas enormes, cheias de líquido colorido, também eram esvaziadas sobre  as pessoas. Homens, mulheres e crianças, livres e escravos, brincavam juntos nestes dias de alegria. Viajantes estrangeiros apontaram a diferença entre o nosso carnaval e o deles. O pintor francês Debret foi um que comentou: “O Carnaval no Rio e em todas as províncias do Brasil não lembra nem os bailes nem os cordões barulhentos de mascarados que, na Europa, comparecem a pé ou de carro nas ruas mais freqüentadas”. A ideia, aqui, era se inundar de água. E muitas vezes, tais banhos eram brutais, como se queixaram alguns, posteriormente resfriados!

Na primeira metade do século XIX, o carnaval ganhou um empurrão. Em 1840 realizou-se o primeiro baile aberto ao público, no hotel Itália, na Corte. Alguns anos depois, o português José Paredes saiu às ruas tocando um bumbo e criando o personagem do Zé Pereira. A rua do Ouvidor, maior artéria da capital, era invadida por cortejos que passavam por baixo de arcos decorados o oferecidos por “homens de negócios”, ricos da cidade. Tais grupos fantasiados seguiam cantando versos cômicos, em que satirizavam os fatos políticos do ano. Nas sacadas, belas damas e cavalheiros fantasiados, aplaudiam. Foliões de rua se juntavam aos blocos e aos ranchos que cantavam e dançavam ao som de bumbos, harmônicas e pandeiros. A primeira sociedade carnavalesca, surgiu em 1855; antes chamada de Zuavos Carnavalescos, depois se tornou os Tenentes do Diabo. Em 1862, o caricaturista Henrique Fleiuss estampou, na revista Semana Illustrada, o desenho do Rei Momo. Até Machado de Assis escreveu sobre a festa.

No século XX, os ranchos ganharam influência iorubá. Nos bairros de Botafogo ou Catete desfilavam baianas e pastoras tocando castanholas. Multiplicaram-se os rancheiros nos grupos intitulados Ameno Resedá ou Flor do Abacate. Os sucessos do teatro de revista e da ópera também davam o tom dos enredos cantados na rua. A gravação do primeiro samba de sucesso, em 1917, o “Pelo telefone”, associou o samba ao maxixe e ao lundu, tornando-se o maior sucesso. Em 1932, o prefeito do Rio de Janeiro, Pedro Ernesto deu início ao processo de oficialização do carnaval das chamadas Escolas, criadas por Tia Ciata, Sinhô e outros sambistas dos bairros do Estácio e Mangueira, promovendo os desfiles e prêmios para os mesmos. Em 1949, a Rádio Continental fez a primeira transmissão do Carnaval carioca. Daí para frente, a festa não parou mais. Em 1950, Dodô e Osmar inventaram o duo elétrico e, em 1994, o sambódromo do Rio se tornou patrimônio Cultural do Estado. Paramos por aí? Não. Há outros carnavais. No México, nos Andes, no Caribe, na Índia, em Nova Orléans, EUA ou no Golfo do Benim, o riso, a música e a dança continuam a marcar, com alegria, os calendários das mais diversas culturas. – Mary del Priore

debretcarnaval

“Cena de Carnaval”, de Debret.

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2 Comentários

  1. HELIO DE AZAMBUJA RODRIGUES disse:

    Saber é sempre bom…juntar estórias que viraram história.

  2. HELIO DE AZAMBUJA RODRIGUES disse:

    Saber é sempre bom…juntar estórias que viraram história.

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