Mulheres chefes de família

Publicado em 8 de junho de 2014 por - História do Brasil

A família senhorial apresentava algumas características também encontradas no restante da sociedade. Elas podiam ser “extensas”, englobando familiares e agregados, parentes pobres ou solteiros, filhos bastardos e concubinas. Ou podiam ser, ainda, famílias de elite monoparentais, ou seja, aquelas em que havia, apenas, um dos membros do casal. Essas eram em geral lideradas por viúvas que viviam com seus filhos e irmãos ou irmãs solteiras. Em ambos os casos eram comuns as núpcias entre parentes próximos, primos e até meios-irmãos. Para que o casamento se realizasse era preciso pedir ao bispo a “dispensa por consaguinidade”. Como a Igreja proibia o matrimônio entre parentes por laços de sangue ou por laços espirituais (caso de padrinho e afilhada, por exemplo), cabia às autoridades religiosas examinar cada pedido de dispensa. Eram raros, no entanto, os pedidos negados.

As mulheres viúvas ou abandonadas, que tocavam suas fazendas com a ajuda dos filhos ou de irmãos, deveriam aparentar “viver com honra e recato, cumprir deveres de mulher cristã, manter costumes de decoro…”. Algumas delas, donas de muitos escravos,  não hesitavam em montar a cavalo e em fazer longas viagens pelo interior ou pelo litoral em busca de boas oportunidades de negócios: compra e venda de mercadorias e de produtos comestíveis, escravos, mulas, etc.  Era comum também mandarem seus filhos mais velhos abrir frentes de trabalho em fazendas distantes, tentando com isso, ampliar a extensão das terras que já possuíam.

As mulheres empobrecidas com a morte ou o abandono do marido, também tinham que encontrar uma forma de se manter: transformar suas casas em hospedarias, alugar chácaras e viver dos excedentes da roça  ou fazer doces que mandavam os escravos vender pelas ruas. Algumas viviam da prostituição de suas escravas ou dos serviços prestados pelos seus escravos como carregar tonéis de água, transportar pessoas em redes, descarregar barcos que chegavam aos portos, etc.

As listas nominativas – espécie de censo demográfico do século XVIII – revelam vários destes casos como o de D. Maria Joaquina, paulista que:

“vive de suas quitandas, viúva, branca, de 56 anos, morava ao norte da Sé com uma filha solteira e 5 escravos.” Ou de  Maria Antonia da Fonseca, quitandeira, viúva, branca de 50 anos, morava em Santa Ifigênia com 5 agregados e 10 escravos.

Nas famílias senhoriais muito numerosas era comum reservar a carreira de padre ou freira para alguns dos filhos, mesmo que esses não tivessem nenhuma vocação religiosa. Dessa forma a riqueza ficava concentrada apenas nas mãos de alguns deles, em geral o mais velho que por sua vez, deveriam procurar aumentá-la fazendo “bons” casamentos.- Mary del Priore.

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