Maria Perpétua – A bruxa da ilha de São Sebastião

Publicado em 28 de novembro de 2015 por - História do Brasil

Por Caroline de Oliveira Dias.
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Maria Perpétua nasceu em Portugal, por volta de 1790. Casou-se muito jovem, com o escrivão Rodrigues Siqueira, que veio a falecer cedo, deixando-a viúva. Com a morte do marido, mudou-se para o Brasil e casou-se novamente, desta vez com o Sr. Antônio, um oficial militar aposentado, com quem teve um filho.
Então, ela foi morar na ilha de São Sebastião, litoral norte do estado de São Paulo.
Durante sua permanência na ilha, começou a se envolver com o ocultismo e passou a trabalhar como cartomante.
Seus clientes eram, na maioria das vezes, marinheiros de navios mercantes e negreiros que aportavam na ilha de São Sebastião para se abastecer, e iam até ela em busca de proteção mágica para prosseguir viagem. Sua fama como feiticeira aumentava cada vez mais, e ela começou a vender amuletos e poções afrodisíacas.
Quem não ficou nada satisfeito com isso foram os moradores da ilha, pois eram radicalmente contra as ações de Maria Perpétua e seu envolvimento com a magia.
Por volta de 1812, ela foi denunciada às autoridades locais por bruxaria e feitiçaria. Entre os denunciantes, estava o capitão Domingos, o comerciante de escravos mais importante da região.
Segundo consta, Maria Perpétua teve um desentendimento com Joana, uma das escravas do capitão Domingos, e jurou vingar-se. Coincidentemente, alguns dias depois, Joana adoeceu e, em seguida, veio a falecer. O capitão Domingos, junto com outros moradores da ilha, deu queixa ao padre do vilarejo acusando Maria Perpétua de ter jogado um feitiço na escrava, e assim, ter provocado a morte dela.
O governador da capitania de São Paulo ficou sabendo do ocorrido, e deu ordem para que a casa dela fosse investigada. Além de diversos apetrechos de magia, foi encontrada uma orelha humana seca. Por essa razão, foi presa e levada para a cadeia de São Vicente, sob a acusação de bruxaria. Mas, como seu marido ainda exercia certa influência na região, ela foi liberada logo em seguida.
Tempos depois, ela foi denunciada por envenenamento e por vários outros casos envolvendo bruxaria. Em 6 de outubro de 1817, durante uma discussão com o marido, Maria Perpétua levou uma facada e acabou morrendo por hemorragia.
Curiosamente, cinco anos depois de sua morte, foi aberto um processo contra ela a mando do capitão-mor da ilha de São Sebastião.
Caroline Oliveira Dias nasceu no litoral norte de São Paulo e sempre ouviu histórias e lendas a respeito da “bruxa de São Sebastião” – o que despertou sua vontade de fazer pesquisas sobre a personagem.  Estudante do 2º ano de História, em São José dos Campos.
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Imagens do processo aberto em 1822 pelo capitão-mor da ilha de São Sebastião, cedidas à autora pelo arqueólogo Roberto Gomes. Acima, uma suposta imagem de Maria Perpétua.

 

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5 Comentários

  1. Andrezza disse:

    Olá! Sou Andrezza e tambem estudante de Historia. Estou tentando fazer minha iniciação cientifica sobre Maria Perpetua, será que voce poderia e ajudar? Conhece bibliografia sobre ela? E onde posso encontrar a documentação relacionada a ela? o grimorio é verdadeiro?
    obrigada!

  2. Marcia disse:

    Muito boa, me lembrou minha infância..Nasci no litoral de São Paulo e sempre ouvia essa história quando criança …..

  3. Rafaela disse:

    Muito bom mesmo..

  4. Luiz Tadeu disse:

    Muito interessante. Parabéns.

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