Lançamento: “A Companhia de Jesus na América – por seus colégios e fazendas”

Publicado em 17 de outubro de 2015 por - História do Brasil

No Rio de Janeiro, os jesuítas, por meio de seu Colégio, eram administradores das fazendas e engenhos de São Cristóvão, do Engenho Velho, do Engenho Novo, de Santo Ignácio dos Campos Novos, de Sant’Anna de Macaé, dos Campos dos Goitacazes, da Papucaia de Macacu, do Saco de São Francisco Xavier e de Santa Cruz. Já o Colégio de Córdoba era responsável por uma série de fazendas, destacando-se dentre elas Santa Catalina, Caroya, Jesus Maria e Alta Gracia.

Os textos reunidos na obra são representativos de uma nova historiografia brasileira e argentina e, quando analisados em conjunto, permitem a identificação de alguns pontos a respeito da presença da Companhia de Jesus nas duas áreas em questão. Optamos por não apresentar cada um dos textos em separado para que o leitor possa, nesse momento, ter uma visão geral da obra e de suas contribuições às discussões sobre a presença da Companhia de Jesus no Brasil e na Argentina.

Uma das conclusões apresentadas é a demonstração de que as fazendas/engenhos/haciendas, apesar de estarem inseridas em espaços geográ- ficos diferentes e submetidas a duas coroas católicas, possuíam variadas semelhanças entre suas estruturas, na medida em que faziam parte de um complexo maior que era o projeto missionário jesuítico. Observam-se também as intricadas formas que os inacianos encontraram para gerar riqueza, utilizando-se para isto das doações de terras e do controle sobre a mão de obra indígena e negra em terras da América portuguesa e espanhola. Os textos apontam ainda, para a existência de conflitos entre os jesuítas e a sociedade que circundava as fazendas/engenhos e as haciendas decorrentes de problemas locais, principalmente o controle sobre a mão de obra indígena, mas também de caráter mais amplo que envolviam decisões metropolitanas ou romanas.

A partir do levantamento dos acervos das boticas das fazendas e das bibliotecas afetas aos Colégios jesuíticos do Rio de Janeiro e de Córdoba, foram evidenciadas formas de circulação de saberes relativos à gestão de pessoas e de propriedades, bem como de práticas médicas entre as distintas áreas de atuação da Companhia de Jesus, envolvendo estes centros de formação instalados na Europa, no Oriente e na América. Um outro grupo de textos sinaliza para as questões ligadas à administração dos bens jesuíticos pelas Coroas portuguesa e espanhola no momento posterior à expulsão, apontando inúmeras semelhanças e/ou diferenças na ação de ambas as monarquias. Também identificam como se sucederam as ações e práticas dos funcionários coloniais nomeados para administração dos colégios do Rio de Janeiro e de Córdoba.

Num apanhado geral do projeto, temos oito textos contemplando os colégios jesuíticos de Córdoba e do Rio de Janeiro ao longo dos séculos XVII e XVIII, trabalhados por dez autores de sete instituições diferentes. Num esforço conjunto, buscou-se mapear os principais aspectos das histórias de dois dos mais importantes colégios da América colonial. Importância devida não só ao seu tamanho e relevância em diferentes 8 áreas da vida cotidiana, mas também à sua representatividade para as histórias econômicas das áreas em questão.

Além disso, agrega-se valor pela infinidade de sendas abertas pelos textos que buscam muito mais apresentar questões do que resolvê-las. Sabemos que nenhuma história se esgota em uma obra, e por isso mesmo, a intenção deste projeto foi, desde o início, indicar múltiplas possibilidades de investigação a partir de um mesmo objeto, apontando para o diálogo entre os que estudam facetas de uma mesma realidade.

A viabilização de um projeto desta monta viria a contribuir, de modo significativo, para o conhecimento das origens e das transformações que estas duas áreas sofreram no curso de suas histórias. As atividades econômicas da Companhia de Jesus revelam alguns indícios sobre a história econômica da América portuguesa e da espanhola coloniais. O papel dos ranchos e das fazendas jesuíticas deve ser pensado no bojo da expansão da fronteira colonial, pois suas enormes extensões de terra propiciaram a formação de barreiras contra invasões dos índios e suas atividades comerciais ajudaram a cimentar e desenvolver vínculos econômicos e comerciais com outros centros.

Percebe-se, nos capítulos aqui apresentados, um conjunto de obras que se voltam, de formas variadas, para a análise do papel econômico desempenhado pelos religiosos da Companhia de Jesus, tema que é, em certa medida, negligenciado pelos historiadores que analisam a presença desta ordem nas Américas, principalmente, a portuguesa. Poucos são os historiadores que apresentam questões referentes à administração dos bens jesuíticos. Esse livro pretende, assim, contribuir para a diminuição desta quase ausência temática a respeito do papel destes religiosos na capitania do Rio de Janeiro e na Província Jesuítica do Paraguai.

Leia http://www.garamond.com.br/produto/9788576174233.pdfmais:

“A Companhia de Jesus na América por seus colégios e fazendas Aproximações entre Brasil e Argentina (século XVIII)”.

Marcia Amantino, Eliane Cristina Deckmann Fleck, Carlos Engemann (orgs.). Editora Garamond, 2015.

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O lançamento será no dia 12 de novembro às 19 horas na livraria Blooks, em Botafogo, Rio de Janeiro.

 

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1 Comentário

  1. Inácio disse:

    “gestão de pessoas” foi ótima. As bases jesuíticas do RH, em relação aos seus subordinados. Saberes pra concursos ADM.

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