JERÔNIMA MESQUITA E O VOTO FEMININO

Publicado em 5 de outubro de 2014 por - História do Brasil

Por Natania Nogueira.

Jerônima Mesquita é uma personagem pouco conhecida da nossa história, mas não necessariamente menos importante. Ela nasceu em Leopoldina, Minas Gerais, no dia 30 de abril de 1880, na Fazenda Paraíso. Teve quatro irmãos, Francisca de Paula Lynch, Jerônimo Mesquita, Maria José e Antônio José de Mesquita e Bonfim.

Seu pai, José Jerônimo de Mesquita, era filho de um dos maiores comerciantes de pedras preciosas do Império. Ao se casar, recebeu a fazenda Paraíso de presente de seu avô, o marquês de Bonfim. Lá nasceram seus filhos.  Sua mãe Maria José Vilas Boas de Siqueira Mesquita nasceu na fazenda da Glória, em Angustura (MG), no dia 28 de janeiro de 1862. Era filha de Josefina Vilas Boas de Siqueira, de uma família de fazendeiros, e do rico cafeicultor Antônio Antunes Siqueira (1808-1874).

Jerônima era a mais velha de cinco irmãos. Com eles recebeu as primeiras letras ainda em casa, com tutores, que o pai mandava vir do Rio de Janeiro ou de outros centros urbanos. Quando mais velhos, foram estudar em colégios europeus. Jerônima fez os estudos secundários na França. Lá ela pôde presenciar a luta das mulheres pela igualdade. Aos 17 anos casou-se, por imposição da família, com um primo, com quem teve um filho. O casamento não foi bem sucedido ela separou-se do marido dois anos depois e nunca mais se casou. Quando eclodiu a I Guerra Mundial, Jerônima ingressou como voluntária da Cruz Vermelha de Paris e depois serviu à Cruz Vermelha Suíça.

Ao retornar ao Brasil, tornou-se uma ativista na luta dos direitos da mulher, juntamente com as amigas Stela Guerra Duval e Bertha Lutz, que conheceu na França. Foi uma das fundadoras da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF) em 1922. Jerônima foi uma das pioneiras na luta pelo direito ao voto feminino, atuando no movimento sufragista de 1932. Com Bertha Lutz e Maria Eugênia, em 14 de agosto de 1934, lançaram um manifesto à nação, chamado de Manifesto feminista.

Juntamente com um grupo de companheiras e fundou o Conselho Nacional das Mulheres, em 1947, no Rio de Janeiro. O Conselho Nacional de Mulheres do Brasil (CNMB) é uma organização cultural, não governamental, que tem por objetivo em defesa da condição da mulher.

Jerônima destacou-se por sua atuação como feminista, sufragista e assistente social. Foi uma mulher de fibra que não se deixou intimidar pelas regras sociais elaboradas e impostas pelos homens. De família rica, dedicou sua vida a ajudar mulheres que tinham muito menos que ela. Andou entre doentes e ajudou a aplacar a dor dos feridos durante a I Guerra Mundial. Buscou justiça através da igualdade de homens e mulheres perante a lei. Sua luta e de suas companheiras, como Bertha Lutz possibilitaram que muitos avanços sociais e políticos fossem conquistados pelas mulheres brasileiras.

Depois de tantas décadas de luta pelos direitos da mulher e contra a injustiça, a leopoldinense Jerônima Mesquita faleceu na cidade do Rio de Janeiro, onde morava, em 1972.  Quando foi finamente aprovada a lei que instituía o dia Nacional de Mulher, ficou decidido que este dia seria 30 de abril, data de seu nascimento.

 

 

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3 Comentários

  1. Natania disse:

    Sou fã da Jerônima, Cláudia! Acho que ela é pouco lembrada e pouco valorizada, tanto regionalmente quanto nacionalmente. Quem sabe a gente não muda isso?

  2. Cláudia Mesquita disse:

    Natania, parabéns pelo artigo.

    Tenho a honra de ser sobrinha neta de Jerônima Mesquita.
    Abraços.
    Cláudia

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