Extremismo x Preservação Patrimonial

Publicado em 13 de março de 2015 por - História

    Por Natania Nogueira.

 

irã             

Imagem disponível em: http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/estado-islamico-continua-a-destruir-patrimonio-arqueologico-no-iraque-1688578, acesso em 11 mar. 2015.

É bem provável que boa parte dos leitores, se não todos, já deva ter lido ou visto em algum noticiário algo sobre a destruição de uma considerável e importantíssima parcela do nosso patrimônio, na Síria e no Iraque. Sim, nosso patrimônio, da humanidade. Um patrimônio que está sendo tirado de nós por atos de vandalismo e terrorismo, justificados, imaginem, pela religião.

Não que isso seja uma novidade. Pelo contrário. Para quem não sabe, por exemplo, durante a conquista e colonização da América vários documentos maias foram destruídos. A Igreja católica determinou que livros fossem queimados, alegando que se tratavam de “superstições e mentiras do demônio”. Tudo destruído, em nome da fé. Restando apenas três livros conhecidos: o Códice de Dresde, o Códice de Madri e o Códice de Paris. Um conhecimento ao qual não teremos acesso. Um tesouro perdido devido à intolerância.

Não esqueçamos ainda que, em 2001, o Talibã explodiu estátuas conhecidas como os Budas de Bamiyan, no Afeganistão,cuja criação remontava ao século VI; e que, recentemente, em 2013, militantes no Mali incendiaram bibliotecas onde estavam guardados raríssimos manuscritos históricos.

Entretanto, o que mais tem incomodado nas notícias que têm chegado nos últimos dias é a hipocrisia dos ditos “extremistas”. Ao mesmo tempo em que destroem sítios arqueológicos, saqueiam as antiguidades que são vendidas no mercado negro para financiar a guerra.

O Conselho de Segurança da ONU reagiu e proibiu todo o comércio de artefatos históricos vindos da Síria. Além disso, considerou os citados atos de atentado ao patrimônio cultural da humanidade como crimes de guerra. Mas o fato é que, na prática, pouco pode ser feito a respeito. O que já foi destruído dificilmente será recuperado, e as relíquias vendidas no mercado negro talvez estejam perdidas para sempre. A guerra é, possivelmente, a maior inimiga da preservação patrimonial.

Infelizmente, temos, aqui no Brasil -, um país marcado pela diversidade e pelo sincretismo religioso -, nossos próprios exemplos de destruição do patrimônio histórico e cultural, justificado pela fé. Imagens sacras e Igrejas, protegidas pelo tombamento, reconhecidas como patrimônio cultural, são alvos de vândalos. Atos em escala um pouco menor, claro, mas que não podem ser desconsiderados. A intolerância parece andar lado a lado com as religiões. Uma minoria radical que se esconde por trás de uma determinada religião para pregar a violência.

Aqui, na Síria ou no Iraque, nosso patrimônio está sendo tirado de forma violenta. A sensação de impotência é incômoda. É, imagino, como ser agredido e não poder reagir.

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