Especial TCC: Pink e Cérebro e o domínio do mundo: para conquistar é necessário planejar – parte 1

Publicado em 30 de outubro de 2014 por - Educação

Por Iuri Andréas Reblin.
     Uma pesquisa sempre começa pela escolha do tema e da elaboração de um problema. Uma vez concluída essa etapa, você pode dar prosseguimento a sua pesquisa. Nessa direção, embora nem todos os cursos ou nem todos os orientadores e nem todas as orientadoras exijam a elaboração de um projeto de pesquisa no exercício de produção do Trabalho de Conclusão de Curso (deixando antes para programas de lato sensu e stricto sensu) é muito importante, para fins de organização e clareza de pensamento, a elaboração de um (mini)projeto de pesquisa.
     Talvez você se pergunte “Por que eu tenho que escrever um projeto, se posso já ir escrevendo diretamente o trabalho? Afinal, tenho todas as principais ideias na minha cabeça”. Mas não é bem assim. Já afirmava Heráclito que “ninguém se banha duas vezes no mesmo rio”; isto é, à medida que vamos lendo e nos envolvendo com o tema de pesquisa, nosso pensamento vai se transformando e pode ser que ele já não seja mais exatamente o mesmo daquele no instante em que você iniciou a sua pesquisa. “Tudo flui”, diria o filósofo. E essas variações e, por vezes, possíveis contradições que possam ser evocadas no processo de investigação são muito interessantes e, em si, já fazem parte da própria pesquisa. Além disso, o projeto de pesquisa evitará que você “se perca” ou “ande em círculos” ou “perca tempo” ou ainda despenda forças em focos secundários, ou mesmo não relevantes, durante a pesquisa. Em outras palavras, o projeto definirá os eixos, os métodos, os recursos, as estratégias, as bases teóricas da sua pesquisa. É uma etapa crucial. E, mais ainda, para aqueles e aquelas que ainda acham que é “desperdício de tempo” elaborar um (mini)projeto de pesquisa, saibam que quase todo ele pode ser aproveitado no próprio trabalho: na introdução.
     [Breve excurso sobre redação do trabalho: Na introdução de um trabalho de pesquisa, o ideal é sempre você apresentar uma pequena contextualização do assunto do TCC, suas motivações iniciais para pesquisar determinado tema, a relevância, o problema e os objetivos, as suspeitas iniciais, o referencial teórico, aspectos do delineamento metodológico e, por último, a estrutura do TCC, isto é, a exposição breve do que consta em cada capítulo. É o “tipo” da pesquisa – se é graduação, especialização, mestrado ou doutorado – que irá determinar a intensidade da descrição da introdução; não obstante, essa é o conteúdo e a estrutura elementar da introdução do trabalho e, mais ainda, todos esses tópicos, à exceção da descrição dos capítulos estão presentes no projeto de pesquisa!]
       É importante ressaltar que o projeto de pesquisa não é a pesquisa em si, mas o planejamento e o estabelecimento dos parâmetros desta. Um projeto de pesquisa é, antes de tudo objetivo, em “embromações”. Convencionalmente, ele é apresentado, em termos de layout, com uma capa, seguida, nas páginas seguintes, da descrição em sequência de cada um desses tópicos (sem divisão de página por tópico). Convencionalmente, sugere-se que projetos de pesquisa tenham, em termos de paginação, a seguinte delimitação (incluindo referências, considerando que capa não conta página): graduação e especialização: 7 a 10 páginas (máximo 10); mestrado: 8 a 12 páginas (máximo 15); doutorado: 10-17 páginas (máximo 20).
       Não por último, é muito importante, desde o início, cuidar da apresentação da pesquisa. Trabalhos científicos seguem normas de apresentação específicas reconhecidas por uma comunidade. A apresentação de um trabalho científico expressa muito acerca do pesquisador e da pesquisadora e de como ele e ela estão familiarizados com as diferentes etapas da pesquisa e estão em sintonia com o que espera a própria comunidade científica. A apresentação de um trabalho denota a dedicação e a seriedade do pesquisador e da pesquisadora durante o processo de investigação científica. E aqui é muito importante não presumir determinados parâmetros, ou seja, tenha a absoluta certeza de que a forma com que você citou, por exemplo, determinado livro na lista de referências realmente está correta. Não hesite de realizar uma conferência de rotina.
De igual forma, é muito importante o cuidado estético em relação às normas ortográficas. Não hesite em ter sempre um dicionário atualizado em seu editor de texto e não hesite em realizar a verificação ortográfica. Além disso, um olhar de outra pessoa sempre pode auxiliar a identificar determinados lapsos ou vícios de linguagem que você possa possuir.
     Em termos das Normas Brasileiras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (NBR – ABNT), cada ponto, dois pontos, vírgula e negrito ou itálico foi pensado estritamente como parâmetro. Em caso de quaisquer dúvidas, confira, ou no manual de metodologia da instituição ou na própria ABNT. As principais normas utilizadas na definição de apresentação de trabalhos científicos são a NBR 14.724; NBR 6023; NBR 6024; NBR 6027; NBR 6028; NBR 6034 e a NBR 10520. Mais adiante, abordaremos especialmente as questões referentes à apresentação.
     Enfim, apesar do breve excurso sobre o conteúdo da introdução e de um pequeno desvio de trajetória para realizar algumas observações sobre apresentação, para remeter ao título deste post, e do próximo que virá, toda ação investigativa requer planejamento sério para que ela tenha sucesso.
     No próximo post, conheceremos brevemente os tópicos que compõem um projeto de pesquisa. Até lá!

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2 Comentários

  1. Edjane Bezerra disse:

    Interessante.

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