Especial TCC – Da Imprensa à Internet: a garimpagem de fontes

Publicado em 12 de novembro de 2014 por - Educação

Por Iuri Andréas Reblin.

Uma das primeiras e mais importantes etapas da pesquisa acadêmica é o levantamento da literatura especializada. Este levantamento é imprescindível em qualquer pesquisa científica, pois toda pesquisa científica possui uma base teórica que a precede, que a sustenta, que lança perspectivas e instiga a curiosidade. Assim sendo, é fundamental saber encontrar e acessar o conhecimento já produzido. E aqui, as perguntas elementares que nos guiarão neste post são as seguintes: quais são as principais fontes do conhecimento humano? Como separar e filtrar o conteúdo em prol da minha pesquisa?

A principal fonte de acesso ao conhecimento humano já produzido é a produção bibliográfica. Amado Cervo, Pedro Bervian e Roberto da Silva (2007, p. 79), em um dos livros mais referidos quando se trata de metodologia científica, já afirmaram que “praticamente todo o conhecimento humano pode ser acessado nos livros ou outros impressos que se encontram nas bibliotecas”. A literatura impressa foi uma das primeiras formas de registro e preservação do conhecimento humano, persistindo pelo tempo e pelo espaço e possibilitando as novas gerações a ir além. O registro da história, das informações, das situações, das experiências, dos acontecimentos é chave fundamental para que a vida humana tenha um “continua” e não seja a mera repetição de ciclos. Atualmente, com o avanço das tecnologias, o registro da memória e dos conhecimentos em geral assume formas multimidiáticas de preservação e socialização das informações: filmes, áudios, textos escritos (documentos, atas, livros, etc.), hipertextos e hipermídias preservadas no ciberespaço.

Diante dessa pluralidade de informações e veículos de informação, é importante que nós, enquanto protagonistas de uma investigação científica, saibamos realizar um levantamento de material especializado para nossa pesquisa. Para fins didáticos, destacaremos aqui um tipo bem contemporâneo de pesquisas para seleção de material: a busca pela internet.

Como pesquisar pela internet? Como filtrar as informações disponíveis na internet? Quais fontes de pesquisa eu posso utilizar como base? Essas perguntas são mais comuns do que você pode imaginar e são as mais traiçoeiras também, sobretudo, pela falsa credibilidade que a internet dá em determinadas situações, mas, vamos lá! Em linhas gerais, o que pode ou não pode na internet está condicionado à regra de ouro de toda a pesquisa acadêmica e científica: buscar por fontes primárias e confiáveis. Assim sendo, vamos às dicas:

1) Não cite blogs, nem Wikipédia. Ambos não são considerados fontes confiáveis, pois são páginas e websites que estão sujeitos à edição constante, como sabemos, a base da Wikipédia e o texto colaborativo. Além disso, por conta da liberdade de edição do texto, muitas informações que estão na Wikipédia são simplesmente copiadas de outras fontes. Isso significa que, por vezes, ao citar a Wikipédia, você pode estar cometendo o crime de plágio sem saber. De igual forma é a questão dos blogs. Não há como saber exatamente de onde o texto vem ou se eventuais fontes foram citadas corretamente. Agora, a Wikipédia pode ser interessante para auxiliar você na lapidação do conhecimento prévio. Não para você citar em seu trabalho, mas antes para você buscar uma ou outra informação que pode lhe conduzir a outras fontes, ou a direcionar sua linha de pesquisa. Em outras palavras, ela serviria para “uso pessoal”.

2) Utilize mais de um buscar para encontrar seus documentos e material de pesquisa na internet. É fato que o Google se tornou a referência primária na internet, dado o empenho e a dedicação da empresa, mas existem ainda outros buscadores (Yahoo!, Binq, Altavista, etc.) que podem encontrar conteúdos diferenciados. Isso porque cada buscador estabelece filtros de busca e de região. Cada buscador possui parâmetros específicos e uma consulta a mais de um pode trazer referências que, em outras circunstâncias, passariam despercebidas.

3) Uma das principais fontes primárias da internet e propícias para a pesquisa acadêmica são os periódicos científicos. Por conta da democratização do conhecimento e do próprio ensejo de órgãos de fomento, como a Capes, revistas científicas de Programas de Pós-Graduação têm proliferado pelo mundo virtual. Assim, encontrar e acessar conteúdos “frescos” e “saídos do forno” na internet se tornou algo extremamente significante. Agora, como saber como encontrar periódicos científicos? Uma alternativa é buscar no site da própria instituição ou em instituições conhecidas. Os periódicos, geralmente, estão vinculados diretamente no site das instituições de ensino. Outra alternativa é buscar em portais específicos como o Scielo (scielo.org) ou no Portal de Periódicos Capes. Não por último, uma excelente alternativa é utilizar o Google Acadêmico (scholar.google.com). O Google Acadêmico é uma ferramenta dedicada para encontrar artigos científicos, utilizando o simples sistema de busca.

O Google Acadêmico indica nos resultados o tipo de arquivo que seu buscador encontrou em colchetes, com uma descrição (atualmente, em fonte verde) logo abaixo, indicando o direcionamento. No título principal, ele indica se o que encontrou é [LIVRO], [CITAÇÃO], [PDF] ou [HTML]. Se o descritivo abaixo indicar uma revista, você está diante de um artigo. Em geral, o ideal é que você selecione artigos que estejam em PDF, pois se torna mais fácil para citar. O descritivo também pode indicar livros que estão disponíveis no Google Books. Esta também é uma ferramenta interessante para dar uma “espiada” em livros, para saber se dá para adquiri-los, se são relevantes para a pesquisa ou não.

Enfim, há diversas possibilidades de acessar o conhecimento humano produzido, da biblioteca à internet. O importante, nesse movimento, é buscar fontes primárias e confiáveis e citar corretamente a fonte (pois, além de mostrar idoneidade intelectual, reitera o princípio da verificabilidade do pensamento científico). O mundo hoje abre muitas possibilidades de acesso ao conhecimento produzido, mas ainda assim, leitura, paciência para seleção de materiais são cruciais. Até a próxima!

 

Prof. Dr. Iuri Andréas Reblin

Autor de: “O Planeta Diário:
rodas de conversa sobre super-heróis, quadrinhos e teologia”
(São Leopoldo: EST, 2013. 102p.)

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