Educação patrimonial nas escolas: o uso e a elaboração de cartilhas (Parte II)

Publicado em 9 de maio de 2014 por - História do Brasil

Por Natania Nogueira.

Nada, em termos de educação, se faz sem duas coisas: motivação e informação. Se o professor quer realmente trabalhar determinado tema, está motivado a desenvolver um pequeno projeto – com duração de uma ou duas aulas, ou mesmo maior – que possa ser inserido dentro do projeto pedagógico da escola, ele deve estar consciente do esforço que isso irá demandar.

É preciso pesquisar, comprometer seu tempo fora da escola para além daquele que usualmente gasta com atividades obrigatórias, como planejamento, elaboração e correção de avalições. Serão gastas muitas horas em busca e material de apoio, na leitura deste material e, finalmente, na elaboração do produto final.

Não vou simplesmente, um belo dia, me sentar na frente de um computador e dizer: vou montar uma cartilha sem antes levar em conta a necessidade de me equipar de recursos, de referências. É preciso antes de tudo planejamento. Algumas questões dever ser levantadas:

– Qual é meu objetivo?

– Qual o melhor caminho que eu posso tomar?

– Quais os recursos dos quais eu disponho?

Num segundo momento, é necessário realizar um levantamento de dados, de informações sobre o assunto, em livros, artigos, revistas, jornais e qualquer outro material disponível.  Acima de tudo, o professor deve ter a consciência dos limites impostos pela sua realidade. Vou produzir aquilo que sei que será viável para trabalhar na minha escola, com meus alunos e de forma a atingir meus objetivos. Quanto mais simples, melhor.

Na falta de livros, as cartilhas produzidas por órgão governamentais têm assumido um papel importante oferecendo suporte teórico para quem deseja trabalhar com educação patrimonial. Elas podem auxiliar o professor elaborar aulas e criar seu material. Algumas vêm sendo elaboradas justamente nesse sentido, oferecendo sugestões para planejamento de aulas e de atividades.

Mas nem todas são indicadas para uso na sala de aula, pelo menos na educação básica, por terem uma linguagem muito técnica. Assim, é mais recomendável usar a cartilha como suporte do que usá-la como material didático. É sempre bom lembrar que a educação patrimonial deve ser trabalhada desde bem cedo, como alunos do Ensino Fundamental I.

Cabe ao professor adequar a linguagem de acordo com a idade e a capacidade de assimilação do seu aluno. Não posso, por exemplo, utilizar com alunos do 6º ano do Fundamental II o mesmo material produzido para os alunos do 9º ano. E é sempre bom lembrar que a educação patrimonial é multidisciplinar, ou seja, todos os professores, de todos os conteúdos podem realizar ou participar de projetos envolvendo este tema.

Se a sua localidade ainda não produziu uma cartilha sobre educação patrimonial, o professor pode utilizar as já existem disponíveis na internet, pois elas certamentevão trazer informações que podem ser adaptadas para contextos locais. O educador pode adaptar o roteiro de acordo com suas necessidades, substituir imagens e acrescentar informações.

A quantidade de páginas vai depender da proposta do professor. Se ele quer fazer um trabalho rápido, em uma aula ou duas, ele pode criar uma cartilha na forma de um “folder”, fácil de ser montado e que pode ser impresso na escola com um custo baixíssimo. Se ele quer incorporar a educação patrimonial às suas aulas, pode criar um material mais amplo, dividido em temas que se intercalam ao conteúdo exigido pelo currículo.

Uma outra sugestão é elaborar o material a partir de atividades em sala de aula. Ou seja, reunir conteúdo a ser utilizado por outros professores juntamente com os alunos. Hoje, com a internet, os professores podem divulgar as atividades realizadas em sala de aula. Essa partilha é importante tanto para valorizar o trabalho realizado quanto para incentivar outros profissionais a fazer o mesmo.

Particularmente não acredito que existam trabalhos mais ou menos importantes dentro da educação. Acredito em trabalhos que atinjam seu(s) objetivo(s). Vejo colegas que se intimidam facilmente com a palavra “projeto” ou com a possibilidade de expor aquilo que produzem no dia a dia. Existe o medo da crítica, mas existe ainda a questão de valorização do trabalho, ou no caso da autovalorização. Professor, se você teve uma ideia, a transformou em uma ação e esta ação teve resultados positivos, compartilhe com seus colegas, você vai fazer muito mais diferença do que imagina.

 

Sugestões:

BESSA, Altamiro Sérgio Mol. Preservação do Patrimônio Cultural: nossas casas e cidades, uma herança para o futuro. Belo Horizonte: GREA/MG, 2004. Disponível em: http://www.casoi.com.br/hjr/pdfs/cart_patrimonio_hist.pdf, acesso em 04/05/2014.

MACEDO, Ana Paula Rezende.Patrimônio Cultural – Que bicho é esse? Uberlândia, Secretaria Municipal de Cultura/Diretoria de Memória ePatrimônio Histórico, 2010. Disponível em: http://www.uberlandia.mg.gov.br/?pagina=secretariasOrgaos&s=23&pg=439, acesso em 04/05/2014.

ROSSI, Alessandra Vanessa. Atividades de educação patrimonial / Campinas, São Paulo, Prefeitura Municipal de Campinas, Secretaria Municipal de Cultura, 2009. Disponível em: http://www.campinas.sp.gov.br/arquivos/cartilha_ed_patrimonial.pdf, acesso em 04/05/2014.

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