Desencontros amorosos no Brasil Império

Publicado em 5 de novembro de 2015 por - História do Brasil

Ele foi um dos homens mais bonitos e elegantes no Brasil do final do século XIX. Ela, uma riquíssima, bela e independente herdeira. Os dois se apaixonaram. Em uma época cheia de convenções sociais e preconceitos, Joaquim Nabuco e Eufrásia Teixeira Leite viveram uma história que se estendeu por mais de 14 anos, repletos de desencontros e desentendimentos…

O amor entre Eufrásia e Nabuco tem inspirado muitas obras, e emocionado os apaixonados pela História do Brasil. Recentemente, foi lançado um novo livro sobre o tumultuado romance: “Um mapa todo seu”, de Ana Maria Machado (editora Alfaguara, 2015). Vamos conhecer um pouco mais sobre o casal:

Eufrásia nasceu em Vassouras, em 1850, numa região que se expandia rapidamente com a riqueza do café. Era a filha mais nova do comissário de café Joaquim José Teixeira Leite (1812-1872), cuja fortuna formou-se sobre os juros de seus empréstimos para as fazendas, o transporte e a exportação dos grãos. A família tinha uma empresa de exportação cafeeira no Rio de Janeiro. Seu pai possuía uma espécie de banco, a “Casa de Descontos”. Era um capitalista do mundo agrário oitocentista. Ela recebeu a educação tradicional dada às moças naqueles tempos, mas não apenas isso. O pai a ensinou matemática financeira, conhecimento que seria a chave de sua independência no futuro.

Eufrásia e sua irmã ficariam órfãs na década de 1870. Diferentemente do esperado, não seriam os parentes do sexo masculino que cuidariam de seus negócios, mas as duas resolutas moças tomariam as rédeas da situação. Emancipadas, foram morar em Paris, para se afastar as pressões familiares e sociais. Na viagem, a herdeira e o abolicionista Joaquim Nabuco (1849-1910) se aproximaram. A paixão foi tão forte que eles resolveram ficar noivos ainda no navio. Enquanto ele esteve em Paris, a relação foi intensa. Entretanto, eles tinham planos diferentes para o futuro.

Filho do senador Nabuco de Araújo, proveniente de uma família tradicional de Pernambuco, Nabuco encarnava o modelo de homem admirado e invejado na época. Mesmo sem possuir fortuna, o diplomata, político e homem de letras tinha uma formação intelectual sólida, boas maneiras, beleza, elegância, que o faziam dominar os salões mais refinados da corte e da Europa.  Mas não era considerado um partido à altura de Eufrásia, pois a diferença econômica era gritante. Os tios dela foram contra o casamento desde o início, porém, isso não foi decisivo no fracasso do romance.

O relacionamento foi tumultuado, como pode-se perceber na correspondência trocada entre eles. Nabuco era sedutor, e era natural, pelos padrões de então, que galanteasse outras mulheres…Eufrásia não era do tipo que desempenhava docilmente seu papel de noiva conformada, e não aceitou o comportamento do rapaz. Outro empecilho: ela queria viver em Paris e ele sonhava com uma carreira política no Brasil. Eufrásia se ofereceria para ajudar financeiramente Nabuco, que vivia cheio de dívidas, mas isso acabou de vez com o romance. Ele se sentiu ofendido com a oferta. Houve muito falatório. Acredita-se que a história do casal teria inspirado José de Alencar, inimigo político do rapaz, a escrever Senhora, trama em que a noiva rica “compra” um pretendente.

Em 1889, Joaquim Nabuco casou-se com outra moça. Parece, contudo, que ele jamais esqueceu a voluntariosa sinhazinha, lamentando em suas cartas a falta de seu grande amor. Eufrásia nunca se casou. Viveu em Paris e tornou-se uma mulher de negócios. Multiplicou sua fortuna. Teve uma vida discreta e luxuosa. Deixou boa parte de sua herança para os pobres e instituições de caridade em Vassouras.

– Texto de Márcia Pinna Raspanti.

BIBLIOGRAFIA:

– QUEIROZ, Eneida. “Senhora de seu destino” (artigo). Revista de História da Biblioteca Nacional, 2013.

– QUEIROZ, Eneida. “A mulher e a casa”. Editora Baraúna, 2013.

– ALONSO, Ângela. ” Joaquim Nabuco: os salões e as ruas”. São Paulo, Companhia das Letras, 2007.

– CATHARINO, Ernesto José Coelho Rodrigues. “Eufrásia Teixeira Leite: fragmentos de uma existência”. Edição do autor, 1992.

– FERNANDES, Neusa. “Eufrásia e Nabuco”. Rio de Janeiro, Editora Mauad, 2012.

– MELO, Hildete Pereira; FALCI, Miridam Britto Knox. “A sinhazinha emancipada: Eufrásia Teixeira Leite (1850-1930)”. Rio de Janeiro, Vieira & Lent, 2012.

– LAGE, Claudia. “Mundos de Eufrásia”. Rio de Janeiro, Record, 2010.

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Eufrásia e Nabuco: afastados pelas convenções sociais da época.

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3 Comentários

  1. Renata Almeida disse:

    Muito bom. Parabéns!!!

  2. Betty Klein disse:

    Adorei!! gostei mais ainda em saber que Eufrasia ja era independente e grande mulher de negocios, naquela época!

  3. Iolanda Figueiredo disse:

    This article is better than the soap operas it has inspired. Thank you!

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