“Dar nome ao novo” investiga o vocabulário decorrente das mestiçagens na Ibero-América

Publicado em 13 de abril de 2015 por - História do Brasil

Quem chama quem de quê? Como cada qual se define e define o outro? A partir dessas questões (complexas e pertinentes), o historiador Eduardo França Paiva, professor na UFMG e coordenador da coleção Histórias & Reflexões, da Autêntica Editora, apresenta Dar nome ao novo – Uma história lexical da Ibero-América entre os séculos XVI e XVIII (as dinâmicas de mestiçagens e o mundo do trabalho).
“Neste trabalho, a história do Brasil do Quinhentos ao Setecentos (América portuguesa) é contada em conexões com a América espanhola e vice-versa, pois o tema central abordado não se restringiu a uma ou outra dessas regiões; ao contrário, suplantou fronteiras geopolíticas – demarcadas ou imaginadas – que não conheceram rígidos limites linguísticos”, explica Eduardo.
 
Resultado de intensa pesquisa acadêmica sobre as terminologias decorrentes do passado mestiço e escravista ibero-americano da época que vai do final do século XV ao início do século XIX, a obra analisa a história do continente americano de forma conectada e pensada em perspectiva comparada, expondo matizes do que somos e de como nos identificamos atualmente.
 
Carmen Bernand, professora Emérita de Paris-Ouest Nanterre La Défense e membro honorário do Institut Universitaire de France, assina o prefácio do livro e discorre sobre o trabalho do autor: “… as mestiçagens biológicas, sobretudo as culturais, chamaram sua atenção. Este novo livro amplia esta temática e propõe um léxico analítico dos termos utilizados para nomear o que ainda não tem nome: os seres híbridos produzidos pela mestiçagem biológica no continente americano”.
 
Dar nome ao novo procura ampliar a temática e propõe um léxico analítico dos termos utilizados a fim de nomear o que ainda não tinha nome: os produtos mestiços biológica e culturalmente – incluídos os humanos – do Novo Mundo. A partir das formas como foram designados, compreendidos, explicados e organizados pelos agentes históricos que o construíram e de uma extensa documentação produzida na época, o autor procurou entender as adjetivações, analisando os significados a elas atribuídos no passado. Assim, termos como índio, branco, preto, crioulo, mameluco, pardo, mulato, entre tantos outros, são apresentados como “qualidades” que serviram para distinguir social e culturalmente indivíduos e grupos sociais.
 
Logo, entender como esse processo de diferenciação se deu e impactou na construção de identidades americanas e em particular brasileiras, especialmente durante a escravidão, acaba por criar a necessidade de observar também a condição servil dos trabalhadores a partir das mestiçagens. E é isso o que faz Eduardo Paiva neste livro.
 
 
Sobre o autor: Eduardo França Paiva é professor de História na UFMG e doutor em História pela USP. Fez estágios pós-doutorais na École des Hautes Études en Sciences Sociales (Paris) e na Escuela de Estudios Hispano-Americanos (Sevilha). Dirige o Centro de Estudos sobre a Presença Africana no Mundo Moderno (CEPAMM), é um dos coordenadores da Rede de Grupos de Pesquisa Escravidão e Mestiçagens (RGPEM), faz parte do Fórum Permanente Universitário Portugal e Brasil: conexões e problemáticas dos mundos moderno e contemporâneo-Fórum PB e lidera o Grupo de Pesquisa Escravidão, Mestiçagem, Trânsito de Culturas e Globalização – séculos XV a XIX (CNPqUFMG). Foi professor visitante em universidades da Espanha e da Bélgica. É investigador associado ao Centro de História da Universidade de Lisboa. Quanto às publicações, é autor de capítulos e artigos científicos no Brasil e no exterior. Suas pesquisas abarcam a história da escravidão e das mestiçagens no Brasil e na Ibero-América, conectada a temas como História Social da Cultura e da Arte, História da América e África e História Moderna.

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