Dale Messick e sua Brenda Starr

Publicado em 26 de fevereiro de 2016 por - História

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Foto de Dale Messick.

Por Natania Nogueira.

Dale Messick pode ser considerada uma das cartunistas norte-americanas mais importantes do século XX.  Ela mostrou que as mulheres podiam fazer quadrinhos de aventura e ter sucesso dentro desse gênero. Geralmente, as cartunistas se dedicavam a produzir quadrinhos com personagens caricatos ou fofos.

Dalia Messick nasceu em South Bend, Indiana, no dia 11 de abril de 1906 e faleceu em 05 de abril de 2005. Foi a criadora de Brenda Starr, Repórter – personagem feminina popular que atingiu seu auge na década de 1950, quando chegou a ser publicada em cerca de 250 jornais.

Brenda é uma audaciosa jornalista que trabalha para o jornal The Flash, vivendo aventuras profissionais e amorosas. Brenda estava  insatisfeita com seu trabalho, que se limitava a notícias da coluna social. Ela desejava algo mais, queria investigar os fatos, queria a ação que seus colegas do sexo masculino vivenciavam na procura de notícias. Ela busca mais espaço dentro da sua atividade profissional. Brenda representa, de certa forma, a mulher que deseja oportunidade para mostrar seu potencial a uma sociedade que não lhe oferece abertura.

Dale Messinck, com Brenda Starr, rompeu com a hegemonia masculina nessa área e criou uma personagem que fez sucesso por mais de setenta anos. Ela simplesmente invadiu o território masculino nos quadrinhos. Ao longo de toda a sua carreira, Dale deparou-se com muita resistência dos homens. Era muito mais julgada pela sua aparência do que pelo seu talento.

Dale recebia muitas cartas de fãs perguntando sobre a personagem, fazendo sugestões e críticas. O interessante é que, mesmo muitos anos depois de os quadrinhos de Brenda Starr estarem circulando em jornais e, posteriormente, em revistas em quadrinhos, ainda havia fãs que não acreditavam que a autora fosse realmente uma mulher.

Em um texto publicado na revista Brenda Starr # 13, de 1955, editada pela Chalton Comics, aparece uma foto da autora e uma breve biografia. O texto começa justamente levantando a questão do sexo de Dale. Ela é mulher, afirma o editorial, e bonita. O mesmo texto segue afirmando que mesmo que as histórias não fossem boas, os cabelos ruivos de Brenda garantiam por si só a devoção dos fãs do sexo masculino, reforçando a objetificação da personagem.

Assim, em meio a loiras e morenas, uma ruiva conquista o coração dos leitores norte-americanos.  A ideia era criar uma tira com uma personagem feminina, cuja carreira como repórter permitisse-lhe viajar pelo mundo e ter grandes aventuras. Os quadrinhos de Brenda Starr eram a mistura de romance, aventura e uma boa dose de humor, que acabou agradando a homens e mulheres.

Se os heróis serviam de inspiração para os rapazes, heroínas como Brenda Starr brincavam com a criatividade das meninas, que podiam se imaginar saltando de paraquedas de um avião, explorando florestas ou fugindo de vilões.

Ao se aposentar, na década de 1980, Dale exigiu que a personagem continuasse a ser produzida, mas apenas por mulheres. Na época, Linda Sutter (roteirista) e Ramona Fradon (ilustradora) assumiram a função de manter a personagem viva. Em uma indústria onde o autor não era dono de sua obra, Dale não apenas controlou a produção dos quadrinhos de Brenda Star até sua aposentadoria como ainda impôs condições para sua continuidade.  E isso foi fundamental para manter a identidade de sua personagem. Seis anos após a morte de sua criadora, em 2011, a personagem Brenda Starr encerrou sua carreira nos quadrinhos.

Os quadrinhos de Brenda Starr eram avidamente consumidos por um público masculino, que cultuava as belas formas da repórter ruiva, mas Dale escreve, também, para as mulheres que sonham com um futuro que possa lhes oferecer um pouco mais do que uma vida doméstica e para mulheres casadas, de classe média, que se encantam com o charme e a ousadia de Brenda Starr. Essa geração que se alimenta das oportunidades geradas pela Segunda Guerra Mundial irá lutar pelo desejo de independência que lhe será negado na década seguinte.

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Texto adaptado da dissertação de mestrado da autora.

Nogueira, Natania Aparecida da Silva.  As representações femininas nas Histórias em Quadrinhos norte-americanas: June Tarpé Mills e sua Miss Fury (1941-1952) / Antônio Paulo dos Santos Filho. – Niterói, 2015.

 

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