Crítica a ‘bela, recatada e do lar’ é intolerante com Brasil ‘invisível’, diz Mary del Priore

Publicado em 24 de abril de 2016 por - artigos

           Tem sido bastante discutida a entrevista de Mary del Priore à BBC Brasil, sobre o perfil de Marcela Temer publicado na revista Veja. Para a historiadora, as mulheres “belas, recatadas e do lar” representam uma parcela das brasileiras que não tem ligação com os movimentos feministas e as lutas pela igualdade de gêneros, e que, portanto, muita gente prefere ignorar. A reação negativa à reportagem apresentada pela revista seria uma forma de intolerância da nossa sociedade. Há alguns dias publicamos aqui no blog um artigo a respeito do tema, no qual a autora, Márcia Pinna Raspanti (que sou eu) argumentava que as críticas eram direcionadas à ideia da imposição de um modelo ideal de mulher, e não à Marcela Temer. Foram apontadas as semelhanças do artigo da revista semanal com as publicações destinadas ao público feminino nas primeiras décadas do século XX. São duas formas diferentes de abordar a mesma questão. Qual a sua opinião?

Confira a entrevista da historiadora à BBC Brasil: Entrevista de Mary del Priore, BBC Brasil

 

 

bela

Imagem: BBC Brasil.

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3 Comentários

  1. Adriana Alves da Silva disse:

    Não ser do lar não é mais uma opção da mulher hoje em dia, tornou-se na maioria dos casos uma necessidade por vários motivos. Vivemos numa sociedade consumista, incentivado pela mídia. A mulher quer ter uma casa bem equipada, andar na moda, cheirosa, filhos bem vestidos e só com o salário do marido fica difícil. E mesmo com um marido rido a mulher hoje em dia que não trabalha é vista por muitos como acomodada, dominada e até fútil.

  2. Allysson F. Garcia (@macambiragyn) disse:

    Há dois problemas centrais na crítica de Priore. O primeiro é aludir o perfil de Marcela Temer às mulheres do interior do Brasil, ainda mais quando sabemos que boa parte dos “lares” são sustentados pelas mulheres. O segundo, está na defesa de um perfil fictício, com claras motivações políticas, muito além da vontade individual de Marcela Temer em supostamente querer ser “viver dessa forma”.
    Outro aspecto que chama a atenção é dizer que a violência contra a mulher, a homofobia “ainda nos tornam um país de selvagens”. Realmente os “civilizados” são de uma tolerância para com a diversidade que é comovente.

    • Romário Almeida disse:

      Suas duas críticas ao texto de Priore tem problemas. O primeiro é ignorar que a autora se refere à mulheres que tem o mesmo perfil que Marcela Temer, argumentando que estão mais presentes no interior onde bela, recatada e do lar são qualidades importantíssimas. Aqui, a autora trata de pintar de forma geral e ilustrativa a mulher do interior brasileiro e não argumentar que todas interioranas se encaixam nesses moldes, mesma coisa pra capital.
      Segundo problema, toda descrição do perfil de algum indivíduo é em algum nível fictício e nada está livre de motivações políticas. Uma descrição de uma mulher de perfil “esquerdista” também traria motivação política, ainda mais quando se trata da provável futura primeira dama de um país. Este episódio denota a revolta seletiva desses canhotos. O feminismo abandonou a liberdade do indivíduo (liberalismo) há muito. Hoje, luta apenas pelo coletivismo burro. A mulher deveria viver ( ou dizer que vice) como bem entender, deveria ser livre. E os indivíduos que entendem determinadas características como boas deveriam ser livres pra faze-lo. Como cansa a intolerância dos oprimidos.

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