Conheça o documento oficial do processo para a expulsão da Família Imperial

Publicado em 8 de fevereiro de 2015 por - História do Brasil

Com a instituição do regime republicano, em 1889, foi iniciado o movimento para expulsão da família imperial do país. Leia, na íntegra e no original, esse histórico processo, datado de 1903. Confira no link abaixo:

http://goo.gl/Ajw1dl

 

Como a família imperial reagiu à expulsão e ao exílio? Mary del Priore nos dá uma ideia do seu estado de espírito:

Exílio… Terrível palavra velha conhecida dos Orléans e dos Bragança. O vocábulo os submergiu. Eles sabiam que, junto ao esquecimento das opiniões, iria se somar a ingratidão. D. Pedro não se debateu contra a tempestade. Gastão, por sua vez, haveria de lembrar o comportamento do avô, Luis Felipe de Orléans. Ele acreditava que os movimentos populares tinham a ver com as estações do ano. Que precisavam de calor e céu azul. “Não se fazem revoluções no inverno”. Caiu do trono porque, entre outras coisas, errou a previsão do tempo. Ele bem ouviu quando sua mãe, Vitória, disse ao pai: “Luís, posso morrer, mas não quero que me cortem a cabeça”! Luís Felipe, no inverno de 1848 parecia tão alheio aos fatos quanto D. Pedro, no verão de 1889.

Os dois monarcas demonstraram extraordinária indiferença aos rigores cotidianos da nova existência. Ambos sem tostão. A família de Gastão valeu-se de empréstimos feitos junto a Lord Aberdeen, um velho amigo inglês. Sem ele, seria a miséria. Levaram anos para recuperar a fortuna que deixaram na França. A família de D. Pedro, ao contrário, quase não tinha recursos. E nem a quem pedir. Ao chegar a São Vicente, nas Ilhas de Cabo Verde, a primeira atitude do Imperador foi enviar uma carta ao seu procurador, recusando qualquer gesto de generosidade do governo provisório:

“Tendo tido conhecimento, no momento da partida para a Europa, do decreto pelo qual é concedida à família imperial, de uma só vez, a quantia de cinco mil contos, mando que declare que não receberei, bem como minha família, senão as dotações e mais vantagens a que temos direito pelas leis, tratados e compromissos existentes”.

No dia 18, às cinco horas da manhã, o Alagoas passou pela Ilha Rasa. Gastão acordou os pequenos para se despedirem da pátria. Não se sabe se alguém jamais pensou numa regência provisória, a fim de que Baby Pedro assumisse, depois da maioridade. O assunto foi discutido quando Luis Felipe caiu e correu um rumor sobre um futuro reinado do pequeno Conde de Paris. No caso deles, nem isso. Iam todos sofrer o que uma poetisa chamou de “os males da ausência”: a dor da nostalgia, as privações em terra alheia, o som triste dos réquiens.  Ao despedir-se dos últimos pedaços de litoral brasileiro, Isabel grafou:

“Não se pode ser completamente feliz neste mundo! Meu verdadeiro bom tempo já passou! Conserve-me Deus ao menos aqueles que amo! A pátria de minhas melhores afeições afasta-se cada vez mais! Que Deus a proteja! A lembrança das horas felizes me sustenta e me esmaga”. 

Trecho de “O Castelo de Papel”, de Mary del Priore.

famliaimp

O Imperador e seus familiares.

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12 Comentários

  1. GEORGE KHAIRALAH HADDAD disse:

    Eu gostaria que acontecesse a restauração da monarquia no Brasil, com o legislativo nacional unicameral com apenas deputados federais e sem o senado.
    Existem 6 itens negativos quem sabe vai acabar são:
    Aprovação automática.
    Bolsa família.
    Eleições em 2 turnos.
    Maioridade penal.
    Senado.
    Voto obrigatório.

  2. ANTONIO CARLOS RICARDO disse:

    TAMBEM ACREDITO NESTE ACONTECIMENTO HISTORICO…

  3. Gustavo disse:

    http://www.enquetes.com.br/popenquete.asp?id=1115336
    Viva o império do Brasil. Abaixo a república. A república falhou e não conseguiu ser melhor do que o império.

  4. Ismael Serafim da Silva disse:

    A minha certeza é que o Brasil voltará a ser monarquia, porque para isso é que ele foi forjado.

  5. orlando julio penna filho disse:

    Somente com o retorno a Monarquia é que a Dignidade e a Honra serão devolvidas ao Povo Brasileiro …

  6. Sou totalmente a favor da volta da monarquia, para resgate, dos valores perdidos durante o tempo !

  7. Manoel disse:

    Acompanhando fato a fato pelos anos que antecederam ao Golpe Militar de 1889 e ao triste banimento da Família Imperial,
    causa-me vergonha ser Brasileiro.

    Desde o início, nossa República já nasceu maculada!!!

  8. Jairo Braz de Souza disse:

    Dom Pedro II praticamente entregou o pais aos republicanos. Parece que a Família Imperial, estava mesmo alheia aos acontecimentos e desejosa de perder o trono. Monarquia conservadora demais, faz os governantes perderem o senso de realidade. A história está plena de exemplos. Infelizmente, foi isso o que aconteceu. Como poderiam ter sido pegos de surpresa? Não dá pra entender tamanha inércia.

    • Kildare Magalhães disse:

      O família imperial é amada no imaginário do Brasil e odiada pela arrogância e preconceito. Imagine só… se a família imperial entregaria alguma coisa para uma horda gananciosa, manipuladora e ignorante…. entregou tanto que foi expulsa durante a madrugada, para o povo não ver, e foram banidos do Brasil por mais de 30 anos, para que o povo a esquecesse.
      Critique a Monarquia com argumentos. Os países com maior desenvolvimento humano do planeta são monarquias parlamentaristas ultramodernas.

    • Henrique Hurley disse:

      Eu tento imaginar, Jairo Braz de Souza, quais adjetivos você emprega, então, para a República brasileira e principalmente para os republicanos brasileiros. Com a sua assertiva “a Monarquia conservadora demais, faz os governantes perderem o senso de realidade”, você pretende afirmar que na República os governantes, especialmente os republicanos brasileiros, possuem um acurado senso da realidade, principalmente com a realidade atual, é isto mesmo? Se na República os governantes possuem um acurado senso da realidade, inclusive da realidade brasileira atual, então como você qualifica os governantes republicanos brasileiros, principalmente os mais recentes? Gostaria de ressaltar, principalmente para você, Jairo Braz de Souza, que o atual presidente em exercício, Michel Temer, foi eleito juntamente com a atual presidente afastada (e muito em breve, ex-presidente com mandato cassado), então quem votou na Dilma e no PT, votou no Temer e no PMDB. Gostaria de ressaltar também a você e a outros incautos e desavisados, alguns aspectos comparativos entre o período monárquico brasileiro, como Império, e o período republicano brasileiro: 1) durante os 67 anos de Império, o Brasil possuiu somente uma constituição, dois imperadores e inflação anual média de 1,58% (taxa de inflação anual semelhante à da Suíça atual), enquanto durante os quase 127 anos (menos do dobro de anos do período imperial) de República, o Brasil possui 8 constituições, dois golpes de estado, presidentes depostos, presidentes com mandato cassado um assassinado, um que FOI suicidado (confira o laudo autopsial), taxa média anual de inflação estimada de milhões por cento, vários planos econômicos mirabolantes, instabilidades política, econômica, social, institucional, vários escândalos e vexames com repercussões internacionais, perdas de credibilidade interna e externa dos Governos e governantes com consequentes piadas a este respeito, inclusive por parte dos portugueses e argentinos, além de inumeráveis outras mazelas; note que eu, para não ofender muito a sua consciência, não citei os inumeráveis e rumorosos casos de corrupção, principalmente dos governos, mais recentes (PSDB e PT), socialistas. Então, Jairo Braz de Souza, como você classifica os Governos e governantes republicanos brasileiros? Sugiro que você esqueça o dicionário e comece a utilizar neologismos.

      • JAIRO BRAZ DE SOUZA disse:

        Carissimo Henrique, tu falas como se eu fosse republicano. Não, eu sou monarquista de longa data, e bastante ativo. Participo desde há muito tempo de atividades Monarquistas. Veja os 3 vídeos que postei no youtube, há poucos dias, veja: CONVERSA IMPERIAL e perceba o quanto sou monarquista. Analisando o 15 de novembro, percebe-se claramente que Dom Pedro, com sua obsessão pela simplicidade, sem contato intimo com as forças armadas, que eram tratadas até com um certo desprezo, de total desconhecimento do que estava acontecendo à sua volta, pelo que fez para extinguir a Guarda Imperial apesar de advertido severamente pela Condessa de Barral, um golpe aconteceria. E quando aconteceu não reagiu apesar de lhe ter sido oferecida resistência. Isso não diminui minha admiração a D.Pedro II, mas esses fatos precisam ser discutidos para o bem da monarquia que espero ver restaurada.

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