CIDADE, MEMÓRIA E HISTÓRIA

Publicado em 19 de junho de 2015 por - Educação

Por Natania Nogueira.

      Há algum tempo, fiquei sabendo da existência de um projeto Prefeitura de Petrópolis, no Rio de Janeiro, que tinha por objetivo de identificar e apresentar de forma resumida o casario do centro histórico aos turistas. Quem conhece a cidade sabe que, entre museus e espaços culturais, as mansões e palacetes da época do Império e da Primeira República são uma atração à parte.

       Como visito Petrópolis bem menos do que gostaria, só pude ter contato recentemente com o resultado do projeto, que recebeu o nome de “Sinalização Turística – Circuito a Pé.” Foram instaladas placas de identificação pela região central, em português e inglês, onde constam dados sobre as construções, tais como a data da sua conclusão e seus primeiros donos. Um pequeno histórico sobre o prédio e quem viveu nele.

       A iniciativa da administração municipal, juntamente com Fundação de Cultura e Turismo, da CPTrans e da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Econômico, em parceria com o Ministério do Turismo e a Caixa Econômica Federal, é uma ação no sentido de valorizar a incentivar o turismo na cidade. Ao todo, foram sinalizadas 42 casas históricas, além de outros atrativos, como o Palácio Rio Negro e a Casa Santos Dumont, por exemplo.

       O passeio a pé pelo centro histórico ficou ainda mais agradável. O mesmo trajeto que fiz várias vezes em outras oportunidades trouxe novas informações. Não raro, se via turistas e mesmo moradores da cidade parados lendo uma placa de identificação e tecendo alguns comentários sobre uma edificação.

     Um projeto simples que pode ser implementado em outras cidades valorizando os centros históricos, que nem sempre são assim reconhecidos. Projetos deste tipo podem criar oportunidades para a educação patrimonial em uma cidade, principalmente naquelas que não são consideradas “turísticas”. Ele promove a valorização das construções, a instrução da comunidade e reforça ou mesmo cria o sentimento de pertencimento.

      O projeto recebeu algumas críticas e precisou receber algumas adequações. Infelizmente, algumas placas já forma vitimas de vandalismo, o que reforça ainda mais sua necessidade. Só por meio de uma educação patrimonial constante é que poderemos obter resultados. É um trabalho a médio e longo prazo e que requer perseverança. Afinal, uma criança precisa cair até aprender a andar.

petropolis

Placa explicativa (acervo pessoal). 

 

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2 Comentários

  1. Confesso que sou suspeitíssimo quando o assunto é Petrópolis, pois trata-se de uma cidade pela qual sou apaixonado. Isso, no entanto, não me impede de enxergar que ela tem todos os problemas e dificuldades de qualquer cidade brasileira.

    Mas Petrópolis se diferencia, e muito, das suas colegas serranas (Teresópolis e Nova Friburgo) exatamente pelo espírito de preservação e pela importância que dedica ao turismo e à História.

    Por morar em Teresópolis, tenho a facilidade e a sorte de poder ir à Petrópolis com bastante frequência. E nunca me canso de andar pelo Centro Histórico e de “viajar” no tempo.

    De fato, foi uma grande sacada da Secretaria de Turismo a colocação de placas de identificação contando um pouco da história dos monumentos e do casario.

    Há, também, um aplicativo desenvolvido por uma empresa local, chamado “Aplicativo Petrópolis”, disponível no Google Play, pelo qual você conhece todos os pontos turísticos, incluindo mapas e navegação por GPS. Em algumas das placas vermelhas de identificação, há um QR Code, espécie de código de barras que, acionado pela câmera do Smartphone, libera a narração daquela casa ou monumento.

    Petrópolis justifica, sem sombra de dúvida, o seu título de Cidade Imperial.

    • Natania disse:

      Também gosto muito da cidade. Nem tudo é perfeito, mas acredito que os moradores de Petrópolis reconheçam o valor do lugar onde vivem e isso é muita coisa e garante que certas ações de depredação sejam evitadas, que parte do patrimônio seja preservado.

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