Carta aos professores

Publicado em 15 de abril de 2015 por - Educação

Mais um texto enviado por uma educadora, que prefere ficar anônima, para a seção “Professor: conte sua história”. A autora defende que os professores não devem desanimar, nem desistir, apesar de todas as adversidades. Você concorda com ela? Dê sua opinião.
Querido (a) professor (a),
Chega a ser constrangedor o pedido que venho lhe fazer (e eu peço que me perdoe desde já), mas venho pedir para que seja mais forte!
É isso mesmo! Eu venho pedir que aplique toda a sua capacidade, compromisso e competência ao seu trabalho… E que NÃO desista da sua profissão! O motivo desse pedido? É que, querido (a) professor (a), sei o quanto tem sido duro o seu trabalho. Você não ganha um salário compatível com o tempo que você investiu (e investe) estudando, você não recebe pelo tempo que você gasta fora da sala de aula corrigindo atividades e preparando aulas, você não tem seus finais de semana livres só para você… Você tem de trabalhar nos três turnos para conseguir um montante de dinheiro que supra as suas necessidades básicas e as da sua família. Além do mais, eu não acho justo que você se prive do seu sonho que o (a) levou a optar por essa linda carreira! Você deu duro para se formar e continua sempre buscando aperfeiçoamento! É um DIREITO seu se fazer ouvir e exigir melhores condições de trabalho. Quando eu ouço frases do tipo: “Escolheu essa carreira porque quis, agora aguente!” ou ainda ”Se não está feliz, mude de profissão!” NÃO! Não dê ouvidos a essa gente, querido (a) professor (a)! Quando ouço isso, fico em dúvida entre sentir raiva, medo ou pena… Na verdade, penso que sinto as três coisas juntas! Mas sempre me lembro do modelo e exemplo que você representa para mim, do quão racional e questionadora me ensinou a ser… Logo, vejo que não é certo retrucar, certas palavras podem ser mais cruéis que agressões físicas. Você me ensinou a ser melhor que isso, com seu exemplo! O seu senso de justiça sempre me encanta… Me corrige quando é preciso, me elogia quando consigo progresso!
Ah, querido (a) professor (a)… Eu sei que é difícil, mas se a educação é quem nos livra da ignorância, nos faz enxergar além e nos torna pessoas mais sensatas, eu peço para que você continue sendo forte! Se você desistir… Se todos os professores desistirem, o que será de nós? NÓS todos precisamos de você! Todas as demais profissões se formam à partir de você! Por isso peço: Seja forte! Se faça ouvir, se faça presente! Você existe e tem muito valor! Você querido (a) professor (a), você merece ser muito feliz!
Essa carta não precisa ter autor, é uma carta escrita para mim mesma, na verdade, para que eu nunca me esqueça dos nobres valores que me levaram a escolher a minha profissão e para que enquanto tiver vida, me sinta viva e realizada nesse caminho.
Professor, mande seu relato para ser publicado  no nosso blog, pelo email: historia.hoje@bol.com.br . Participe!!
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Turma de normalistas nos anos 50.

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2 Comentários

  1. Entendo a postura da autora. Quando se fala sobre Educação, há mesmo a importância de considerar vários olhares. Não tem “receita pronta” nem resolver uma coisa apenas vai resolver tudo… Na verdade, cada professora ou professor, cada aluno ou aluna, cada turma, cada escola tem singularidades. Nunca vai dar para ter uma iniciativa única que contemple essa imensa diversidade (diversidade essa que vejo como muito positiva quando há respeito entre as partes envolvidas: equipe pedagógica, funcionários técnico-administrativos, estudantes, famílias, governo, sociedade…).

    Não sei se pediria às professoras e professores que desistam ou não: “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”.

    E concordo também com você, Paulo, de que a desistência não deve ser tomada dentro de uma postura vitimista. Se for uma decisão, precisa ser pautada na valorização do próprio trabalho, da própria saúde e, com o conhecimento que tem, muitas professoras e professores podem contribuir para a sociedade em outras profissões também.

    Ninguém deveria precisar se submeter à condições de trabalho que causam sofrimento. Nenhuma ou nenhum profissional. Há os “ossos do ofício” em toda profissão, não é só na docência. Mas cada pessoa sabe seus limites. Acredito que seja uma decisão muito pessoal e que deve, também, levar em conta a contribuição que a pessoa está fazendo para a sociedade. Muitas vezes, percebo que a desistência é consequência disso mesmo: as professoras e professores sabem bem o que devem fazer mas não conseguem, por questões que fogem do controle da/os docentes. Sentem-se impotentes e isso tem desdobramentos…

    Foi uma carta muito bonita sim, emocionante e que mostra o quanto é importante valorizar a docência e como precisamos das professoras e dos professores.

    Também sou imensamente grata a todas as professoras e professores que tive porque contribuíram, cada uma/um à sua maneira, para que eu melhorasse e fosse desenvolvendo, dentro das minhas capacidades e limitações, minhas potencialidades. A gratidão será eterna!

  2. Paulo André Machado Kulsar disse:

    Concordo plenamente. Por mais que a profissão não seja valorizada como deveria, os professores devem buscar esse reconhecimento. E não é desistindo ou fazendo o trabalho “nas coxas” que vai conseguir isso. Quem paga por isso é toda a sociedade, que só vai reproduzir a mesma ladainha. Para mudar a cultura de nossa sociedade, é fundamental que os professores se dediquem a revolucionar a educação a partir da sala de aula, e permitam às gerações futuras uma compreensão melhor do valor de uma boa educação.

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